<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432</id><updated>2011-08-05T17:38:57.320+01:00</updated><category term='Nostalgia'/><category term='Lavagem'/><category term='Encontros de olhares'/><category term='Caridade dolorosa'/><category term='Carta'/><category term='O viajante'/><category term='Caminho para a paz'/><category term='Quatro pontos brancos'/><category term='Caprichos do Acaso'/><category term='Universo simulado'/><category term='Surrender your ego'/><category term='Sonhos cruzados'/><category term='Reflexos'/><category term='O Coleccionador'/><category term='Carrossel'/><category term='Descoberta Indiscreta'/><category term='Quase-vida'/><category term='A Criação de Deus'/><category term='Encontro'/><category term='Fios de memória'/><title type='text'>Cantinho dos devaneios</title><subtitle type='html'>... um lugar confortavelmente desconfortável... um lugar secretamente público, onde todos poderão vir espreitar, mas que não se espera venha a ser muito espreitado... enfim, um cantinho...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>56</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5731456402409711850</id><published>2009-03-16T02:09:00.001Z</published><updated>2009-03-16T02:17:42.598Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fios de memória'/><title type='text'>Fio de memória #1</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;As memórias puxadas por este fio foram gravadas há muitos anos, num tempo e numa região em que se usavam termos que foram caindo em desuso. Felizmente outros fios se puderam puxar para trazer as memórias que permitiram escrever o pequeno glossário que poderão encontrar no final do texto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As memórias que o fio puxou já não posso garantir que se tenham passado todas no mesmo dia, sei apenas que foram puxadas por um burrinho que há muito partiu para o céu dos burros. Sim, porque se houver céu para os homens não se entende como poderia não o haver também para estes pacíficos animais...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A camioneta deixou-nos no sítio do costume, na zona mais central da aldeia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Todos os dias da semana, com a excepção do domingo, a mesma camioneta, conduzida pelo mesmo motorista, nos apanhava ainda antes das oito da manhã para, depois de fazer mais duas paragens em aldeias próximas, nos deixar em frente ao colégio mesmo a horas de entrar para a primeira aula do dia. O trajecto inverso iniciava-se mais de cinco horas depois e a chegada à aldeia acontecia já depois das duas da tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao contrário do habitual, ninguém me esperava em casa nesse dia, mas o recado dado de manhã, antes da saída para apanhar a camioneta, não deixava margem para descuidos ou atrasos, por isso tratei de me pôr rapidamente a caminho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apenas alguns minutos depois, ultrapassado o portão do quintal, dirigi-me ao esconderijo onde, desde sempre, era costume deixar a chave da porta quando todos os habitantes da casa se ausentavam. Histórias de ladrões havia-as, como havia as histórias de bruxas e de maus olhados, mas aquela era gente de bem e confiava-se nos vizinhos como se confiava numa mãe. Não era, por isso, de estranhar que aquele esconderijo fosse bem conhecido dos vizinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já dentro de casa, encontrei o prato no cimo de uma panela de ferro junto às cinzas ainda mornas do lume já sem vida. Do conteúdo do prato o fio não trouxe memória, nem isso deve interessar ao caso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a barriga mais composta, e depois de ter devolvido a chave ao esconderijo, dirigi-me ao palheiro. À minha direita um burro de pêlo branco olhava-me com as orelhas espetadas para a frente, numa inconfundível expressão de curiosidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De um pau imediatamente à direita da porta retirei o cabresto e dirigi-me ao burro. Este, adivinhando a quebra no seu descanso, recolheu as orelhas completamente para trás, numa clara expressão de desagrado. Indiferente a este sentimento, e sabendo que as manifestações de desagrado se ficariam pela expressão de orelhas recolhidas, enfiei a parte de baixo do cabresto pelo focinho do animal, fiz-lhe passar as orelhas pela parte de cima e apertei a fivela por debaixo do pescoço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois coloquei uma manta bem direita nas costas do animal, evitando deixar dobras que pudessem causar-lhe desconforto, e por cima desta coloquei a albarda. Depois fui buscar as engarelas e coloquei-as por cima da albarda e, finalmente, coloquei a cilha apertando-a bem para segurar tudo no lugar, mas não demasiado para não o magoar. Peguei num dos lados das engarelas e abanei-as para me certificar que tudo estava seguro. Estava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Finalmente libertei-o da corda que o prendia na manjedoura, puxei-o para fora do palheiro, e conduzi-o para junto da pedra que serviria de altura para mais facilmente conseguir passar a perna por cima da albarda e montar o animal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fechadas todas as portas, lá segui caminho montado no burro, com as pernas penduradas à frente das engarelas. Em cerca de meia hora chegaria ao meu destino, onde um pequeno rebanho de três cabras seria deixado à minha guarda, para que os meus tios, aos cuidados de quem estava entregue, pudessem dedicar-se ao resto da lida da horta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O fio puxado não trouxe memórias claras da viagem até ao destino, nem do que lá se terá passado durante parte da tarde, talvez porque a memória do que se passou a seguir seja mais forte que todo esse resto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A certa altura uma das cabras começou a berrar, e em pouco tempo pude ver algo que nunca tinha podido ver pelo facto de quase sempre acontecer durante a noite, o nascimento de dois cabritinhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chagada a hora do regresso a casa, sobre as engarelas, que em situações normais seguiriam carregadas com os mais variados produtos da horta, foram apenas colocados dois pequenos molhos de erva acabada de cortar e que serviria de alimento nocturno às cabras e ao burro. Esta pouca carga não se destinava a poupar o burro, mas sim a permitir que eu, ao contrário do que era normal nestes regressos a casa, pudesse seguir montado e entregue à nobre missão de levar na minha frente os cabritos recém-nascidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com os cabritos a chamar pela mãe, e com a mãe a berrar ao lado do burro e de olhos postos nos seus filhotes, foi com um grande orgulho que, naquele dia quase noite, entrei na aldeia e percorri as ruas até ao palheiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;** Glossário **&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;Albarda&lt;/b&gt; - Espécie de sela feita de pano e de pele, e cheia com palha. Utilizada nos burros e nas mulas para permitir o transporte de pessoas e de carga. Protege o traseiro de quem assim quiser viajar, e protege as costas do animal da carga e dos traseiros dos passageiros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;Cabresto&lt;/b&gt; - Utensílio feito com tiras de pele e utilizado para colocar na cabeça do burro, permitindo controlar o animal, quer quando se circula a pé, quer quando se segue montado nele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;Cilha&lt;/b&gt; - Faixa larga de couro que, passando por debaixo da barriga do animal, serve para segurar a albarda, não permitindo que ela oscile ou caia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;Engarelas&lt;/b&gt; - Armações de madeira ou de ferro, constituídas por duas partes simétricas unidas por cordas ou por correntes, e que se colocam no dorso dos animais de carga, sobre a albarda, de forma que as duas partes fiquem suspensas de ambos os lados do animal, permitindo a colocação de carga. Em algumas regiões as engarelas são conhecidas por cangalhas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5731456402409711850?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5731456402409711850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5731456402409711850&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5731456402409711850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5731456402409711850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/03/fio-de-memoria-1.html' title='Fio de memória #1'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5455363184495990713</id><published>2009-03-14T13:31:00.002Z</published><updated>2009-03-14T13:39:11.300Z</updated><title type='text'>Compasso de espera</title><content type='html'>Infelizmente esta que terminou foi uma semana de intenso trabalho, e por isso não consegui fazer a prometida transcrição daquele primeiro fio de memória para palavras escritas. Depois de um necessário e merecido descanso, espero encontrar, ao longo do que resta do fim de semana, um período de serenidade e de isolamento para cumprir a promessa. Até já...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5455363184495990713?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5455363184495990713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5455363184495990713&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5455363184495990713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5455363184495990713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/03/compasso-de-espera.html' title='Compasso de espera'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7356064109129164252</id><published>2009-03-09T01:52:00.002Z</published><updated>2009-03-09T01:57:37.301Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fios de memória'/><title type='text'>Fios de memória</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acontece-me, por vezes, virem-me à memória imagens distantes de situações vividas há já bastante tempo. Depois, a partir dessas primeiras, outras segundas se lhe seguem e depois terceiras e quartas, e assim sucessivamente até que alguma coisa à minha volta me faz acordar desse sonhar acordado e me traz de volta à realidade. É como se as memórias estivessem ligadas por um fio invisível que ao ser puxado trouxesse agarradas, umas após as outras, aquelas imagens de outros tempos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por vezes o fio de memória tem uma base comum que me faz saltar de uma recordação para a outra. Uma situação, um local, uma pessoa, ou simplesmente um sentir, são o suficiente para trazer à superfície imagens, directa ou indirectamente, associadas a essa mesma situação, pessoa ou sentir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outras vezes as imagens sucedem-se sem que exista essa tal base comum, ou talvez seja mais correcto dizer que ela existe e que apenas não me é aparente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há ainda os casos em que, como referia a amiga &lt;a href="http://www.blogger.com/profile/07726943939532867045"&gt;lélé&lt;/a&gt; num &lt;a href="http://postasdelado.blogspot.com/search?q=sair+das+lembran%C3%A7as"&gt;texto recente&lt;/a&gt;, o fio de memória me conduz por recordações adulteradas, ou mesmo completamente forjadas, como se as imagens de um sonho tivessem conseguido atravessar a fronteira entre esse mundo, supostamente imaginário, e este outro, supostamente real.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E no meio de todas essas recordações, puxadas por esse fio invisível, surgem-me por vezes imagens que estavam esquecidas nas profundezas da memória há tanto tempo que é inevitável ficar maravilhado...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Daqui em diante, sempre que um destes fios de memória não me parecer demasiado desinteressante ou impróprio, aqui o partilharei com quem vier espreitar neste cantinho. O primeiro desses fios já foi puxado, falta agora transcrever em palavras as imagens que ele me trouxe.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7356064109129164252?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7356064109129164252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7356064109129164252&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7356064109129164252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7356064109129164252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/03/fios-de-memoria.html' title='Fios de memória'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6003846659024887434</id><published>2009-03-04T22:40:00.001Z</published><updated>2009-03-04T22:42:26.663Z</updated><title type='text'>Brincar com o tempo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Vim só avisar que, terminado o devaneio sobre a viagem de um certo &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/search/label/O%20viajante"&gt;viajante&lt;/a&gt;, neste cantinho se vai continuar a brincar com o tempo. Não para já, que não seria prudente abusar assim dele repetidamente, uma e outra vez, em seu tão curto espaço, mas num futuro não muito distante. Para já - forma de expressão, pois não deve entender-se que este para já signifique que seja, literalmente, para já, mas mais para um dos próximos dias - para já, dizia, será tempo não de com ele brincar, mas de brincar com outros devaneios. Um fio de memória começou a ser puxado... veremos o que ele nos traz...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6003846659024887434?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6003846659024887434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6003846659024887434&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6003846659024887434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6003846659024887434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/03/brincar-com-o-tempo.html' title='Brincar com o tempo'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-4524198232489119652</id><published>2009-02-25T15:00:00.003Z</published><updated>2009-02-25T15:00:00.999Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte IX</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – Partes &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;&lt;i style=""&gt;IV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html"&gt;&lt;i style=""&gt;V&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vi.html"&gt;&lt;i style=""&gt;VI&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;VII&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-viii.html"&gt;VIII&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que a leitura daquela carta lhe traria sofrimento, mas lentamente, ainda indeciso sobre o que fazer, foi rasgando um dos lados do envelope. Depois, já com o envelope aberto, hesitou de novo mais alguns segundos antes de meter dois dedos dentro do envelope para alcançar a folha de papel e puxá-la para fora. Fez uma nova hesitação e abriu, finalmente, a folha e olhou para aquelas linhas manuscritas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A carta pareceu-lhe estranhamente curta. Pensou que ela não tivera, talvez, a coragem para se alongar muito em explicações que sabia que ele teria obrigação de compreender. Na verdade não eram necessárias muitas palavras para dizer que se vira obrigada a procurar uma nova felicidade e para lhe pedir que entendesse a decisão dela e não a procurasse... e o fecho da carta, desejando-lhe que fosse feliz, também não necessitaria mais de duas ou três linhas de texto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a carta aberta na mão olhou pela janela para contemplar aquela belíssima paisagem durante mais alguns segundos. Depois fez uma inspiração profunda e dispôs-se, finalmente, a ler a carta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Meu amor, passam-se hoje exactamente seis meses desde a data em que tu não regressaste. Têm sido tempos muito difíceis para mim e para as nossas meninas. Não que elas tenham consciência do que se passa, mas têm imensas saudades tuas e não param de perguntar por ti.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os olhos encheram-se-lhe repentinamente de lágrimas. Parou de ler, largou a carta em cima da mesa, recostou-se na cadeira com as mãos nos olhos e chorou como chora um homem. Um choro silencioso, mas um choro abundante, arrancado não do fundo dos olhos mas do mais profundo das entranhas. Tinha estado a tentar conter aquelas lágrimas desde que tomara consciência da situação em que se encontrava, mas agora não podia aguentar mais, por isso deixou de lutar, deixou de engolir em seco, e deixou que elas corressem livremente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Claro que tinham saudades, aquelas duas meninas adoravam-no, e ele adorava-as a elas. Mas a saudade delas já estaria curada por esta altura, enquanto a dele lhe ardia agora no peito com uma intensidade avassaladora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Perdeu a noção de quanto tempo ficou ali, e perdeu a noção da quantidade das lágrimas libertadas. Finalmente retirou lentamente as mãos dos olhos, e voltou a olhar para a sala e para a paisagem exterior, ainda com a visão perturbada pelas últimas lágrimas que tinham ficado prisioneiras nos olhos, impedidas de seguir o caminho das restantes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pegou num dos guardanapos de papel e limpou os olhos, a boca e o nariz, e bebeu mais um pouco água para limpar o gosto salgado que sentia nos lábios e na boca. Depois respirou fundo e voltou a pegar na carta abandonada em cima da mesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“O mundo inteiro não tem parado de falar no teu caso, o que só contribuiu para agravar este sofrimento meu. Os primeiros quatro meses foram os mais difíceis, ainda aturdida pelos acontecimentos e incapaz de pensar e de raciocinar correctamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Depois fui recuperando um pouco a calma e o discernimento e tudo ficou mais calmo e sereno quando finalmente tomei a minha decisão.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Claro, a tomada da decisão devia ter sido muito difícil, mas depois de tomada tudo terá ficado mais calmo. O sofrimento terá ficado ainda durante muito tempo, mas também esse terá acabado por ser ultrapassado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“De acordo com os peritos que analisaram a cápsula de dados, recuperada junto daquele planeta de onde partiste para algum lugar incerto do universo, o sistema de teletransporte da tua nave terá tido uma falha grave. O teu regresso à Terra só poderá acontecer se tiveres tomado a decisão de usar o sistema de teletransporte alternativo, com as inevitáveis consequências que isso implica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Os peritos não foram capazes de determinar a que local do espaço foste parar na sequência da avaria, por isso, assumindo que vais regressar, é impossível saber quando isso vai acontecer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;E assim tenho vivido nestes meses, prisioneira da incerteza de uma decisão que tu tomaste há seis meses atrás, mas que permanece escondida numa descontinuidade do tempo entre o momento em que a tomaste e um futuro que não sei quando chegará, ou se chegará.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Esta incerteza foi, precisamente, o factor de maior sofrimento para mim e o que me levou a tomar esta decisão. Simplesmente não poderia continuar a viver nesta incerteza!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Claro que não podia... Por muito que isso lhe custasse aceitar, sabia que as coisas não se poderiam ter passado de maneira diferente. Apesar de saber aquilo com que contava, não estava preparado, por isso baixou a carta e voltou a olhar para a rua, através da janela, tentando encontrar naquela paisagem idílica a coragem necessária para ler o último parágrafo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Respirou fundo uma vez mais e voltou a levantar a mão esquerda com a qual segurava a carta, finalmente disposto a terminar a sua leitura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Parto hoje com as nossas filhas. Parto numa nave não muito diferente da tua. Nela faremos pequenas viagens no tempo, voltando a uma órbita em torno da terra a cada seis meses. Em cada regresso farei uma breve comunicação com a Terra, para fazer um ponto de situação, antes de partir para nova viagem de igual duração. Interromperei esta sequência quando ouvir a tua voz. Não conseguimos e não queremos viver sem ti! Até já!...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;FIM&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-4524198232489119652?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/4524198232489119652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=4524198232489119652&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4524198232489119652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4524198232489119652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-ix.html' title='O viajante – parte IX'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-984835041619230695</id><published>2009-02-20T17:00:00.001Z</published><updated>2009-02-20T17:00:02.233Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte VIII</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – Partes &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;&lt;i style=""&gt;IV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html"&gt;&lt;i style=""&gt;V&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vi.html"&gt;&lt;i style=""&gt;VI&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;VII&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A expressão dela tornou-se um pouco mais sombria. Fez uma pausa antes de responder:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Os seus pais partiram já há mais de dez anos, primeiro o seu pai, depois a sua mãe, menos de um ano depois.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois voltando a um discurso mais animado, &lt;i style=""&gt;“Mas os seus irmãos continuam vivos e prometeram que se recusariam a receber a morte enquanto o senhor não voltasse”&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto escutava aquelas palavras um sorriso amargo desenhou-se-lhe nos lábios, ao mesmo tempo que uma lágrima lhe caia pela cara. Sabia que seria assim, que os pais não poderiam ter uma vida suficientemente longa para ainda estarem vivos naquela altura, mas esta confirmação provocou-lhe um aperto no coração, como se a notícia fosse totalmente inesperada. Teria, certamente, mais motivos para sentir o coração apertado nos dias seguintes...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela, percebendo o efeito das notícias que tinha acabado de dar, prosseguiu:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Julgo que agora mesmo devem estar precisamente a reunir-se nesse local onde costumam encontrar-se nas datas que lhe referi.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Mas como? Eles já sabem que eu regressei?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Sim, várias dezenas de antenas estavam apontadas para o espaço à espera de receber o seu sinal de SOS. Por esta altura a notícia do seu regresso já circula em todos os meios de comunicação. Os peritos tinham previsto que o seu regresso aconteceria entre as sete horas de ontem e as vinte e três de amanhã, por isso havia muita gente na expectativa à escuta do seu sinal.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“O meu regresso foi previsto?... como?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Alguns anos depois da sua viagem foi feito um esforço para encontrar o seu rasto. Nessa altura havia já algumas teorias sobre o local para onde o sistema de teletransporte o teria levado na altura em que avariou, baseadas nos dados de telemetria encontrados na cápsula que deixou antes da tentativa de regresso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Tendo como base essas teorias, e procurando tirar partido do facto de a sua nave emitir um sinal de rádio a cada minuto, foram colocadas várias antenas bastante sensíveis em locais do espaço onde se considerou que esses sinais poderiam estar prestes a chegar.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Claro, como não tinha pensado nisso!? A nave emitia, de facto, um sinal de rádio a cada sessenta segundos. Codificada nesse sinal era enviada a informação sobre a data e a hora a bordo da nave. Uma vez que estes sinais de rádio viajavam à velocidade da luz, algumas antenas bem posicionadas haveriam de, eventualmente, captar algum desses sinais. Bastaria que duas antenas colocadas em dois locais distintos detectassem o sinal para permitir o cálculo do ponto de origem do sinal, usando um processo de triangulação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;”Foi necessário esperar alguns anos, julgo que quatro, para que uma dessas antenas recebesse os primeiros sinais. Depois, com base nessa informação, foi relativamente fácil reposicionar as outras antenas, e em menos de seis meses foi possível determinar com bastante exactidão o local de onde se teletransportou pela última vez. Com base nessa informação foi feita uma estimativa da data da sua chegada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Desde então tem havido alguns especialistas a contestar estas previsões e a apresentar teorias alternativas, mas, como acabamos de verificar, estavam enganados.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Teve vontade de lhe perguntar pela mulher e pelas filhas, mas por alguma razão ela tinha evitado falar-lhe nelas, por isso olhou de novo a carta em cima da mesa. Ela, apercebendo-se disso, achou que seria melhor deixá-lo a sós. Sorriu-lhe e disse-lhe &lt;i style=""&gt;“Se precisar de alguma coisa chame-me”&lt;/i&gt; antes de se retirar da sala.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continua)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-984835041619230695?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/984835041619230695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=984835041619230695&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/984835041619230695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/984835041619230695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-viii.html' title='O viajante – parte VIII'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6484519326729295063</id><published>2009-02-18T15:33:00.003Z</published><updated>2009-02-20T19:13:34.218Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte VII</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – Partes &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;&lt;i style=""&gt;IV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html"&gt;&lt;i style=""&gt;V&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vi.html"&gt;&lt;i style=""&gt;VI&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pegou no envelope e ficou ali a olhar para ele durante algum tempo. Imaginava o que estava escrito naquela carta e por isso mesmo ponderava se queria abri-la, ou se preferia ignora-la. Certamente ela teria decidido escrever-lhe quando, depois de se ter cansado de o esperar, se decidira a refazer a sua vida. Naquela carta encontraria as justificações que já imaginava, e as quais compreendia perfeitamente. Encontraria também o pedido para ele não a procurar, evitando assim abrir as feridas mal curadas daquela espera e daquela decisão que fora obrigada a tomar...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi interrompido nestes pensamentos por alguém que batia à porta da sala. Antes que pudesse mandar entrar já a porta se abria, mostrando-lhe a cara da mulher que vira sentada do lado de fora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Desculpe incomodá-lo, mas achei que talvez quisesse tomar alguma coisa, uma água ou um sumo... e uns bolinhos...”&lt;/i&gt; e ficou a olhar para ele, com um sorriso simpático no rosto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A intensidade do turbilhão de emoções por que tinha acabado de passar tinham-no levado a ignorar os sinais do seu próprio corpo. Precisou, por isso, de alguns segundos para raciocinar sobre a oferta que acabara de lhe ser feita. &lt;i style=""&gt;“Sim, de facto uma água seria bem vinda... e talvez aceite também alguns desses bolinhos... fiquei curioso para saborear o resultado destes quase quarenta anos de evolução na arte da confeitaria...”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela sorriu mais abertamente e entrou na sala, dirigindo-se a uma porta na parede do lado esquerdo. De dentro do armário retirou dois copos, duas garrafas de água, alguns pacotes com imagens de frutas, algumas embalagens pequenas de diversos tipos, e alguns guardanapos de papel. Depois, recuperando o sorriso simpático entrelaçou as pontas dos dedos e, olhando-o de frente, disse-lhe: &lt;i style=""&gt;“Se precisar de mais alguma coisa não hesite em chamar-me.”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ia já junto à porta quando ele falou: &lt;i style=""&gt;“Sabe quem eu sou?”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela voltou-se para ele e respondeu: &lt;i style=""&gt;“Claro que sim. O senhor é uma das pessoas mais conhecidas da actualidade.”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“A sério?... e eu que, por momentos, achei que se poderiam ter esquecido de mim!...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela entretanto tinha-se aproximado de novo e olhava-o agora com uma cara mais séria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“De modo nenhum, o senhor teve um papel importantíssimo no desenvolvimento dos sistemas de teletransporte e foi o primeiro homem a ser teletransportado para fora do nosso sistema solar. Depois, nessa mesma viagem, teve um problema com o sistema de teletransporte e foi obrigado a usar o sistema alternativo, o que implicou uma viagem no tempo de mais de trinta e oito anos. Acabou de chegar dessa viagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Além disso, o senhor continua a ser uma das poucas pessoas que teve a possibilidade de viajar no tempo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Como assim?... foi detectado algum problema com essa tecnologia?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Não, pelo contrário, a tecnologia funciona muitíssimo bem, mas os responsáveis mundiais consideraram que seria perigoso permitir esse tipo de viagens, devido aos potenciais problemas na coordenação e na recepção desses passageiros no momento do regresso, e ao perigo de muitas pessoas importantes e poderosas viajar para o futuro, criando problemas de vazio no presente. Por isso foram aprovadas leis proibindo esse tipo de viagens.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele ficou ali a olhar para ela, sem saber o que dizer, enquanto mastigava o conteúdo de um dos pacotes que ela lhe tinha colocado em cima da mesa. Foi ela quem retomou a palavra:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“A sua viagem teve início a vinte e dois de Abril, desde essa altura que esta data e a data de vinte e dois de Outubro são assinaladas, especialmente pelos seus amigos e familiares que continuam a reunir-se no terminal de onde partiu para essa viagem.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Duas vezes por ano?... não chegaria uma?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“A seu tempo compreenderá as razões”, &lt;/i&gt;disse sorrindo. &lt;i style=""&gt;”Os principais dinamizadores desses encontros começaram por ser os seus pais e os seus irmãos, aos quais se juntaram os seus amigos.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Os meus pais e os meus irmãos...”&lt;/i&gt; fez uma pausa &lt;i style=""&gt;”que é feito deles?”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-viii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6484519326729295063?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6484519326729295063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6484519326729295063&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6484519326729295063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6484519326729295063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vii.html' title='O viajante – parte VII'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-620567587786070846</id><published>2009-02-12T05:33:00.003Z</published><updated>2009-02-18T15:40:43.868Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte VI</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – Partes &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;&lt;i style=""&gt;IV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html"&gt;&lt;i style=""&gt;V&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Após alguns segundos de desorientação apercebeu-se do que se estava a passar. Percebeu que nenhuma força puxava a nave para cima, em vez disso a mesma aceleração puxava-os, a ele e à nave, para baixo. Tinha acabado de ser teletransportado do local onde se encontrava, em órbita com o Sol, directamente para algum lugar na Terra e o que sentia era apenas a força da gravidade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu alguma agitação no exterior da nave. A cara de um homem surgiu-lhe na janela à sua esquerda, perscrutando o interior da nave e, finalmente, fixando o olhar nele. Depois o homem fez-lhe sinal com a mão para que saísse da nave.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Moveu-se muito lentamente. Apesar de ter passado apenas alguns dias na situação de imponderabilidade, o súbito retorno à gravidade normal da superfície da Terra fazia com que se sentisse muito pesado e desajeitado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Abriu a porta e saiu lentamente da nave. O homem que vira pela janela afastava-se para um dos lados da sala, enquanto por uma porta aberta à sua frente um outro homem, vestido de forma mais distinta que o anterior, se dirigia a ele mostrando um largo sorriso. “&lt;i style=""&gt;Capitão, é uma enorme honra recebê-lo de volta aqui na Terra&lt;/i&gt;”. Fez uma pausa enquanto lhe estendia a mão aberta que ele se apressou a apertar, balbuciando um tímido e quase imperceptível “&lt;i style=""&gt;Obrigado&lt;/i&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style=""&gt;Sou o responsável actual da Agência Espacial e foi com grande entusiasmo que recebi a notícia de que tinha sido detectado o seu sinal de SOS. Como deve saber, muito tempo se passou aqui na Terra desde a sua viagem pioneira. Muito se escreveu e se especulou a seu respeito ao longo destes anos, mas a maioria dos peritos, e das pessoas em geral, sempre acreditou que o senhor haveria de regressar um dia&lt;/i&gt;.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tentou encontrar algumas palavras para responder, mas nada lhe ocorreu naquele momento. Alimentava ainda a vaga esperança de que não se tivessem, afinal, passado tantos anos, e de que o computador e o sistema de teletransporte a bordo da sua nave tivessem errado o cálculo da data de chegada. Mas não, tudo indicava, pelo discurso daquele homem, que se tinham passado aqueles anos todos. E com a perda desta última réstia de esperança, fugiam-lhe também as palavras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style=""&gt;Imagino a forma como se sente&lt;/i&gt;...” Continuou o homem, sentindo o embaraço em que ele se encontrava. Depois, encarando-o com uma expressão mais séria, prosseguiu, “&lt;i style=""&gt;Imagino que não seja fácil entender que se tenham passado quase quarenta anos aqui na Terra, quando para si se passaram apenas alguns dias. Mas não se preocupe, vai ter algumas surpresas boas, vamos ajuda-lo a adaptar-se a este novo mundo, vamos ajuda-lo a viver uma vida feliz&lt;/i&gt;.”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem colocou-lhe a mão esquerda sobre o seu omoplata direito, num gesto que o encaminhava pela porta aberta. Avançou e passou pela porta, depois o homem indicou-lhe uma outra porta, que uma jovem, vestida com um uniforme não muito diferente do que vestia o homem que o tinha espreitado pela janela da nave, se prontificou a abrir carregando num botão. Enquanto passava por ela a jovem dirigiu-lhe um sorriso genuíno e simpático ao qual ele se sentiu obrigado a corresponder. Entraram ambos numa cabine em tudo idêntica à cabine de um elevador. A porta fechou-se atrás deles e o homem introduziu algumas instruções num ecrã cheio de estranhos símbolos e números.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto a porta se abria para um corredor de aspecto muito diferente daquele que ali estava há apenas alguns segundos atrás, o homem voltou a falar, “&lt;i style=""&gt;A tecnologia de teletransporte veio revolucionar todos os meios de transporte do planeta. Deixaram de existir carros, comboios, barcos e aviões, pois deixaram de ser necessários. Por exemplo, agora mesmo acabamos de ser teletransportados de um dos vários terminais da Agência Espacial para os escritórios centrais, a mais de mil quilómetros de distância.&lt;/i&gt;”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Avançaram pelo corredor em direcção a uma secretária onde uma mulher bonita, de uns trinta a trinta e cinco anos, mexia as mãos por entre um emaranhado de estranhas imagens que se iam movendo elegantemente à sua frente. Certamente um computador moderno, sem teclado, e sem monitor, apenas um conjunto de imagens virtuais suspensas e com as quais aquela mulher parecia brincar habilmente. Apercebendo-se da presença deles a mulher parou o que estava a fazer, e olhou-os dirigindo-lhes um largo sorriso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem abriu uma porta à esquerda da mulher e convidou-o a entrar. Entraram para uma sala ampla e muito bem iluminada pelo azul profundo de um céu sem nuvens que entrava pelas janelas que ocupavam por completo uma das paredes. Do lado de fora da janela era também visível um relvado bem tratado e, mais ao fundo, uma praia e um mar calmo a perder de vista. Dentro da sala uma mesa de grandes dimensões, rodeada de cadeiras de aspecto confortável, ocupava grande parte do espaço.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seguindo a indicação do homem, sentou-se numa das cadeiras mais próximas da janela. O homem, permanecendo de pé, voltou a falar. “&lt;i style=""&gt;Seguindo as normas e os procedimentos actuais da Agência, o senhor terá de ser observado por um grupo de médicos. Não que se suspeite que alguma coisa esteja menos bem com a sua saúde, mas porque a isso obrigam as normas e os procedimentos a que me referi. No entanto, achei que antes disso seria interessante para si receber uma coisa que há muito lhe foi dirigida. Demore o tempo que achar necessário, a minha secretária vai ficar à espera que o senhor lhe diga quando estiver pronto para prosseguir.&lt;/i&gt;”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem meteu a mão num dos bolsos do casaco e retirou de lá um envelope branco que colocou à frente dele, em cima da mesa. Depois virou-se e saiu fechando a porta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No envelope à sua frente estava escrito o nome dele, na inconfundível caligrafia da sua mulher e mãe das suas filhas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-620567587786070846?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/620567587786070846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=620567587786070846&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/620567587786070846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/620567587786070846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vi.html' title='O viajante – parte VI'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-8442123285119618997</id><published>2009-02-06T20:00:00.003Z</published><updated>2009-02-18T20:51:05.584Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte V</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – Partes &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;&lt;i style=""&gt;IV&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com o dedo suspenso a menos de dois centímetros do botão que activaria o sistema de teletransporte, e que o faria viajar quase quarenta anos para o futuro, pensou na realidade que iria encontrar quando chegasse à Terra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou de novo na mulher. Imaginou como ela se sentiria naquela incerteza sobre o que lhe teria acontecido a ele. Se estaria vivo, ou se os seus restos mortais vagueariam algures numa parte incerta do universo... Se, estando vivo e em condições de regressar à Terra, demoraria dias ou anos até estar de volta... Não tinha dúvidas de que o amor que os unia era muito grande, mas também sabia que nenhum amor poderia resistir à incerteza em que a sua amada se encontraria. Sabia que, mais tarde ou mais cedo, ela teria de desistir da espera e refazer a sua vida com outro homem. Além disso, em vez da mulher ainda jovem e bonita que vira pela última vez a apenas alguns dias atrás, encontraria uma avó com mais de setenta anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou nas filhas. Reviu-as mentalmente nas suas brincadeiras, nas suas travessuras, nas suas gracinhas, nos seus momentos de ternura... Cresceriam sem ele!... Cresceriam ao lado de um padrasto a quem veriam como pai e a quem os seus próprios netos chamariam de avô.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou nos pais, já com uma idade demasiado avançada para que pudesse alimentar a esperança de ainda os encontrar vivos. Morreriam sem que soubessem o que lhe tinha acontecido, morreriam sem que ele tivesse oportunidade de se despedir deles, de lhes dar um último carinho, em jeito de retribuição pelos muitos carinhos que deles sempre recebera, de os acompanhar até à sua última morada...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou nos colegas e amigos. Encontraria a maioria já numa idade avançada, enquanto outros, à semelhança dos pais, já teriam morrido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apercebeu-se de que não teria ninguém quando chegasse! Estaria verdadeiramente só e sem qualquer referência ao mundo que deixara há apenas alguns dias. Pensou se realmente queria voltar, ou se preferia programar o sistema de teletransporte para o levar directamente à superfície do Sol onde seria instantaneamente incinerado. Seria tudo tão rápido que nem chegaria a sentir dor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apressou-se a afastar aqueles pensamentos! Não, não estava disposto a entregar-se assim tão facilmente! Voltaria, conheceria as filhas, mais velhas do que ele, conheceria os netos, reconstruiria a sua vida, faria novos amigos, encontraria um novo amor, uma nova família e novos filhos. Não seria fácil, mas estava certo de que encontraria o caminho para uma nova felicidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Num impulso, e antes que pudesse mudar de ideias, carregou no botão. Instantes depois a luz intensa do Sol entrava-lhe pelas janelas do lado direito da nave. Precisou de alguns momentos para que os seus olhos se adaptassem àquele súbito aumento de luminosidade. Depois, ainda encandeado, procurou os controlos da nave e manobrou-a de forma a virar as janelas para o escuro do vazio do universo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já estava! Mais de trinta e oito anos se tinham passado na Terra entre o momento em que, naquele impulso, tinha carregado no botão e este momento em que se encontrava agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No computador deu as instruções necessárias para que este determinasse a localização exacta da Terra naquele momento. O ponto de chegada que tinha sido previamente programado no sistema de teletransporte não se encontrava muito próximo da Terra. A razão para isso prendia-se com a dificuldade em conseguir afinar com precisão milimétrica o local de destino de um teletransporte. Neste caso, e considerando a distância a que estava o ponto de partida, o erro no ponto de destino poderia chegar aos milhares de quilómetros. Por esta razão, o ponto de destino previamente programado no STTA, e nas proximidades do qual se encontrava agora, fora escolhido numa órbita em torno do Sol, entre a órbita de Vénus e a órbita da Terra. Por isso era agora necessário determinar onde se encontrava a Terra. Em simultâneo activou também o sinal de SOS.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ocorreu-lhe então a possibilidade de a espécie humana já não existir, de se ter autodestruído em alguma guerra... de aquela mesma tecnologia que permitira o teletransporte poder ter sido fatalmente utilizada como arma de destruição e aniquilação. Se assim fosse seria ele o último representante vivo da raça humana...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não, o computador informou-o que as antenas da nave estavam a captar sinais electromagnéticos, num padrão típico dos utilizados para telecomunicações. Apesar de o computador não conseguir descodificar qualquer dos sinais recebidos, era evidente que havia vida inteligente activa algures não muito longe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou na possibilidade de já não se lembrarem dele e de o tomarem por um extraterrestre...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Repentinamente uma luz branca substituiu o escuro do espaço em todas as janelas da nave. Ao mesmo tempo sentiu-se puxado para baixo, como se a nave estivesse a ser acelerada para cima por uma qualquer força.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-vi.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-8442123285119618997?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/8442123285119618997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=8442123285119618997&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/8442123285119618997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/8442123285119618997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html' title='O viajante – parte V'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5279406138372929723</id><published>2009-02-03T12:24:00.004Z</published><updated>2009-02-07T00:56:17.053Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte IV</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;Parte I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;Parte II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;e&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;Parte III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No ecrã do computador uma mensagem lembrava-o de que aquela estimativa era aproximada, e pedia-lhe instruções para teletransportar a nave para outro local, a fim de poder calcular uma triangulação para um cálculo mais exacto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez... talvez a estimativa estivesse, afinal, muito longe da realidade... talvez não estivesse tão desesperantemente longe da Terra... Sabia que esta era uma possibilidade muito remota, mas continuava a recusar-se a acreditar naquele cenário tão pessimista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sem perder tempo, deu as instruções necessárias para a utilização do STTA e configurou um destino a cerca de trinta dias luz dali. Era mais distante que o necessário para fazer um cálculo com a precisão adequada, mas ele queria ter a certeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Uma breve oscilação e uma súbita alteração dos padrões de pontos luminosos que entravam pela janela deram-lhe a indicação de que a operação de teletransporte se concluíra. Juntamente com a viagem no espaço tinha também viajado cerca de trinta e sete horas para o futuro. Uma insignificância face ao que o esperava se a primeira estimativa se confirmasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhou de novo para o exterior da nave. A mesma visão com que antes se deslumbrara parecia-lhe agora fria... grotesca... brutal!...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na Terra, por esta altura, já teriam percebido que algo de errado se tinha passado com a missão. Provavelmente já teriam enviado uma sonda não tripulada para o local da missão, e talvez até já tivesse sido recuperada a cápsula de informação que ele lá deixara. Sabia, no entanto, que todos esses esforços em nada o poderiam ajudar a ele. Mesmo que a análise dos dados da cápsula permitisse identificar a avaria do STTI, dificilmente permitiria determinar a que local do espaço a nave tinha ido parar. Além disso, seriam necessários vários dias, ou talvez semanas, para analisar toda a informação da cápsula, e ele tinha já menos de cinquenta horas de oxigénio nos tanques da nave. Não podia, por isso, ficar à espera que o viessem resgatar. Estava sozinho, mais sozinho que algum outro homem alguma vez tinha estado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Repentinamente vieram-lhe à memória as palavras e a expressão da mulher quando ele a informara, eufórico, que tinha sido escolhido para aquela missão, “&lt;i style=""&gt;Não vás, tenho medo!...&lt;/i&gt;”. Depois lembrou-se das filhas gémeas, no momento em que as abraçara e as levantara do chão para se despedir delas antes de partir para o período de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quarantine"&gt;quarentena&lt;/a&gt; que precedeu a missão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estas memórias foram interrompidas por uma alteração no ecrã do computador. O programa de cálculo da triangulação tinha terminado e a imagem mostrava-lhe já as novas coordenadas. Contrariamente ao que desejava estas coordenadas eram muito próximas da primeira estimativa. Não havia dúvidas de que estava muito longe da Terra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A sua atenção foi, entretanto, desviada para outros dados. O programa de cálculo estava preparado para, depois de calculada a triangulação, programar automaticamente o sistema de teletransporte activo, neste caso o STTA, para levar a nave de volta a um ponto predefinido numa órbita em torno do Sol. A zona inferior do ecrã mostrava-lhe, juntamente com as coordenadas do ponto de destino e de outros parâmetros de configuração do STTA, um campo onde, dentro de poucos segundos, deveria aparecer a estimativa da data de chegada àquele ponto, medida em relação ao referencial da Terra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A data apareceu, finalmente, e ele calculou mentalmente a diferença entre essa data e a data actual. A utilização do STTA implicava que chegaria à Terra mais de trinta e oito anos depois de ter iniciado aquela viagem... Bastavam agora algumas instruções muito simples para executar aquele teletransporte. Para ele essa viagem demoraria uma insignificante fracção de segundo, mas nessa mesma fracção de segundo passar-se-iam quase quarenta anos na Terra! Mais do que a idade que ele tinha!...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-v.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5279406138372929723?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5279406138372929723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5279406138372929723&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5279406138372929723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5279406138372929723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html' title='O viajante – parte IV'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5583770261509760408</id><published>2009-01-25T01:30:00.004Z</published><updated>2009-02-03T17:02:30.446Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O viajante – &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;Parte I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;Parte II&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fechou o painel do STTI e flutuou de volta à cadeira. As implicações daquela avaria poderiam ser dramáticas se estivesse longe da Terra, mas poderiam ser insignificantes se estivesse relativamente perto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que teria de utilizar o STTA para regressar à Terra e que isso implicaria viajar para o futuro. Mas se estivesse relativamente perto, a alguns dias ou mesmo meses-luz, distância suficiente para o Sol não parecer muito diferente de qualquer outra estrela, essa viagem no tempo seria relativamente curta e, portanto, sem impacto significativo. Se estivesse longe...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De nada lhe adiantava entrar em desespero, não só porque o desespero em nada o ajudaria, mas também porque não gostava de se preocupar em vão com situações hipotéticas. Antes de mais era urgente saber onde estava e para isso teria de instruir o computador para que executasse o programa de localização.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Censurou-se por não ter iniciado o programa de cálculo mais cedo. Poderia ter poupado alguns minutos de incerteza… Sentou-se de novo na cadeira e apertou o cinto para evitar ser empurrado para fora dela à medida que se fosse movimentando para introduzir no computador as instruções necessárias à execução do programa de cálculo da posição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com as instruções dadas recostou-se na cadeira para esperar pelos resultados e percorreu mentalmente os procedimentos que teria de executar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O cálculo da posição era um processo moroso que envolvia cálculos e processamentos complexos, por isso sabia que tinha cerca de oito a dez minutos de espera. O computador teria de analisar várias fotos tiradas pelas câmaras existentes no exterior da nave, comparando-as com os padrões conhecidos de várias constelações de estrelas, e comparando o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spectrum"&gt;espectro luminoso&lt;/a&gt; de cada estrela fotografada com o espectro conhecido de um conjunto de estrelas de referência. Depois de identificadas várias estrelas, em função da posição relativa de cada uma dessas estrelas, calcularia, então, a posição aproximada do local no espaço onde se encontravam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Este primeiro cálculo não era muito exacto, tipicamente com uma margem de erro de cerca de dez por cento, mas serviria para saber se estava muito longe. No entanto, para usar o sistema de teletransporte teria de determinar com maior precisão a sua localização e a sua velocidade relativa. Naturalmente, num universo sem coordenadas absolutas e onde tudo tem de ser medido em relação a um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Frame_of_reference"&gt;referencial&lt;/a&gt;, a programação das &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Coordinate_system"&gt;coordenadas&lt;/a&gt; de destino no sistema de teletransporte teria de ser feita com o conhecimento da posição, tão exacta quanto possível, em relação ao destino pretendido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para saber com maior exactidão a sua posição, teria de usar o sistema de teletransporte para se deslocar para um local a algumas horas-luz de distância. Neste novo local a repetição da análise das posições das estrelas, em conjunto com a informação anteriormente recolhida e o cálculo por &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Triangulation"&gt;triangulação&lt;/a&gt;, permitiria determinar com bastante precisão a posição em que se encontrava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois, para saber aproximadamente a velocidade, teria de esperar algumas horas e então repetir a análise estelar. O cálculo da diferença de posições permitiria determinar a velocidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não querendo que o seu pensamento se arrastasse para a possibilidade de se encontrar demasiado longe da Terra, olhou pela janela para o exterior da nave. Vieram-lhe à memória os seus tempos de criança quando o pai o levava para o campo, em noites escuras de verão, para se deitarem no chão e ficarem ali a contemplar o céu e a contar &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Falling_star"&gt;estrelas cadentes&lt;/a&gt;. Sabia que não poderia ver estrelas cadentes neste local, mas a intensidade e o número daqueles pontos brilhantes era muito mais grandioso que qualquer imagem que tinha guardada como memória daquele tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apagou a luz da cabina, desligou o monitor do computador, libertou-se da cadeira e encostou a testa ao vidro da janela. Por momentos, naquela quase completa escuridão, com o corpo livre e sem peso, e com o campo de visão completamente preenchido com aquela paisagem estelar, sentiu uma sensação indescritível... como se aquele lugar existisse apenas para ele... como se fosse um insignificante grão de poeira cósmica...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nem se deu conta de quanto tempo tinha ficado ali, completamente imóvel com o campo de visão rodando muito lentamente acompanhando um muito ligeiro movimento de rotação da nave sobre si própria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como que acordado de um sonho, voltou de novo a atenção para o computador e, segurando-se à cadeira, ligou o ecrã. Pouco depois a imagem mostra-lhe a sua localização em &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Polar_coordinate_system"&gt;coordenadas polares&lt;/a&gt;, constituída por dois valores angulares e um valor de distância, uma distância de duzentos e sessenta e oito vírgula sete anos-luz...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/02/o-viajante-parte-iv.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5583770261509760408?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5583770261509760408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5583770261509760408&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5583770261509760408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5583770261509760408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html' title='O viajante – parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1344713459692630311</id><published>2009-01-19T02:54:00.005Z</published><updated>2009-01-25T01:44:42.506Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html"&gt;O viajante – Parte I&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;"Erro no Sistema de Teletransporte Instantâneo". Esta mensagem dizia-lhe exactamente aquilo que ele já tinha percebido por si só, o sistema de teletransporte tinha tido uma falha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tinha essa capacidade de manter a calma, mesmo nas situações mais complexas, por isso mesmo tinha sido escolhido para aquela missão. A situação podia ser muito séria, ou tudo podia não passar de uma pequena anomalia que facilmente se poderia solucionar, por isso respirou fundo e dirigiu a sua atenção para o computador. Acedeu à área de testes e deu instruções para a execução das rotinas de teste e diagnóstico do sistema de teletransporte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto esperava pelos resultados foi pensando nas possíveis razões para a situação em que se encontrava. Desde que haviam sido descobertos e divulgados os mecanismos de base do teletransporte, ele tinha-se empenhado em compreender o seu funcionamento, e tinha mesmo integrado a equipa de cientistas que tinha concebido e construído os primeiros protótipos. O sistema que fora colocado nesta nave não era muito diferente desses primeiros protótipos, além disso, como parte integrante do seu treino, ele tinha estudado exaustivamente todos os sistemas colocados a bordo. Esses conhecimentos poderiam revelar-se, agora, muito preciosos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os sistemas de teletransporte tinham sido descobertos há pouco mais de quatro anos por duas equipas independentes de cientistas. Estas equipas tinham descoberto, de forma totalmente independente, dois fenómenos físicos distintos que permitiam, cada um deles, a possibilidade de transportar matéria de um local no espaço para outro local distinto, sem a necessidade de percorrer o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Space"&gt;espaço tridimensional&lt;/a&gt; entre esses dois locais. Curiosamente nenhum destes sistemas seguia as linhas de investigação que, até então, a ciência e a ficção científica &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Teleportation"&gt;vinham explorando&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apesar de terem sido descobertos quase em simultâneo, os dois sistemas eram completamente distintos. O primeiro, conhecido como Sistema de Teletransporte Instantâneo (STTI), permitia o transporte quase instantâneo de matéria entre dois locais, no entanto era bastante complexo e exigia a utilização de dispositivos de alta tecnologia, combinados numa máquina pesada e volumosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O segundo sistema de teletransporte, conhecido por Sistema de Teletransporte Adiado (STTA), era consideravelmente mais simples que o primeiro, no entanto a sua utilização obrigava a que uma viagem no espaço fosse também acompanhada por uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Time_travel"&gt;viagem no Tempo&lt;/a&gt;. Um viajante que utilizasse este sistema poderia ser transportado de um local no espaço para outro, mas enquanto para ele essa viagem seria praticamente instantânea, para um observador externo ela demoraria algum tempo. Este tempo dependia de vários factores de difícil contabilização, como a quantidade e a natureza da matéria a teletransportar, ou as intensidades dos campos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Magnetic_field"&gt;magnéticos&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gravitational_field"&gt;gravíticos&lt;/a&gt; dos pontos de origem e de destino, podendo variar, aproximadamente, entre um terço e um vigésimo do tempo necessário para um raio de luz percorrer o espaço entre os dois pontos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esta característica estava a despertar um grande interesse de algumas empresas pelos STTA. Pretendiam utilizar sistemas destes para oferecer aos seus clientes uma forma de viajar para o futuro, permitindo-lhes, a troco de uma avultada soma de dinheiro, a possibilidade de ‘saltarem’ para o futuro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A nave em que se encontrava estava equipada com os dois sistemas de teletransporte. O STTA fora incluído pelo facto de não ser muito complexo e de, ao contrário do STTI, ocupar pouco espaço, proporcionando ao astronauta uma forma alternativa de regresso à Terra no caso de uma falha não recuperável no STTI.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto continuava à espera dos resultados do programa de testes e diagnóstico, olhou pelas janelas à procura de um ponto mais brilhante que lhe indicaria a proximidade de uma estrela, desejavelmente do Sol, mas a sua busca foi interrompida por mudanças no ecrã do computador. O programa de testes e diagnóstico indicava-lhe uma falha num dos componentes mais sensíveis do complexo sistema de teletransporte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desapertou os cintos de segurança que o seguravam à cadeira e flutuou para a parte de trás da nave até um painel marcado com STTI. Rodou dois manípulos, abriu o painel e entrou dentro de um compartimento lotado com complexos dispositivos, interligados por um emaranhado de cabos e tubos. Do lado direito, um pouco acima da sua cabeça, o dispositivo que o computador identificara estava visivelmente danificado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não teve dúvidas de que não tinha como reparar aquela avaria. Onde quer que estivesse, não poderia contar com aquele sistema para voltar à Terra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-iii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1344713459692630311?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1344713459692630311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1344713459692630311&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1344713459692630311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1344713459692630311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html' title='O viajante – parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-2496406636668982866</id><published>2009-01-11T02:48:00.004Z</published><updated>2009-01-26T10:46:41.394Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O viajante'/><title type='text'>O viajante – parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Estava sem palavras enquanto olhava para aquele planeta deslumbrante. Já antes tinha visto imagens daquele mesmo planeta, obtidas pelas sondas que o tinham precedido, mas estar ali e poder vê-lo com os seus próprios olhos, ainda que a uma distância de quase um milhão de quilómetros, era uma experiência indescritível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um súbito chamamento do computador de bordo fê-lo voltar à realidade. Esta não era uma viagem de passeio, ainda tinha um rigoroso programa de tarefas a executar e, ao contrário do que gostaria, não podia ficar ali parado a apreciar a paisagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O computador pedia-lhe autorização para iniciar o teste exaustivo a todos os sistemas da nave. Sabia que ele próprio estava incluído nesses testes, e sabia que se não se despachasse a dar a autorização pretendida o computador entraria num modo de contingência executando um conjunto de tarefas, previamente programadas antes da partida, e que deveriam levar a nave imediatamente de volta à &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Earth"&gt;Terra&lt;/a&gt;. Apressou-se, por isso, a tocar no ecrã, dando a desejada ordem para retomar o curso normal de actividades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que teria de responder a algumas perguntas feitas pelo computador e que as suas respostas, juntamente com os resultados dos testes aos restantes sistemas da nave e a um sem fim de registos de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Telemetry"&gt;telemetria&lt;/a&gt;, seriam gravadas na memória de uma pequena cápsula que seria deixada ali mesmo, em órbita com aquele planeta gigante. Caso alguma coisa corresse mal e ele não conseguisse regressar à Terra, seriam enviadas sondas para recuperar aquela cápsula a fim de diagnosticar as eventuais causas de um acidente, incluindo a possibilidade de ele próprio não se encontrar no pleno exercício das suas faculdades físicas ou intelectuais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tinha também preparado algumas palavras de circunstância para assinalar a ocasião, as quais ficariam também gravadas. Nada que se assemelhasse às palavras, também de circunstância, que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong"&gt;Neil Armstrong&lt;/a&gt; havia proferido no momento do seu primeiro passo na superfície lunar, pois ele nunca fora muito bom com as palavras, mas que, ainda assim, lhe pareciam apropriadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois de feitas as perguntas, dadas as respostas e proferidas as palavras de circunstância, vê a cápsula ser libertada e passar lentamente em frente à janela de vigia à sua esquerda, numa silhueta escura em forte contraste com o colorido das nuvens do planeta ao fundo. A forma ovalada e escura da cápsula contrasta com a forma perfeitamente redonda de um pequeno satélite natural e da sua sombra, também redonda, projectada nas nuvens do planeta ligeiramente abaixo do equador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Faltavam agora menos de dois minutos para que fossem activados os sistemas que o levariam de volta à Terra. Dedicou aquele tempo à contemplação daquela paisagem que sabia ser muito improvável poder voltar a ver. Tomou de novo consciência da importância daquela missão, do que representava para a humanidade, para a exploração espacial e para ele em particular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que tinha garantido o seu lugar nos livros de história como o primeiro homem a ser &lt;a href="http://www.daviddarling.info/encyclopedia/T/teleportation.html"&gt;teletransportado&lt;/a&gt; para um lugar longe da Terra, o primeiro homem a estar a mais de trezentos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Light-Year"&gt;anos-luz&lt;/a&gt; de casa, contornando os obstáculos impostos à exploração espacial pela impossibilidade de viajar a velocidades superiores ou próximas da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_of_light"&gt;velocidade da luz&lt;/a&gt;, resultantes da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Special_theory_of_relativity"&gt;teoria da relatividade&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Albert_Einstein"&gt;Albert Einstein&lt;/a&gt;. Era verdade que antes dele várias sondas não tripuladas tinham feito viagens daquele tipo, e que depois das sondas não tripuladas se tinha seguido um pequeno macaco, ele sim digno das honras do primeiro ser vivo a ser teletransportado. Mas também a cadela &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Laika"&gt;Laika&lt;/a&gt; fora o primeiro ser vivo a viajar para o espaço e no entanto foi &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gagarin"&gt;Yuri Gagarin&lt;/a&gt; quem ficou com as honras de primeiro herói espacial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O computador de bordo assinala-lhe o início dos procedimentos para o teletransporte de regresso. Ao contrário do primeiro teletransporte, que o tinha levado directamente de uma sala do centro especial para aquele local, a viagem de regresso tinha de ser feita para uma órbita acima da Terra, pois a margem de erro na escolha precisa do local de destino, especialmente àquela distância, não permitia que o regresso fosse feito directamente para o local de onde havia partido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Alguns ruídos surdos, uma ligeira vibração na nave e depois tudo volta a estar calmo. Assim tão simples, numa breve fracção de segundo e estava de volta. Olhou pelas várias janelas e para os vários monitores que lhe transmitiam imagens captadas por câmaras no exterior, e que lhe permitiam ter uma visão total à volta da nave, mas não conseguiu encontrar a Terra ou o Sol... Todas as imagens lhe mostravam os típicos pontos de luz das estrelas, mas sem quaisquer sinais da Terra, do Sol ou daquele deslumbrante planeta. Subitamente no ecrã do computador acende-se uma enigmática mensagem de erro…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-ii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-2496406636668982866?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/2496406636668982866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=2496406636668982866&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2496406636668982866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2496406636668982866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2009/01/o-viajante-parte-i.html' title='O viajante – parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-2326642830421774607</id><published>2008-12-18T11:42:00.001Z</published><updated>2008-12-18T11:42:01.773Z</updated><title type='text'>Questões de Calendário</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;p class='MsoNormal'&gt;Apenas uma convenção… sim, é apenas uma convenção, como tantas outras, esta forma de medir o &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Time'&gt;tempo&lt;/a&gt;. Mas medir o tempo é importante, e é necessário, por isso é perfeitamente natural que se use para esse efeito, como uma das unidades base, o tempo que a &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Earth'&gt;Terra&lt;/a&gt; demora a completar uma volta em torno do &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Sun'&gt;Sol&lt;/a&gt;. Apesar de a noção de &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Year'&gt;Ano&lt;/a&gt; ser muito anterior à descoberta do movimento de &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Planetary_orbit'&gt;translação&lt;/a&gt; da Terra em torno do Sol, a verdade é que os vários &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Calendar'&gt;calendários&lt;/a&gt; criados pelo homem quase sempre se basearam no ciclo repetitivo das estações e, consequentemente, estão associados a esse movimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class='MsoNormal'&gt;Esta definição, aparentemente simples, implicou, no entanto, várias dificuldades desde os primeiros calendários até ao &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Gregorian_calendar'&gt;Calendário Gregoriano&lt;/a&gt; que utilizamos actualmente. Estas dificuldades resultaram do facto de o tempo necessário para a Terra percorrer uma órbita completa em torno do Sol não se poder medir num número inteiro de dias. Mais concretamente, o &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Year#Sidereal.2C_tropical.2C_and_anomalistic_years'&gt;Ano Tropical&lt;/a&gt; tem uma duração de 365,24218967 dias, ou 365 dias 5 horas 48 minutos e um pouco mais de 45 segundos. Este facto levou à necessidade da introdução de &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Leap_year'&gt;anos bissextos&lt;/a&gt; como forma de compensar a diferença.&lt;/p&gt;  &lt;p class='MsoNormal'&gt;No entanto, apesar destas correcções, e devido ao facto de o período orbital da Terra &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Gregorian_calendar#Accuracy'&gt;não ser constante&lt;/a&gt;, existe a necessidade de, ocasionalmente, introduzir &lt;a href='http://en.wikipedia.org/wiki/Leap_second'&gt;correcções adicionais&lt;/a&gt;. Nesse sentido o ano de 2008 terá um &lt;a href='ftp://hpiers.obspm.fr/eop-pc/bul/bulc/leap_second.txt'&gt;segundo adicional&lt;/a&gt;, acrescentado nos instantes finais que antecedem a passagem para 2009. Por isso quando fizerem a contagem decrescente de despedida de 2008 e boas vindas de 2009, não se esqueçam de contar da seguinte forma: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um, um, ZERO!&lt;/p&gt;  &lt;p class='MsoNormal'&gt;Já agora, seguindo as convenções do Calendário Gregoriano, o &lt;a href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/'&gt;Cantinho dos Devaneios&lt;/a&gt; faz hoje exactamente um ano, o que, tendo sido 2008 um ano bissexto, equivale a 366 dias. Não que isso tenha alguma especial importância, apenas a consequência de uma convenção…&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-2326642830421774607?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/2326642830421774607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=2326642830421774607&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2326642830421774607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2326642830421774607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/12/questes-de-calendrio.html' title='Questões de Calendário'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1418465901275298440</id><published>2008-12-15T15:12:00.003Z</published><updated>2008-12-15T15:17:52.722Z</updated><title type='text'>Pequenos prazeres</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;A vida é feita de pequenos prazeres. São estes que, em grande medida, nos fazem felizes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Por esta razão este Cantinho tem agora um novo vizinho, o &lt;a href="http://cantinhodospequenosprazeres.blogspot.com"&gt;Cantinho dos pequenos prazeres&lt;/a&gt;, que aguarda a vossa visita.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1418465901275298440?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1418465901275298440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1418465901275298440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/12/pequenos-prazeres.html' title='Pequenos prazeres'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-330895838401803372</id><published>2008-12-14T18:13:00.006Z</published><updated>2008-12-15T15:24:18.929Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quatro pontos brancos'/><title type='text'>Quatro pontos brancos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 202px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/SUVNdTVhJNI/AAAAAAAAAB0/p-tytuDzSXI/s320/viagem-1.png" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="margin: 1pt 10px 10px 0pt; width: 189px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/SUVNpd95_7I/AAAAAAAAAB8/MIhUmzAC9hk/s320/viagem-2.png" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;No dia em que apresentou o livro em Lisboa, no CCB, o autor referia-se, a certa altura, à grave doença que o atormentou entre fins de 2007 e início de 2008.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Numa das piores fases da doença lembra-se de te visto quatro pontos brancos. Não, não eram pontos de luz, apenas pontos brancos, quatro pontos brancos em forma de um quadrilátero irregular. Coloca as mãos à sua frente, a cerca de 20 a 30 centímetros uma da outra, com o indicador e o polegar apontando a audiência e formando os contornos da letra ‘C’, os polegares por baixo e os indicadores em cima, com a distância entre os polegares maior que a distância entre os indicadores, formando, com as pontas daqueles quatro dedos, uma réplica do tal quadrilátero irregular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Não sei porquê, nem qual o significado, mas soube que era eu naqueles quatro pontos.” Não terão sido estas, exactamente, as palavras utilizadas pelo autor, que a memória já muitas vezes me atraiçoa, mas foi esta a ideia transmitida. Quatro pontos brancos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na dedicatória do livro pode ler-se “&lt;i style=""&gt;A Pilar, que não deixou que eu morresse&lt;/i&gt;”. Obrigado Pilar!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-330895838401803372?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/330895838401803372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=330895838401803372&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/330895838401803372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/330895838401803372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/12/quatro-pontos-brancos.html' title='Quatro pontos brancos'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/SUVNdTVhJNI/AAAAAAAAAB0/p-tytuDzSXI/s72-c/viagem-1.png' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1808336192862675439</id><published>2008-12-04T14:27:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:17:53.569Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Coleccionador'/><title type='text'>O Coleccionador – parte V</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O Coleccionador – &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iv.html"&gt;parte IV&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ligou a máquina no modo de visualização e o mostrador iluminou-se com a última foto que tinha tirado. Não, não queria ainda ver a última, gostava de rever as fotos pela ordem em que tinham sido tiradas, por isso pressionou mais alguns botões e começou a passar as fotos uma a uma.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A mulher que sobe apressadamente a avenida, o condutor que gesticula em protesto contra outro condutor, a mulher que corre carregada de sacos para apanhar o autocarro…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Senhora Amélia Antunes, gabinete três…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… a professora que lidera uma fila indiana de crianças, a fila indiana, a criança reguila que teima em sair da fila, a outra professora que fecha a fila indiana, o homem que faz sinal a um táxi, o sem abrigo que dorme indiferente num dos bancos de jardim que ladeiam a avenida…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Senhora Joana Mendonça, gabinete um…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… dois adolescentes que falam animadamente e sem pressa de chegar a casa, o arrumador de carros que faz sinal junto a uma interrupção no contínuo de carros estacionados, o condutor que meio dentro do carro buzina para que lhe venham desimpedir o caminho de saída do local onde estacionou…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Repentinamente um clarão inundou a sala de espera. Levantou os olhos em direcção à porta de entrada a tempo de ver a silhueta fugaz de um homem que, no corredor do lado de fora da sala, inicia o percurso em direcção à saída do consultório. Reconhece naquela silhueta a mesma cara que ao longo dos últimos dias vira inúmeras vezes nas onze fotos que aquele software tinha identificado no computador de casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Num impulso meteu a máquina fotográfica na mochila e correu em direcção à porta. Estranhou o facto de a mulher sentada dois lugares à sua esquerda também se ter levantado e correr atrás dele, mas para já a sua preocupação era apenas a de alcançar aquele homem. Atravessou a sala, percorreu o corredor em direcção à porta de saída do consultório, galgou os dois lanços de escadas que o separavam da saída do prédio e deteve-se no passeio da avenida. Apenas uma fracção de segundo depois a mulher imobilizou-se ofegante à sua esquerda, enquanto ambos olhavam para um lado e para o outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“Ali!...” disse ele em voz alta, na certeza de que a mulher procurava exactamente o mesmo que ele. Correram os dois pela avenida acima em perseguição daquela figura que se afastava num passo apressado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao chegar perto do homem gritou-lhe “Espere!” e pegou-lhe no braço esquerdo, fazendo com que ele se virasse.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pararam os três encarando-se e medindo-se mutuamente. Ficaram ali imóveis durante alguns segundos, o homem com ar sereno, à espera, e eles os dois ainda ofegantes da perseguição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Percebendo que era a ele que cabia quebrar aquele impasse, fez uma última inspiração profunda e perguntou “Diga-me, o que foi fazer ali ao consultório? Também é coleccionador de caras?...”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem olhou para os dois e sorriu. Retirou a pequena máquina fotográfica do bolso, carregou em alguns botões e virou-a de forma a mostrar-lhes a imagem onde os dois apareciam sentados na sala de espera. “Não, não sou coleccionador de caras nem de nomes, sou coleccionador de coleccionadores… e hoje apanhei dois de uma só vez!” Virou as costas e seguiu avenida acima no mesmo passo apressado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fim&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1808336192862675439?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1808336192862675439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1808336192862675439&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1808336192862675439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1808336192862675439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/12/o-coleccionador-parte-v.html' title='O Coleccionador – parte V'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-515444854639141318</id><published>2008-11-28T23:38:00.004Z</published><updated>2008-12-15T14:17:36.968Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Coleccionador'/><title type='text'>O Coleccionador – parte IV</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O Coleccionador – &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;,&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte III&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrou na sala de espera e olhou à volta à procura do local mais reservado. Era a primeira vez que estava naquele consultório, por isso olhou a toda a volta para se aperceber do espaço. Identificou rapidamente o lugar ideal. Por baixo do local onde a televisão estava pendurada havia várias cadeiras livres e isoladas. Era exactamente o que procurava, um local onde poderia tomar as suas notas sem se sentir observada pelas pessoas à volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao passar pela mesa no centro da sala pegou numa revista ao acaso. Não que se interessasse por aquele tipo de leitura, mas pelo disfarce que a revista lhe poderia proporcionar se achasse que alguém a observava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Poderia ter trazido um livro de casa para aquele mesmo objectivo, mas quando lia gostava de se abstrair por completo do mundo à sua volta e de entrar na narrativa, como se fosse uma personagem invisível da mesma. Não, a leitura não era compatível com o que ia fazer àquele sítio, pois impedi-la-ia de prestar atenção aos nomes anunciados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Daquele lugar não poderia assistir ao programa que passava na televisão, mas também não estava interessada em assistir aos concursos onde gente estúpida, era assim que qualificava aquelas pessoas, vinha mostrar a sua ignorância, nem ao humor barato dos apresentadores, ou à música sem gosto dos artistas convidados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há muito que se convencera pertencer à restrita minoria dos que abominavam aquele tipo de programação, da mesma forma que pertencia à ainda mais restrita minoria das pessoas que sentem prazer nas coisas mais simples e insignificantes. Estava plenamente convencida de que ela era uma das poucas excepções que confirmavam as regras formatadas e estereotipadas da sociedade onde tinha a infelicidade de viver. Estava só, mas já se tinha resignado a essa condição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Preparou o caderno de apontamentos, pegou no lápis e escreveu a data e o local no topo de uma folha limpa, do lado direito do caderno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ainda não tinha acabado de escrever a data quando, pelo sistema sonoro, uma voz feminina fez o primeiro chamamento, na mesma voz monocórdica que já se tinha habituado a encontrar nestes locais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Senhor Joaquim Soares, gabinete dois…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um homem entrou na sala e olhou na direcção dela. Desviou o olhar e puxou a revista que tinha apanhado da mesa para cima do caderno e começou a folheá-la. Após alguns breves segundos o homem atravessou a sala e foi sentar-se perto dela, deixando uma cadeira vazia entre eles. Preferia estar sozinha, mas achou que a curta distância que os separava seria suficiente para não se sentir incomodada. Talvez também ele pertencesse àquela mesma restrita minoria… Ficou a observá-lo pelo canto do olho, fingindo prestar atenção à revista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao vê-lo abrir a mochila imaginou, por momentos, que o veria tirar um caderno de notas e um lápis, e depois escolher uma página limpa do lado direito do caderno para escrever o local e a data… mas não, da mochila saiu uma máquina fotográfica. Não percebia muito de fotografia, nem de equipamento fotográfico, mas pareceu-lhe tratar-se de uma máquina sofisticada. Depois viu-o ligar a máquina e olhar para o mostrador electrónico onde se foram sucedendo imagens que ela não conseguiu distinguir.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal" align="center"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrou na sala de espera do consultório e olhou à volta. Estranhou ver uma pessoa sentada na cadeira que ele próprio costumava escolher sempre que aqui vinha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vinha a esta consulta duas ou três vezes por ano para fazer o acompanhamento daquele seu problema crónico. Não que este problema o incomodasse com essa frequência, mas porque em matéria de saúde há muito que decidira viver de acordo com o princípio de que mais vale prevenir que remediar. Sabia a que sofrimento estaria sujeito se o problema se manifestasse, por isso aqui vinha regularmente duas vezes por ano, ou sempre que algum sintoma o deixava desconfiado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que teria de esperar bastante pela sua vez de ser atendido, apesar de ter chegado pontualmente na hora para que tinha a consulta marcada. Nunca conseguira entender este fenómeno dos consultórios… porque razão se marcava uma hora se depois nunca era cumprida!?... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Aquele lugar, ocupado por aquela mulher, era, de facto, o lugar que ele preferia. Mas os outros lugares ao lado daquele eram igualmente bons, por isso dirigiu-se para uma cadeira dois lugares à direita daquela mulher que entretanto tinha desviado o olhar para uma revista puxada de baixo de um caderno de notas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhou para ela enquanto atravessava a sala, interrogando-se se, tal como ele, também ela abominava o tipo de programação das televisões, ou se teria escolhido aquele lugar para poder adiantar algum trabalho ou, quem sabe, para escrever no diário o resumo das mágoas e dos prazeres daquele dia que se aproximava do fim. Talvez fosse isso, e talvez fosse essa a razão pela qual tinha puxado daquela revista, procurando esconder de olhos potencialmente indiscretos as secretas frases escritas no diário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não queria ser indiscreto, nem estava minimamente interessado no que ela pudesse querer escrever, por isso abriu a mochila e retirou a máquina fotográfica. Não, não pretendia fazer fotos ali naquele local, em primeiro lugar porque não conseguiria passar despercebido e em segundo lugar porque as condições de luz da sala de espera o obrigariam a utilizar o flash, e ele sempre detestara aquela súbita explosão de luz artificial. Não, o objectivo era, simplesmente, o de rever as fotos acabadas de fazer naquela grande avenida, em frente ao consultório.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Naquele dia o patrão estava fora, em viagem de negócios, e o volume de trabalho na empresa não o atormentava especialmente, por isso tinha decidido sair um pouco mais cedo para, antes da hora marcada para a consulta, poder fazer algumas fotos naquele local onde, àquela hora, uma multidão de gente passava apressada no caminho para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/12/o-coleccionador-parte-v.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-515444854639141318?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/515444854639141318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=515444854639141318&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/515444854639141318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/515444854639141318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iv.html' title='O Coleccionador – parte IV'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6439337607338472738</id><published>2008-11-24T10:44:00.004Z</published><updated>2008-12-15T14:17:15.621Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Coleccionador'/><title type='text'>O Coleccionador – parte III</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;i style=""&gt;O Coleccionador – &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt; e &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-ii.html"&gt;&lt;i style=""&gt;parte II&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrou na sala de espera e sentou-se a um canto. Depois preparou o caderno de apontamentos, pegou no lápis e escreveu a data e o local no topo de uma folha limpa, do lado direito do caderno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Desde pequenina que nunca gostara de começar assuntos novos nas páginas do lado esquerdo de um caderno. Não que preferisse o lado direito ao esquerdo, mas simplesmente porque não gostava de começar assuntos novos nas costas da folha onde já havia assuntos anteriores. Muitas vezes tinha ouvido os protestos da mãe por causa daquele tipo de desperdícios “&lt;i style=""&gt;Não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar!... pensas que cavamos o dinheiro?!&lt;/i&gt;”. Ainda tentou explicar, mas o único que conseguiu foi um taxativo “&lt;i style=""&gt;Se tens espaço livre tens de o usar! Quando ganhares o teu próprio dinheiro logo fazes como te apetecer!”&lt;/i&gt;. E assim tinha acontecido, desde que saíra da casa dos pais que se permitia este pequeno desperdício, esta violação da sua rigorosa consciência ecológica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pelo sistema de som da sala de espera ouve-se uma voz feminina em tom monocórdico:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Senhor Joaquim Gomes, Senhor António Parente, Senhora Dona Ana Marques, Senhor Manuel Gaspar, Senhora Dona Arminda Aires, dirijam-se à sala de triagem…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tomou nota dos nomes, sem esquecer o “Senhor” e a “Senhora Dona”. Esboçou um breve sorriso pelo facto de os Senhores não terem o direito de ser Dons.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há vários anos que tinha este hábito de frequentar salas de espera, apenas para poder ouvir os nomes das pessoas que são chamadas. Nunca tinha entendido a razão deste fascínio pelos nomes anunciados, mas já tinha desistido de tentar encontrar uma explicação, da mesma forma que também já tinha deixado de se achar louca por causa disso. O que importava era que aquilo lhe dava prazer e isso era quanto lhe bastava. E deste seu prazer nada de mal poderia resultar, quer para ela quer para qualquer outra pessoa, por isso há muito que tinha deixado de se sentir culpada ou envergonhada consigo própria, embora sempre tivesse escolhido manter aquele segredo apenas para ela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, não lhe bastava tomar conhecimento dos nomes, pois se fosse esse o caso bastaria abrir uma lista telefónica ao acaso. Não, os nomes tinham de ser pronunciados por alguém, anunciados em voz alta, expostos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Menina Joana Melo, gabinete de pediatria, Senhor Rui Peres, sala quatro…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Este fascínio tinha começado quando era ainda uma adolescente, num dia em que a mãe a levou ao hospital para fazer um curativo num corte que, na sua inexperiência em matéria de tarefas domésticas, tinha feito enquanto descascava umas batatas para o jantar. Ali na sala de espera a enfermeira de bata branca, que de tempos a tempos vinha à sala para chamar três ou quatro nomes, tinha-a feito esquecer as dores do corte e o mau humor da mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas só anos mais tarde, numa ocasião em que teve de ir a um tribunal testemunhar a favor do patrão numa disputa com um fornecedor, é que, ao ouvir a chamada à porta da sala de audiências, se decidiu a explorar melhor aquele fascínio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Começou então a frequentar todo o tipo de salas de espera e a tomar nota dos nomes num caderno idêntico aquele que agora tinha em cima do colo. Passou incontáveis horas em hospitais, clínicas, tribunais, conservatórias de registo civil, bancos, etc.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Senhora Dona Margarida Janeiro, Senhor Artur Pereira, Senhora Dona Alice Coelho, Senhora Dona Armanda Lopes, é favor dirigirem-se ao balcão de atendimento central…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A princípio era bastante mais fácil. Não faltavam as salas de espera onde as pessoas eram sempre chamadas pelo nome. Além disso, o exercício da sua actividade profissional levava-a com alguma frequência a serviços públicos onde tinha de esperar pela sua vez antes de ser atendida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nessa altura ainda considerou arranjar um emprego num local daqueles, mas rapidamente desistiu da ideia, não só porque aquele tipo de funções era muito mal pago, mas também porque achou que a atenção dedicada a ouvir os nomes, à medida que fossem sendo chamados, a impediriam de se concentrar no trabalho propriamente dito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Senhora Dona Ana Fernandes, sala dois, Senhora Dona Fernanda Nunes, sala um…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois começaram a aparecer aqueles sistemas de senhas em que as pessoas passavam a ser tratadas como um mero e insignificante número. Até mesmo a voz de chamamento tinha sido substituída por um mostrador electrónico. Detestava aquele tipo de sistemas!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora estava limitada a um reduzido número de locais onde ainda se chamavam as pessoas pelo nome. Além disso, as novas tarefas e as responsabilidades acrescidas que a promoção no trabalho lhe tinha trazido mantinham-na presa ao escritório o dia inteiro. Por isso tinha de se contentar com estas saídas ocasionais ao final do dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… Senhor Jorge Gouveia, Senhor Ricardo Amaral, Senhora Dona Margarida Martins, Senhor Luís Correia, gabinete de triagem…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto escrevia os últimos nomes que a voz tinha anunciado no sistema sonoro, foi interrompida por um clarão. Olhou à volta para ver a origem daquele súbito e fugaz impulso de luz, mas não conseguiu encontrar nada de anormal… Teria sido um relâmpago?... Não, o dia estava completamente limpo… talvez um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Flash_%28photography%29"&gt;&lt;i style=""&gt;flash&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; de uma máquina fotográfica… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não soube explicar porquê, mas naquele preciso instante teve a certeza de que tinha mesmo sido um &lt;i style=""&gt;flash&lt;/i&gt;, e que o alvo fotografado tinha sido ela própria. Sentiu-se incomodada, por isso pegou nas suas coisas, levantou-se e saiu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iv.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6439337607338472738?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6439337607338472738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6439337607338472738&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6439337607338472738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6439337607338472738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iii.html' title='O Coleccionador – parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5004961178166596170</id><published>2008-11-13T12:30:00.005Z</published><updated>2008-12-15T14:17:01.053Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Coleccionador'/><title type='text'>O Coleccionador – parte II</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continuação de &lt;a style="font-style: italic;" href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-i.html"&gt;O Coleccionador – parte I&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficou algum tempo a espiar aquele outro fotógrafo através da objectiva. Não era muito anormal encontrar outros fotógrafos que, tal como ele, gostavam de coleccionar fotos de gente anónima. Não que fosse muito comum, mas já por diversas vezes tinha encontrado outros, e tinha perfeita consciência de que ele não era um caso isolado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca se tinha dado ao trabalho de meter conversa com os outros coleccionadores que foi encontrando do outro lado da objectiva. Na primeira vez em que se deu conta que existiam outros fotógrafos como ele ainda considerou meter conversa, mas rapidamente desconsiderou essa possibilidade… por nenhuma razão em particular, simplesmente porque achou que nada teria a ganhar com esse contacto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por isso, não se surpreendeu com a descoberta deste dia. Limitou-se a fotografa-lo na certeza de que o outro também já o teria fotografado, ou ainda o iria fotografar a ele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… a senhora que tenta, em vão, arrancar o velho da mesa de jogo, um rapaz que bebe água no bebedouro, outro rapaz que passa na sua bicicleta, a menina acabada de cair no charco de água junto ao bebedouro, o homem que espera encostado a um tronco, a mãe que beija o dedo arranhado de onde se perdeu uma gota de sangue…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou no novo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Software"&gt;software&lt;/a&gt; que tinha instalado no computador de casa e que tinha deixado a executar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há algum tempo que acompanhava a evolução daquele programa, desenvolvido por uma vasta &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Collaboration"&gt;comunidade de especialistas&lt;/a&gt; no mundo inteiro, e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Free_software"&gt;disponibilizado livremente&lt;/a&gt; num modelo de &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Open-source_software"&gt;open source&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. No entanto as versões disponíveis até então eram ainda muito rudimentares e, consequentemente, apenas acessíveis a especialistas, classificação na qual ele estava longe de se poder incluir. Mas esta realidade tinha mudado há alguns dias, quando a disponibilização de uma nova versão tinha tornado a instalação e utilização daquele software muito mais fácil e intuitiva.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… a menina que come um gelado, a senhora que dormita no banco de jardim, a mulher que fala exaltada sobre um qualquer problema, o sem abrigo que mendiga uma esmola, o homem mergulhado na história de um livro e completamente abstraído da agitação à sua volta, a menina com a cara suja do gelado, a mãe da menina do charco que a repreende, a menina do charco que choraminga, mais pela repreensão que pela queda…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já por diversas vezes se tinha dado conta que tinha mais de uma foto da mesma pessoa, mas desistira de fazer uma pesquisa mais profunda na sua colecção para identificar mais repetições, pois o elevado número de fotos que tinha tornaria impraticável uma tal tarefa sem a ajuda de alguma forma de automatismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas este novo software, com as suas capacidades para identificar características distintivas em imagens de rostos, e a capacidade para comparar essas características num elevado número de imagens, poderia tornar esta tarefa muito mais fácil. Tinha apenas de esperar o tempo necessário para o programa “digerir” todo aquele grande volume de informação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… a mãe que tenta limpar a cara suja da menina do gelado, o homem que segura o chapéu que o vento lhe quer levar, a menina que tenta fugir ao lenço molhado com que a mãe lhe quer limpar a cara, a mulher que olha o pedinte enquanto deposita uma moeda na mão estendida, a mulher que tenta compor o cabelo que uma breve e suave rajada de vento tenta descompor…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A expectativa de encontrar alguns resultados quando chegasse a casa não o estava a deixar concentrar devidamente, por isso deu por terminada a sessão do dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto arrumava o equipamento na mochila apercebeu-se da câmara do outro fotografo apontada na sua direcção. Sim, aquela seria certamente uma boa altura para o fotografar. Ignorou-o e levantou-se para voltar para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim que entrou em casa dirigiu-se imediatamente, ainda com a mochila nas costas, à secretária onde tinha o computador. Mexeu ligeiramente o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mouse_%28computing%29"&gt;rato&lt;/a&gt; para desactivar o &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Screen_saver"&gt;screen saver&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; e ver os eventuais resultados do programa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Window_%28computing%29"&gt;janela&lt;/a&gt; principal do programa mostra-lhe algumas pastas com resultados, com a indicação do número de fotografias dentro de cada uma das pastas. A sua atenção centra-se numa pasta com a indicação de que contém onze fotografias.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“&lt;i style=""&gt;Onze!?…&lt;/i&gt;” questionou-se em voz alta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Abriu rapidamente a pasta e uma nova janela abriu-se para lhe mostrar as miniaturas das onze fotografias. Depois de as analisar uma a uma, não teve dúvidas em concordar serem da mesma pessoa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-iii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5004961178166596170?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5004961178166596170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5004961178166596170&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5004961178166596170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5004961178166596170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-ii.html' title='O Coleccionador – parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-4744445790248377213</id><published>2008-11-03T01:59:00.004Z</published><updated>2008-12-15T14:16:30.097Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Coleccionador'/><title type='text'>O Coleccionador – parte I</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhou à volta para procurar um local apropriado. Estudou as várias possibilidades, ponderando os ângulos de visibilidade, a proximidade das pessoas, as condições de luz e a discrição que cada local lhe proporcionaria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sim, aquele banco isolado na sombra do pinheiro era um local ideal. Sentou-se e começou a preparar o equipamento. Retirou e esticou o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Monopod"&gt;mono-pé&lt;/a&gt;, montou a lente no corpo da máquina e depois a máquina no mono-pé. Ligou a máquina, fez alguns ajustes e preparou-se para os primeiros disparos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apontou aleatoriamente, ajustando a lente e fez uma primeira &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photography"&gt;foto&lt;/a&gt;. Estudou o resultado no mostrador da máquina para se certificar que tinha escolhido as configurações de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shutter_speed"&gt;velocidade&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aperture"&gt;abertura&lt;/a&gt; apropriadas, depois, satisfeito com o resultado, voltou a apontar a máquina e foi disparando, captando as mais variadas expressões daquela gente anónima.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O homem que entra no parque, o funcionário que cuida de um canteiro, o jovem que corre atrás de uma bola, a mulher que discute com o homem que entra no parque, uma mulher que fala com outra, a mulher que ouve a outra que fala com ela…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há mais de quinze anos que descobrira aquele fascínio pelo rosto humano e pelas suas inúmeras expressões. Tinha começado ainda com a sua velha &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Camera"&gt;máquina analógica&lt;/a&gt;, captando os primeiros instantâneos na &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Film_camera"&gt;película&lt;/a&gt; comprada a metro no fotógrafo vizinho do prédio onde vivia. Recordava com alguma saudade aquele tempo e a excitação e expectativa para ver o resultado, primeiro no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Negative_%28photography%29"&gt;negativo&lt;/a&gt; revelado da película, e depois no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photographic_paper"&gt;positivo impresso&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Agora, com a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_camera"&gt;máquina digital&lt;/a&gt;, tudo era mais simples. Podia ver o resultado quase imediatamente e, dependendo da capacidade do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_camera#Image_data_storage"&gt;cartão de memória&lt;/a&gt;, podia ficar horas e horas a disparar, sem ter de se preocupar com a troca do rolo. Depois, já em casa, a passagem das fotos para o computador abria-lhe todo um novo mundo de possibilidades, tanto no que diz respeito ao arquivo, como ao nível dos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photoshop"&gt;processamentos&lt;/a&gt; que poderia aplicar às imagens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lembrou-se daquele novo software que tinha deixado a executar no computador de casa… teria alguns resultados quando chegasse a casa?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;... a menina de cabelos ao vento no baloiço, um jovem que olha a sua namorada no intervalo entre dois beijos apaixonados, um velho que joga um trunfo na mesa da sueca, uma criança que atira um punhado de areia na direcção de um qualquer monstro imaginário, o pai da menina empurrando o baloiço, uma mãe que ampara o seu filhote enquanto este ensaia os primeiros passos, um beijo apaixonado…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Há muito que deixara de se sentir uma espécie de ladrão, roubando e guardando aquelas breves fracções de segundo. A princípio a falta de uma lente apropriada, obrigava-o a aproximar-se bastante das pessoas, o que normalmente dava origem às mais variadas reacções. Muitas vezes teve de fugir para evitar a fúria dos seus alvos, como se fosse um crime captar e registar aqueles breves raios de luz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca conseguira compreender aquelas reacções. Afinal, os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Light"&gt;raios de luz&lt;/a&gt; que captava com a sua câmara já não pertenciam a ninguém, já tinham abandonado as caras daquelas pessoas em direcção a um qualquer obstáculo, ou em direcção ao infinito. E no entanto as pessoas reagiam como se lhes estivesse a roubar algo muito precioso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Além disso, ele gostava de captar expressões genuínas e naturais, mas as pessoas, ao aperceberem-se de que estavam a ser fotografadas, quando não reagiam violentamente, tinham a irritante tendência de fazer pose, esboçando expressões estereotipadas que eram exactamente o oposto daquilo que procurava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por estas razões tinha investido na compra de uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photographic_lens"&gt;lente&lt;/a&gt; com uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Focal_length"&gt;distância focal&lt;/a&gt; maior, e dera por bem empregue o dinheiro gasto, pois passara a poder fotografar à vontade a uma distância muito maior, à qual ninguém dava por ele e, dessa forma, podia captar as expressões genuínas dos seus alvos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… O pai que chama o filho com as mãos em concha em torno da boca, uma jovem de olhos fechados e auscultadores nas orelhas que aquece ao sol, um bebé que dorme no seu carrinho de rua, um filho que corre fingindo não ouvir o chamamento do pai, um velho que vê a sua manilha cair no ás do adversário de jogo, uma criança que chora a gota de sangue perdida no arranhão, um outro fotógrafo escondido num local sombrio…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-ii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-4744445790248377213?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/4744445790248377213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=4744445790248377213&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4744445790248377213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4744445790248377213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/11/o-coleccionador-parte-i.html' title='O Coleccionador – parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-9210929458556950548</id><published>2008-10-19T01:57:00.003+01:00</published><updated>2008-12-15T14:18:56.781Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase-vida'/><title type='text'>Quase-vida – parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/10/quase-vida-parte-i.html"&gt;&lt;i style=""&gt;Quase-vida – parte I&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O reboque ocupava-lhe agora todo o campo de visão, escondendo-lhe o resto do mundo, escondendo-o do olhar dos que à volta assistiam à cena, no horror de saberem que poderiam ser eles a estar ali naquele mesmo local a enfrentar aquele mesmo destino mas, ao mesmo tempo, aliviados por lhe terem escapado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então, repentinamente, a imagem do reboque desapareceu dando lugar à imagem de um caixão, despido de quaisquer símbolos religiosos, que dois desconhecidos deixam deslizar, com o auxílio de cordas, para dentro de um buraco aberto no chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A imagem desloca-se agora um pouco, mostrando uma mulher de joelhos, abraçada a três crianças, numa mancha de luto sobressaindo do verde do relvado. Uma fila de gente que ele não consegue identificar, espera a sua vez para ir, por momentos, aumentar aquela mancha de luto que permanece imóvel e silenciosa no verde do relvado, enquanto os dois desconhecidos se desfazem das cordas para, com o auxílio de uma pá e de uma enxada, começarem a devolver ao buraco aberto no chão a terra arrancada horas antes à força de picareta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A imagem mudou repentinamente. Reconheceu a sala da sua casa, embora o mobiliário e a cor das paredes estivessem diferentes. Pela porta, vinda do corredor, vê entrar na sala a figura de um rapaz. Parece-lhe reconhecer o seu filho mais velho, mas acha-o diferente… percebe então que este não é o filho mais velho, mas sim o irmão, pouco menos de dois anos mais novo. Antes que pudesse perceber o que se estava a passar entra na sala outro rapaz, um pouco mais alto, e no qual reconhece, agora sim, a cara do filho mais velho. Enquanto os dois rapazes se dirigem para o sofá, entra na sala uma figura que reconhece ser da filha, a mais nova dos três, também ela bastante mais crescida do que quando ele a vira pela última vez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto se sentam no sofá ouve a voz do mais velho dizer “Mãe, já arrumamos os quartos, vamos ver um pouco de televisão”. De outro local da casa, uma voz que ele não teve dificuldade em reconhecer responde “Está bem, o almoço está quase…”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Centrou a sua atenção no trio sentado no sofá, deviam ter passado pelo menos dois anos desde o dia daquela outra imagem onde os vira fundidos na mancha de luto sobre o verde do relvado. Mas ao contrário do que tinha visto nessa outra imagem, nesta não havia sinais de tristeza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A imagem da sala desvanece-se para dar lugar a uma sucessão de novas imagens, as quais lhe aparecem em catadupa, apenas pequenos excertos uns a seguir aos outros, pedaços da vida dos filhos ao longo do seu crescimento. À frente dos seus olhos vê passarem-se três vidas, às quais se juntam novas vidas de netos e netas que apenas conhecerão aquele avô através das fotografias gastas no velho álbum de família… Vidas vulgares, mas vidas longas e globalmente felizes…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu-se satisfeito e sem hesitações fechou os olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já em cima da maca, o bombeiro corre o fecho do saco, escondendo aquele corpo acabado de resgatar do amontoado de destroços. Já tinha perdido a conta ao número de corpos que, ao longo de vários anos, ajudara a resgatar de carros acidentados, por isso já há muito que deixara de se impressionar com este tipo de situações. Mas havia alguma coisa diferente neste caso… não sabia bem o quê… voltou a abrir um pouco o fecho, apenas o suficiente para olhar de novo para aquela cara ensanguentada. E foi então que viu, por detrás dos cortes e das manchas de sangue, um sorriso e uma estranha expressão de felicidade. Voltou a fechar o fecho e empurrou a maca para dentro da ambulância.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(com possível continuação… numa outra dimensão…)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-9210929458556950548?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/9210929458556950548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=9210929458556950548&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/9210929458556950548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/9210929458556950548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/10/continuao-de-quase-vida-parte-i-o.html' title='Quase-vida – parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5809085406195467585</id><published>2008-10-06T23:37:00.002+01:00</published><updated>2008-12-15T14:18:34.988Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quase-vida'/><title type='text'>Quase-vida – parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Soube naquele preciso instante que ia morrer. Assim, sem mais, de forma completamente inesperada e ainda tão jovem…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O reboque do camião deslizava, desgovernado, na sua direcção e não tinha como fugir do seu caminho antes de ficar esmagado contra a parede atrás de si. Só um grande milagre o poderia salvar desta situação, mas ele nunca acreditara em milagres, e também não se achava merecedor da misericórdia de algum deus em cuja existência nunca conseguira acreditar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ao menos seria tudo muito rápido, o sofrimento seria muito breve ou, quem sabe, talvez fosse tudo tão rápido que não chegaria a sentir qualquer dor. O sofrimento maior não seria o da dor física, mas o da dor de estar consciente daquele inevitável destino naqueles últimos instantes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sempre desejara morrer assim, de uma forma rápida, sem sofrimento, sem aquela degradação gradual tão típica do envelhecimento e, muito especialmente, sem perda de lucidez. Mas nunca imaginara que a morte chegasse assim tão cedo, ainda com tanta vontade de viver, com tantas lutas para travar e tantos sonhos para realizar…&lt;span style="background: yellow none repeat scroll 0% 0%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou na mulher... que seria dela, de repente com toda a responsabilidade de educar e acompanhar os três filhos órfãos de pai?... “órfãos!”… aquela palavra abateu-se sobre ele esmagando-o com uma força maior que aquela que havia de lhe tirar a vida dentro de breves instantes. Deu-se conta que não poderia acompanhar o crescimento daqueles três pequenos seres que ele amava acima de tudo na vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu uma repentina e intensa raiva! Não era justo! Ele que sempre vivera tão intensamente o papel de pai, via-se assim privado desse papel de uma forma tão abrupta! Que seria deles agora?!...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esforçou-se por relembrar cada detalhe dos últimos instantes em que os tinha visto naquela mesma manhã, há pouco mais de uma hora, quando os deixara à porta da escola.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O reboque estava cada vez mais perto, esgotando aqueles breves instantes que lhe restavam…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estranhou a velocidade com que todos aqueles pensamentos se lhe sucediam no seu cérebro, como se tudo à sua volta se desenrolasse agora em câmara lenta. Talvez fosse mesmo assim, talvez o cérebro, na percepção da proximidade do seu fim, tentasse aproveitar ao máximo os últimos instantes, trabalhando a toda a velocidade. Talvez fosse esta a justificação para as &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Near_death_experience"&gt;experiências de quase-morte&lt;/a&gt; relatadas por pessoas que tendo estado à beira da morte, lhe escaparam por muito pouco e nos últimos instantes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Questionou-se sobre se também ele iniciaria uma viagem por um túnel azul em direcção a uma luz intensa, se se sentiria flutuar acima do seu corpo esmagado, ou se veria &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Life_review"&gt;toda a sua vida passar-lhe em frente aos olhos&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou na estrema inutilidade daquela última possibilidade… de que lhe servia rever a vida que ele próprio tinha vivido, como se não soubesse como a tinha vivido, como se não tivesse sido ele próprio a vivê-la, como se ele não soubesse o que tinha feito bem e o que tinha feito mal… seria bem melhor se pudesse usar esses tão breves, mas preciosos, instantes para rever os filhos. Daria tudo por esta troca! Não daria a vida porque essa já nada valia, mas daria a alma a um qualquer demónio… mas ele nunca acreditara em demónios!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/10/continuao-de-quase-vida-parte-i-o.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5809085406195467585?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5809085406195467585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5809085406195467585&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5809085406195467585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5809085406195467585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/10/quase-vida-parte-i.html' title='Quase-vida – parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3698611136260497243</id><published>2008-09-26T23:11:00.003+01:00</published><updated>2008-12-15T14:20:16.211Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Criação de Deus'/><title type='text'>A Criação de Deus – parte III</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de &lt;i&gt;A Criação de Deus – &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/criao-de-deus-parte-ii.html"&gt;parte II&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chegaram finalmente aquele local onde todos os dias subiam para planear o dia de caça. Dali podiam ver, lá em baixo, uma vasta área onde vários animais costumavam alimentar-se. E dali podiam delinear os planos para matar e levar para a caverna um daqueles animais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E hoje, depois do fracasso da caçada do dia anterior, era especialmente importante conseguirem voltar para a caverna com alguma coisa que os pudesse compensar da fome mal disfarçada com os poucos alimentos reunidos pelas mulheres e pelos jovens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acercou-se do limiar do rochedo e ali se deixou ficar a olhar aquele espaço, enquanto os outros começavam a discutir as melhores formas de prosseguir o dia… também ele costumava participar nestas discussões, mas neste dia, depois dos acontecimentos do dia anterior e dos pensamentos, dúvidas e receios da noite, preferiu ficar ali, de olhar vago, respirando o ar ainda fresco do início do dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vieram-lhe à memória as imagens daquele jovem deitado no chão da caverna… a recordação daquela estranha e dolorosa sensação que o tinha atormentado durante todo o dia e que, sabia-o, em muito tinha contribuído para o fracasso da caçada… a recordação da alegria que sentira quando, ao voltar à caverna, tinha encontrado o jovem já bastante melhor… a noite de guarda… as pequenas luzes no céu escuro… a grande luz que não tinha aparecido nessa noite… a grande luz que trouxera o dia e que agora o aquecia…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estes pensamentos foram interrompidos, não pela acesa discussão atrás de si, mas por uma quase imperceptível movimentação na vegetação lá em baixo. Agachou-se no limite do rochedo para melhor inspeccionar a zona, não que esperasse encontrar ali algum alvo de caça, ou que, ainda influenciado pela sua inesperada tarefa de guarda na noite anterior, temesse uma qualquer ameaça… não havia uma razão em particular, apenas a mais simples das curiosidades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A princípio não conseguiu detectar qualquer indício, mas alguns instantes depois um novo movimento denunciou-lhe o corpo de uma fera, tão fundida com a vegetação que só o movimento a tornou visível. Sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo, não porque temesse um ataque daquela fera, pois sabia bem que nada se atreveria a atacar um grupo tão grande, mas por se tratar de uma fera igual aquela que ele havia enfrentado, há não muito tempo, para defender aquele mesmo jovem, e que quase lhe arrancara um dos braços. Sem se dar conta agarrou o braço, no sítio onde agora havia uma enorme cicatriz, como se tivesse ficado mais intensa aquela mesma dor que sempre o acompanhava e à qual já quase se habituara. Depois, esquecendo de novo a dor do braço, olhou para a pele que lhe cobria o corpo, a mesma pele que antes cobrira o corpo da fera que o atacara e que, desde então, ele fazia questão de usar sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um movimento mais brusco lá em baixo chamou-lhe de novo a atenção… a fera parecia estar a atacar algum animal… olhou melhor e viu, então, uma cria toda encolhida, vergada pelo medo dos dentes bem afiados e pelo rugido da mãe. Não era a primeira vez que assistia a situações destas, em que um animal utilizava a sua força e o seu poder contra a sua própria cria. No seu próprio grupo era frequente os mais velhos fazerem o mesmo em relação aos jovens, e ele próprio já o tinha feito. Lembrava-se também, ainda que vagamente, de várias situações em que ele mesmo, ainda jovem, tinha também sido o alvo deste tipo de comportamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sabia que o objectivo daquela fera não era o de ferir a sua própria cria, muito pelo contrário, sabia que este tipo de situação só poderia ser justificado pelo facto de a cria ter feito algo de errado, e esta era a forma de lhe mostrar isso. Não, o objectivo não era atacar, o objectivo era outro… não sabia bem como classificar este outro objectivo, pois não tinha, no seu ainda rudimentar vocabulário, qualquer palavra que permitisse traduzir correctamente o que estava a ver. Por momentos questionou-se sobre aquele estranho facto de a mesma força poder ser usada tanto para atacar como para aquele outro objectivo, o qual, apesar de não saber como classificar, sabia ser o oposto do primeiro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensou como seria bom se ele próprio continuasse a ter alguém que tomasse conta dele, que o protegesse dos perigos e dos seus medos… alguém ou alguma coisa… ficou ali bloqueado com aquele desejo… não sabia porquê, mas não conseguia pensar noutra coisa… e foi então que teve aquela ideia!... e se houvesse mesmo alguém?... ou alguma coisa?...&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal" align="center"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E foi assim que, pela primeira vez, o homem criou Deus, um Deus à imagem das suas necessidades, das suas dúvidas e dos seus medos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez não tenha sido desta forma… talvez não tenha sido de uma forma muito diferente…&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3698611136260497243?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3698611136260497243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3698611136260497243&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3698611136260497243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3698611136260497243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/09/criao-de-deus-parte-iii.html' title='A Criação de Deus – parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-2737102840347977765</id><published>2008-07-31T00:01:00.003+01:00</published><updated>2008-12-15T14:19:52.639Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Criação de Deus'/><title type='text'>A Criação de Deus – parte II</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;(continuação de &lt;i&gt;A Criação de Deus – &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/criao-de-deus-parte-i_10.html"&gt;parte I&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;)&lt;p&gt;Não sabia porque razão não conseguia adormecer e entrar naquele estranho mundo em que mergulhava todas as noites.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não era o frio que lhe tirava o sono, pois a época do frio já tinha passado e o ligeiro arrefecimento da noite era facilmente derrotado pelas peles que usava para cobrir o corpo. Também não era o calor porque a época do calor ainda estava para chegar e as noites quentes da caverna nunca o eram o suficiente para impedir o descanso. Seria portanto outra a desconhecida razão para a falta do desejado descanso.&lt;/p&gt;Por mais que tentasse fechar os olhos e esvaziar o pensamento, este acabava sempre por arrastá-lo para um outro mundo não menos estranho, um mundo de lembranças, de dúvidas e de medos.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Levantou-se e dirigiu-se à entrada da caverna, onde o companheiro de serviço permanecia atento a todos os movimentos e a todos os ruídos que enchiam a noite, pronto para dar o alarme ao menor sinal de que algum perigo se aproximava. O outro, na surpresa de ouvir de dentro da caverna os ruídos denunciadores de movimentações suspeitas que temia ouvir vindos do lado de fora, voltou-se repentinamente de pau levantado, pronto para enfrentar aquela inesperada ameaça. Ao aperceber-se da silhueta no escuro da caverna baixou o pau e, com um breve urro, voltou a sua atenção de novo para a noite.&lt;/p&gt;Foi colocar-se ao lado do outro, escutando a noite e olhando o escuro do céu e os pequenos pontos de luz que o enchiam. O outro, entendendo neste comportamento uma inesperada rendição do seu turno de guarda, virou-se para dentro da caverna e, com um último urro, entrou e dirigiu-se para o local que normalmente ocupava quando dormia.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ali ficou atento à noite, empenhado na sua nova missão de guarda… olhou de novo o céu recheado daquelas pequenas luzes, algumas mais nítidas, outras quase imperceptíveis, outras ainda que pareciam apagar-se para logo de seguida se voltarem a acender.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tinha aparecido hoje aquela outra luz, maior e mais intensa, que uma vezes aparecia outras vezes não, umas vezes aparecia inteira, outras vezes aparecia diminuída e chegava mesmo a ser apenas uma linha quase imperceptível, como se fosse uma fera escondida à espreita e à espera de saltar em cima de qualquer coisa que passasse por perto e de que pudesse alimentar-se… Não estava nesta noite essa outra luz, ou talvez estivesse escondida, tão escondida que nem mesmo se conseguia ver aquela quase imperceptível linha… estremeceu ao pensar que podia ser ele o observado, que poderia ser ele a preza prestes a ser caçada…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que seria essa estranha luz que hoje não tinha aparecido?... o que seriam todas aquelas outras pequenas luzes?... e o que seria aquela outra luz muito mais forte que levava a escuridão e lhes fazia chegar o dia?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um ruído suspeito nas proximidades da caverna fê-lo abandonar estes pensamentos… escutou um pouco mais… podia ser apenas um pequeno animal insignificante, poderia ser um animal que, depois de caçado, lhes traria alimento, mas a noite escura também podia esconder alguma coisa bastante mais perigosa, por isso não hesitou e começou aos berros, e a bater com paus nas rochas à volta da entrada. Num instante vários outros se vieram juntar ao alarido e várias pedras foram lançadas em todas as direcções. Depois, quase repentinamente, calaram-se de novo para escutarem o súbito silêncio da noite e ali ficaram, também em silêncio, à escuta do mais pequeno e insignificante sinal até que, aos poucos, o ruído da noite foi retomando a normalidade. Na falta de novos sinais ameaçadores, todos foram voltando para os seus lugares de descanso deixando na entrada da caverna o mesmo imprevisto guarda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tardou a voltar aos mesmos pensamentos e às mesmas dúvidas…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/09/criao-de-deus-parte-iii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-2737102840347977765?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/2737102840347977765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=2737102840347977765&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2737102840347977765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2737102840347977765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/criao-de-deus-parte-ii.html' title='A Criação de Deus – parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-8923387471091102876</id><published>2008-07-25T01:08:00.002+01:00</published><updated>2008-12-15T14:19:22.013Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostalgia'/><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Gostaria de já ter colocado aqui a parte II de "A Criação de Deus", mas tem-me faltado o tempo para fazer os últimos ajustes ao texto já escrito (e para pôr alguma leitura em dia). No entretanto deixo aqui uma pequena provocação à amiga RC do blog &lt;a href="http://ageometriadaspalavras.blogspot.com/"&gt;A geometria das palavras&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Nostalgia, no tal dia, do tal dia...&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-8923387471091102876?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/8923387471091102876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=8923387471091102876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/8923387471091102876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/8923387471091102876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/nostalgia.html' title='Nostalgia'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7395392236463456874</id><published>2008-07-10T01:03:00.002+01:00</published><updated>2008-12-15T14:19:40.300Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Criação de Deus'/><title type='text'>A Criação de Deus - parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porque se sentia daquela forma, ali sentado ao lado daquele jovem deitado… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porque o corpo do jovem tremia tanto, como se tivesse frio, apesar de a pele dele estar tão quente e o suor lhe escorrer pelo corpo…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porque estava ele ali deitado, tão imóvel, ele que normalmente era um dos mais activos quando, juntamente com os outros jovens e mulheres, vasculhava o terreno à volta da caverna à procura de alimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia que invisível fera se teria apoderado daquele corpo… vieram-lhe à memória as imagens daquele dia, ainda não muito longínquo, em que se tinha atravessado no caminho entre uma fera e aquele mesmo jovem… Não sabia o que o tinha levado a defende-lo e a enfrentar a fera com uma força que julgava não ter… Não sabia porque era mais dolorosa esta dor que agora sentia que aquela que tinha sentido no braço ferido pelos dentes da fera…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porquê, mas sabia que voltaria a colocar-se entre aquele jovem e uma qualquer fera que o ameaçasse, mesmo que fosse a maior de todas… não sabia porquê, mas sabia que se pudesse tomaria para si esta fera invisível, libertando o jovem das suas garras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia o que o segurava naquela caverna, insensível ao chamamento dos outros, impacientes por iniciar a caçada do dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia o que o tinha feito parar à entrada da caverna para se virar para trás e olhar demoradamente aquele jovem, depois de relutantemente ter cedido ao chamamento dos outros e aos encontrões que um dos mais impacientes viera dar-lhe para que se levantasse… não sabia o porquê daquele medo que dele se apoderou… não sabia porque se lhe enchiam os olhos à medida que lentamente se virava e descia ao encontro dos outros…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia o porquê daquela dor que o acompanhou durante todo o dia pelas sucessivas vãs tentativas para caçar algum animal que pudesse servir de alimento para si e para o resto do grupo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porque se tinha sentido tão feliz quando, ao regressarem da caçada de mãos vazias, e à distância que o seu olhar conseguia alcançar, tinha vislumbrado o jovem sentado junto à entrada da caverna. Não sabia como o desânimo do insucesso da caçada se tinha transformado, tão repentinamente, naquela energia que o tinha feito correr em direcção à caverna.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia porque razão, ainda ofegante da subida apressada pelo amontoado rochoso que separava a planície da entrada da caverna, tinha sentido aquele impulso para tocar e agarrar aquele jovem, para se certificar que já não tremia, que já não estava quente, que já não suava, que aquela fera invisível tinha desistido do seu corpo ou tinha, de alguma forma, sido vencida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia que este ao lado de quem agora se sentava era seu filho, porque não tinha a noção de paternidade, apenas o inexplicável instinto que o impelia a defender a sua herança genética.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não sabia a idade daquele jovem porque, embora tivesse a noção da sucessão das estações, do frio para a chegada das flores, das flores para o calor, do calor para a as arvores despidas de folhas e destas de novo para o frio, não tinha a noção de tempo, e também não saberia como extrapolar à contagem destas passagens o rudimentar uso que fazia dos dedos da mão, aos quais recorria para transmitir aos seus colegas de caça o número de animais presentes num dado local.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/criao-de-deus-parte-ii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7395392236463456874?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7395392236463456874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7395392236463456874&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7395392236463456874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7395392236463456874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/07/criao-de-deus-parte-i_10.html' title='A Criação de Deus - parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7615261343680092174</id><published>2008-06-25T12:45:00.005+01:00</published><updated>2008-12-15T14:20:39.150Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lavagem'/><title type='text'>Lavagem...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentia-a suja, imunda mesmo!... Tinha passado por muitas batalhas, muitas delas perdidas, tinha caído no chão e tinha sido arrastada, espezinhada…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu-se completamente esmagado com o peso de toda aquela sujidade, como se o universo inteiro se tivesse abatido sobre ele e não o deixasse respirar… não, não podia esperar mais!... a lavagem tinha de ser feita rapidamente!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois do jantar esperou que os restantes membros da família se fossem retirando, aos poucos, para o merecido descanso e deixou-se ficar, aguentando o cansaço e o desejo de procurar igual conforto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Esperou um pouco mais para dar tempo a que todos adormecessem. Aquela lavagem era uma tarefa solitária, só dele, um acto do mais elementar egoísmo que não podia ser partilhado nem interrompido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dirigiu-se à estante da sala e retirou um CD, depois dirigiu-se à aparelhagem, colocou o CD no leitor, ligou os auscultadores, puxou uma almofada de uma cadeira próxima e colocou-a no chão junto do móvel da aparelhagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apagou a luz e, no escuro, deitou-se no chão com a cabeça na almofada e colocou os auscultadores. Durante algum tempo deixou-se ficar ali sentindo o silêncio, a escuridão e o conforto do chão duro nas costas. Depois, lentamente, levantou o braço direito e, tacteando pelo leitor, carregou no botão de “&lt;i style=""&gt;Play&lt;/i&gt;”. Esperou pelos primeiros acordes para ajustar o volume e depois baixou o braço colocando-o ao longo do corpo, na perfeita simetria com o braço esquerdo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fechou os olhos. Todos os seus sentidos estavam concentrados naquela música que agora se começava a desenrolar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Menos de um minuto passado desde o início da primeira faixa, a entrada do baixo, logo seguida pela entrada do coro, primeiro com as vozes masculinas e pouco depois com as femininas, provocou-lhe um arrepio que se propagou a todas as partes do corpo. Sentiu as raízes de cada cabelo do seu corpo como se fossem alfinetes espetados na pele.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pouco depois, a entrada da soprano inunda-lhe os olhos. Sente-se flutuar, como se tivesse sido transportado daquela sala e daquele chão para uma outra dimensão. A intensidade de sensações assume proporções cada vez maiores até que o coro, adivinhando a necessidade de uma pausa urgente naquele turbilhão de emoções, se esvai num &lt;i style=""&gt;“et lux perpetua luceat eis”&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas a pausa é curta, ainda mal acabara de recuperar o fôlego e já o &lt;i style=""&gt;“Kyrie eleison”&lt;/i&gt; lhe arrancava de novo a respiração…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Dies irae”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Tuba Mirum”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Rex tremendae”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do lado direito, um primeiro fio, impossível de conter por mais tempo no limitado volume da cavidade ocular, abriu caminho pelo canto exterior do olho, seguindo depois, muito lentamente, em direcção à orelha, passando junto à almofada do auscultador em direcção ao pescoço e perdendo-se no emaranhado de cabelo entalado contra a almofada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez por uma menor produção da glândula lacrimal esquerda, talvez por uma ligeira inclinação da cabeça mais para o lado direito, ou talvez por um maior volume da cavidade ocular esquerda, resultante de alguma imperceptível falta de simetria na anatomia facial, que, como bem sabemos, os dois lados, esquerdo e direito, nunca são exactamente iguais, do lado esquerdo só alguns breves segundos depois escorreu um fio semelhante ao que havia escorrido do direito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu cada milímetro daqueles dois percursos, um após o outro, daquelas duas primeiras lágrimas, lentas e hesitantes, à medida que iam vencendo a resistência imposta pela pele ainda seca. Não, não fez qualquer tentativa para enxugar os olhos ou para limpar os rastos molhados de ambos os lados da cara. Não, aquelas lágrimas tinham de percorrer o seu caminho sem qualquer perturbação…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Recordare”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Confutatis maledictis”&lt;/i&gt;… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Os fios lentamente traçados por aquelas duas primeiras lágrimas eram agora fluxos contínuos, percorridos sem dificuldade e espalhando-se pelo cabelo e pela almofada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Lacrimosa”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Domine Jesu”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Hostias”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pelos fios abertos passam agora os últimos vestígios de uma cheia que, aos poucos, se esgota.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Sanctus”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Benedictus”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acabaram-se as lágrimas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Agnus Dei”&lt;/i&gt;…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;… &lt;i style=""&gt;“Communion”&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No súbito silêncio, abriu lentamente os olhos, agora quase completamente secos… Retomou a consciência do mundo à sua volta, do escuro da sala, do chão duro debaixo das costas, do cabelo molhado junto ao pescoço…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficou ali, de olhos abertos olhando o escuro. Interrogou-se, como fazia sempre, sobre aquele curioso facto de uma obra concebida para acompanhar na morte ter esta capacidade de, a ele, lhe trazer tanta vida… e como seria se o autor tivesse vivido o tempo suficiente para ser ele a terminar aquela obra deixada incompleta?… que sensações e emoções teria sentido naqueles últimos quarenta e cinco minutos ao ouvir essa obra completa?... &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Levantou-se, desligou a aparelhagem e arrumou a almofada e os auscultadores e dirigiu-se para a cama.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A alma estava agora limpa… enrugada, tal como uma qualquer peça de roupa acabada de recolher do estendal, mas limpa… Imaculadamente limpa.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7615261343680092174?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7615261343680092174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7615261343680092174&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7615261343680092174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7615261343680092174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/06/lavagem.html' title='Lavagem...'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-632346549573925403</id><published>2008-05-15T18:16:00.003+01:00</published><updated>2008-12-15T14:21:52.847Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos cruzados'/><title type='text'>Sonhos Cruzados - parte V</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de Sonhos Cruzados – partes &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados.html"&gt;I&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados-parte-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iv.html"&gt;IV&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordou pouco depois da hora habitual a que acordava durante a semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Procurou recordar o sonho da noite para ver se a carta que tinha enviado à morena tinha chegado intacta ao seu destinatário, e para ver se esta lhe tinha enviado alguma resposta…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apercebeu-se da inutilidade dos seus esforços do dia anterior, mas foi com bastante entusiasmo que recordou o exacto número de unhas que a morena de cabelo comprido e olhos castanhos pintara de vermelho bem vivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu-se bastante satisfeita com o facto de terem encontrado uma forma de comunicar, mas haveria tempo para voltar a pensar no assunto durante a tarde, por isso voltou a fechar os olhos na tentativa de aproveitar a manhã de sábado para se recompor do cansaço acumulado ao longo da semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Acordou pouco depois da hora habitual a que acordava durante a semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Procurou recordar o sonho da noite para ver se tinha havido alguma evolução… mas desta vez o sonho fora estranhamente curto… apenas um acordar para voltar a adormecer numa manhã de sábado… optou por não pensar muito no assunto e resolveu, seguindo o exemplo da loira, fechar os olhos na tentativa de aproveitar a manhã de sábado para se recompor do cansaço acumulado ao longo da semana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Acordou com o toque da campainha da porta. Os sucessivos toques das campainhas dos apartamentos vizinhos permitiram-lhe deduzir tratar-se de alguém a distribuir publicidade…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Acordou com o toque da campainha da porta. Os sucessivos toques das campainhas dos apartamentos vizinhos permitiram-lhe deduzir tratar-se de alguém a distribuir publicidade…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não tinha de se incomodar, algum dos seus vizinhos ou vizinhas abriria a porta, mas sentia-se estranha, por isso levantou-se e dirigiu-se à casa de banho de olhos meio fechados…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Não tinha de se incomodar, algum dos seus vizinhos ou vizinhas abriria a porta, mas sentia-se estranha, por isso levantou-se e dirigiu-se à casa de banho de olhos meio fechados…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentiu-se perdida no quarto e foi com alguma dificuldade que acabou por dar com a porta da casa de banho. Sentia-se cada vez mais estranha… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Sentiu-se perdida no quarto e foi com alguma dificuldade que acabou por dar com a porta da casa de banho. Sentia-se cada vez mais estranha… &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Levou as mãos à cara e depois ao cabelo… de repente sentiu o seu mundo desabar…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Levou as mãos à cara e depois ao cabelo… de repente sentiu o seu mundo desabar…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Numa súbita urgência de negar com os olhos a afirmação transmitida pelo tacto, correu a mão pela parede pelo lado de fora da porta da casa de banho até encontrar o interruptor…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Numa súbita urgência de negar com os olhos a afirmação transmitida pelo tacto, correu a mão pela parede pelo lado de fora da porta da casa de banho até encontrar o interruptor…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com a mão a proteger os olhos da súbita luminosidade olhou-se ao espelho e deixou escapar um grito de horror…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Com a mão a proteger os olhos da súbita luminosidade olhou-se ao espelho e deixou escapar um grito de horror…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do lado de lá olhavam-na uns olhos castanhos plantados numa cara morena de cabelo escuro comprido, emaranhado pela almofada…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Do lado de lá olhavam-na uns olhos azuis plantados numa cara branca de cabelo loiro e curto, levemente desalinhado pela almofada…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Puxou o cabelo para a frente dos olhos para ter a certeza de que não estava a ser enganada pelo espelho… mas não, lá estava o cabelo comprido e escuro…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Agarrou nuns quantos cabelos e arrancou-os para os poder olhar directamente e ter a certeza de que não estava a ser enganada pelo espelho… mas não, eram bem loiros aqueles cabelos entre os seus dedos, como era viva a dor de onde acabara de os arrancar…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Incrédula, recuou até à porta da casa de banho e deteve-se um pouco a olhar à sua volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Incrédula, recuou até à porta da casa de banho e deteve-se um pouco a olhar à sua volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Virou-se para o quarto, vagamente iluminado pela luz atrás de si e, de novo, olhou à volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Virou-se para o quarto, vagamente iluminado pela luz atrás de si e, de novo, olhou à volta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiu apressadamente do quarto e percorreu a casa toda olhando vagamente em todas as direcções…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Saiu apressadamente do quarto e percorreu a casa toda olhando vagamente em todas as direcções…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não havia dúvida, estava na casa da morena!…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Não havia dúvida, estava na casa da loira!…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Encostada numa parede deixou-se deslizar até ficar sentada no chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Encostada numa parede deixou-se deslizar até ficar sentada no chão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tentou recordar-se do seu nome… mas por mais que tentasse só conseguia lembrar-se do nome da morena…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Tentou recordar-se do seu nome… mas por mais que tentasse só conseguia lembrar-se do nome da loira…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não havia dúvida, estava no corpo da morena… no mundo da morena... e com as memórias da morena!...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Não havia dúvida, estava no corpo da loira… no mundo da loira... e com as memórias da loira!...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não voltou a saber da loira de cabelo curto e olhos azuis, nem mesmo em sonhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Não voltou a saber da morena de cabelo comprido e olhos castanhos, nem mesmo em sonhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;FIM&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-632346549573925403?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/632346549573925403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=632346549573925403&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/632346549573925403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/632346549573925403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-v.html' title='Sonhos Cruzados - parte V'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7721529643607340926</id><published>2008-05-12T02:16:00.004+01:00</published><updated>2008-12-15T14:21:38.922Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos cruzados'/><title type='text'>Sonhos Cruzados – parte IV</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de Sonhos Cruzados – partes &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados.html"&gt;I&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados-parte-ii.html"&gt;II&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iii.html"&gt;III&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Por alguns instantes, ali sentada na cama, apoderou-se dela uma enorme frustração pela inutilidade daquele trabalho, como se tivesse sido ela própria a tê-lo e não a loira de cabelo curto e olhos azuis. Tantas horas de cuidadosa dedicação e memorização… e tudo para nada!…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Depois, pensando melhor, concluiu que aquela tinha sido apenas a primeira etapa de um caminho de descoberta, do qual não podia desistir logo ao primeiro fracasso! Não, de facto desistir não fazia o género dela.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Enquanto tomava o banho matinal foi tentando organizar as ideias e tentando descobrir alguma porta entreaberta, ou a ponta de um véu que pudesse levantar para, finalmente, revelar os segredos escondidos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Lembrou-se da possibilidade de recorrer a algum evento desportivo, social, ou político de nível mundial. Mesmo que não conseguissem estabelecer um outro tipo de contacto, talvez fosse possível encontrarem-se em algum local que ambas conseguissem estabelecer como referência…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Foi então que se deu conta de que se recordava com bastante detalhe de todas as caras que se haviam cruzado na frente dos olhos azuis da loira de cabelo curto. E também as caras que se haviam cruzado na frente dos seus olhos castanhos apareciam claras nas imagens recordadas dos sonhos da loira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Foi tentando identificar outros detalhes dos quais se recordava com clareza para depois procurar alguma forma de os usar para passar informação… lembrava-se das roupas que a outra vestia, da cor do batom, do verniz das unhas, daquilo que comia… “o verniz das unhas!” exclamou em voz alta… Sim, essa poderia ser uma forma!...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Saiu rapidamente do banho e, depois de se secar cuidadosamente, pintou algumas unhas das mãos, o mesmo número de unhas do primeiro dígito do seu número de telefone, começando pelo indicativo internacional. Se o esquema funcionasse, e se a loira seguisse o exemplo, bastariam alguns dias para ambas saberem em que países viviam. Depois, com mais alguns dias, teriam o número de telefone completo e poderiam, finalmente, entrar em contacto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Sentiu-se ridícula assim com algumas unhas pintadas e outras por pintar… e certamente iria ser alvo da curiosidade dos colegas no laboratório, mas tudo isso lhe parecia pouco importante face ao objectivo em vista… De qualquer modo, tal como vinha acontecendo nas últimas semanas, o volume de trabalho que a esperava não deixaria muitas oportunidades para alimentar conversas à volta do assunto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Chegou a casa já bastante tarde. Tinha conseguido terminar todo o trabalho que se havia proposto fazer, mas agora estava muito cansada… Felizmente era sexta-feira!... no dia seguinte poderia descansar um pouco mais… e poderia voltar a pensar na loira de cabelo curto e olhos azuis, e nas possíveis formas de com ela comunicar. Mas, para já, era urgente descansar… e era também urgente que a loira acordasse…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Não teve dificuldade em adormecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-v.html"&gt;continua&lt;/a&gt;, mas o fim está próximo)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7721529643607340926?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7721529643607340926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7721529643607340926&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7721529643607340926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7721529643607340926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iv.html' title='Sonhos Cruzados – parte IV'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3918044758334013701</id><published>2008-05-03T01:46:00.004+01:00</published><updated>2008-12-15T14:21:26.941Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos cruzados'/><title type='text'>Sonhos Cruzados - parte III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de Sonhos Cruzados – &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados.html"&gt;parte I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados-parte-ii.html"&gt;parte II&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ali continuou sentada, na beira da cama, tentando encontrar uma explicação… Era como se tanto ela como a morena do sonho fossem, de facto, pessoas reais… duas pessoas ligadas uma à outra, de tal forma que enquanto uma vivia o seu dia, a outra sonhava, na sua noite, aquele dia vivido…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como seria possível uma coisa assim?... que magias?... que deuses?... que demónios?... que forças ocultas estariam por detrás de uma tal ligação?... e porquê ela?... porquê elas?! E quem seria a morena?... onde viveria?... em que país e em que cidade?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fechou os olhos e esforçou-se por se lembrar de algum detalhe que lhe pudesse dar uma pista. Assim foi percorrendo os sonhos das últimas duas noites, tentando encontrar alguma informação que lhe permitisse ter uma ideia acerca do local onde vivia a morena de cabelo comprido e olhos castanhos. Mas por mais que tentasse, e apesar de a maior parte das imagens daqueles sonhos lhe aparecerem tão claras como se tivesse sido ela a vê-las com os seus próprios olhos, não conseguia recordar qualquer detalhe que a pudesse ajudar naquela tarefa. Além disso, continuava a não conseguir recordar o nome da morena nem língua que falava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estava num beco sem saída… o local onde a outra vivia poderia ser um entre muitos milhares espalhados pelo globo… e mesmo que a fisionomia dela e das outras pessoas com quem se cruzara lhe permitissem excluir algumas zonas do globo, ficavam ainda muitas outras possibilidades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiu da cama enquanto continuava a pensar numa forma de sair daquele impasse. Enquanto tomava o banho matinal, que desta vez não servia de despertador, pois o seu cérebro começara a trabalhar a todo o vapor assim que acordara, tomou uma decisão. Ao longo do dia trataria de plantar nas suas memórias várias referências que, depois de sonhadas pela morena, poderiam dar a esta alguma referência. Já que ela não conseguira recordar-se de qualquer informação útil, talvez conseguisse passar à outra informações sobre ela própria.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sentada no autocarro, a caminho do escritório, foi pensado como seria aquele hipotético futuro encontro entre ela e a morena… de que forma influenciaria as suas vidas?... de que falariam?... conseguiriam comunicar-se numa língua que ambas entendessem?... e como sonhariam depois esse encontro?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ocorreu-lhe que a morena poderia viver precisamente do outro lado do planeta… a noite de uma coincidindo com o dia da outra… e a vigília de uma com o sono e o sonho da outra…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já no escritório ligou o computador e começou a navegar pela internet procurando fotografias e descrições dos locais e dos monumentos mais simbólicos do país. Juntou tudo num documento, no qual acrescentou uma página onde, em letras bem grandes, escreveu o nome do país e da cidade em que vivia. Ao longo do dia, foi visitando várias vezes este documento, percorrendo cuidadosamente cada página, para garantir que este ficaria devidamente implantado na sua memória.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando o paquete interno do escritório lhe trouxe a correspondência do dia, sorriu ao pensar que o que estava a tentar fazer era, nada mais, nada menos, que enviar uma carta à morena de cabelo comprido e olhos castanhos. Não estava a usar o serviço dos correios, nem colocara qualquer endereço de destino, mas, ainda assim, era de uma carta que se tratava, e sabia que seria recebida pelo destinatário pretendido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi com muita expectativa que, já em casa, esperou pelo sono que, assim esperava, haveria de levar à morena toda aquela preciosa informação. No entanto, a expectativa e o sono não costumam ser bons companheiros, e era já bastante tarde quando finalmente conseguiu adormecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;O despertador arrancou-a do sono à hora habitual de qualquer dia de trabalho. Preparava-se para sair da cama quando lhe vieram à memória as primeiras imagens daquele sonho… tinha sonhado de novo com a loira de cabelo curto e olhos azuis…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Ali continuou sentada, na beira da cama, relembrando cada detalhe do sonho… o beliscão no braço, as conclusões a que a outra tinha chegado, a tentativa de saber alguma coisa sobre ela própria e, finalmente, a tentativa de lhe enviar uma carta com informações sobre o local onde vivia…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Tentou então lembrar-se daquelas páginas daquela carta que a loira lhe tentara enviar, mas, por mais que se esforçasse, não conseguiu recordar nem o que estava escrito nem as imagens das fotografias tão criteriosamente seleccionadas…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iv.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3918044758334013701?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3918044758334013701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3918044758334013701&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3918044758334013701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3918044758334013701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iii.html' title='Sonhos Cruzados - parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3384365593821481478</id><published>2008-04-25T17:51:00.004+01:00</published><updated>2008-12-15T14:21:13.625Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos cruzados'/><title type='text'>Sonhos Cruzados - parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação de &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados.html"&gt;Sonhos Cruzados – parte I&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Enquanto entrava no duche para se colocar debaixo da chuva de água quente que todas as manhãs a resgatava, definitivamente, da sonolência, interrogou-se sobre aquele estranho sonho, tentando recordar mais detalhes e mais imagens. E foi de olhos fechados, com a água do chuveiro a cair-lhe na cabeça e a escorre-lhe pelo corpo, que se deu conta do sonho daquela outra mulher com quem tinha sonhado… apercebeu-se que a outra, a loira de cabelo curto e olhos azuis, tinha sonhado com ela, a morena de cabelo comprido e olhos castanhos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Ali ficou estática, recordando aquele sonho que se prolongava pelo dia de trabalho de uma mulher loira de cabelo curto e olhos azuis… um dia de trabalho intenso, aqui e ali salpicado pelas recordações de um sonho onde era uma morena de cabelo comprido e olhos castanhos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Estava bastante confusa… ela, morena de cabelos compridos e olhos castanhos, tinha tido um sonho no qual era uma outra mulher, loira de cabelo curto e olhos azuis, que, por sua vez, tinha tido um sonho no qual era uma outra… A loira do sonho tinha sonhado com o dia que ela própria, a morena, tinha vivido ontem!…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;As imagens daquele sonho apareciam-lhe tão nítidas como se as tivesse vivido de verdade… Abriu os olhos e debruçou-se um pouco para se conseguir olhar no espelho, já meio embaciado pelo vapor do chuveiro, só para ter a certeza de que este lhe devolvia a imagem de uma cara com cabelo escuro e comprido…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Ocorreu-lhe então uma ideia perturbadora… a ideia de que ela própria poderia não ser mais do que um sonho sonhado pela loira de cabelo curto e olhos azuis… Quase instintivamente beliscou-se violentamente no braço, na expectativa de acordar em sobressalto e de correr para a casa de banho para encontrar a sua imagem, de cabelo loiro curto e olhos azuis, reflectida no espelho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Mas não… ali continuava, com a água quente a escorrer-lhe pelo corpo e uma dor bem viva no braço esquerdo… Podia então concluir que ela era real e que a outra, a loira de cabelo curto e olhos azuis, era apenas uma criação da sua imaginação… um sonho estranho, mas apenas isso, um sonho!...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Apressou-se a terminar o banho e a arranjar-se para sair de casa para mais um dia de trabalho. Tinha um programa bastante apertado de experiências para realizar e não podia dar-se ao luxo de perder tempo por causa de um simples sonho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Ao longo do dia só a dor persistente no seu braço esquerdo, e a mancha que gradualmente se fora transformando de vermelho para verde escuro, lhe trouxeram recordações ocasionais daquela manhã e das imagens plantadas durante a noite. Passava já bastante da normal hora de jantar quando, finalmente, conseguiu concluir o programa de experiências e de observações que tinha programado para aquele dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Finalmente em casa, e depois de comer qualquer coisa rápida, sentou-se no sofá e ligou a televisão no canal de notícias para se pôr a par com o que tinha acontecido pelo mundo. No entanto, o cansaço apoderou-se rapidamente dela, e foi já meio cambaleante que se dirigiu para o quarto e se enfiou dentro da cama. Não teve dificuldades em adormecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O despertador arrancou-a do sono à hora habitual de qualquer dia de trabalho. Preparava-se para sair da cama quando lhe vieram à memória as primeiras imagens daquele sonho… tinha sonhado de novo com a morena de cabelo comprido e olhos castanhos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Apercebeu-se então que também a morena tinha sonhado com ela… lembrou-se das dúvidas da morena e do beliscão no braço… lembrou-se da conclusão a que chegara pelo facto de não ter acordado… seria possível?... seria ela, a loira, um mero sonho da morena?... Quase instintivamente sentou-se na cama e beliscou-se violentamente no braço, na expectativa de acordar em sobressalto e de correr para a casa de banho para encontrar a sua imagem, de cabelo escuro comprido e olhos castanhos, reflectida no espelho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não… ali continuava, sentada naquela mesma cama com uma dor bem viva no braço esquerdo…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/05/sonhos-cruzados-parte-iii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3384365593821481478?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3384365593821481478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3384365593821481478&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3384365593821481478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3384365593821481478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados-parte-ii.html' title='Sonhos Cruzados - parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6762570538981613667</id><published>2008-04-14T00:29:00.003+01:00</published><updated>2008-12-15T14:20:57.497Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonhos cruzados'/><title type='text'>Sonhos cruzados - parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiu penosamente da cama e foi cambaleando até à casa de banho. Deixou-se ficar sentada na sanita mais do que o tempo necessário para se aliviar das necessidades fisiológicas matinais, o tempo necessário para que o seu corpo e o seu cérebro despertassem. Finalmente levantou-se e, já mais desperta, meteu a mão pela porta para chegar ao interruptor e acender a luz. De olhos entreabertos para evitar o encandeamento da súbita luminosidade, olhou-se ao espelho, cumprindo o ritual de todas as manhãs.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A repentina surpresa fê-la abrir completamente os olhos para ver melhor aquela imagem que o espelho lhe devolvia, como se não fossem aqueles olhos azuis os mesmos que todas as manhãs a olhavam do lado de lá, como se fosse diferente aquele cabelo loiro de corte curto, ainda desalinhado pela almofada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Virou-se para o chuveiro, achando-se estúpida por se ter surpreendido com o reflexo da sua imagem que tão bem conhecia, e preparava-se para abrir a água quente quando lhe vieram à memória imagens plantadas durante a noite… imagens de um espelho não muito diferente daquele ao qual tinha acabado de virar as costas, numa casa de banho não muito diferente desta sua… mas era bastante diferente a imagem que agora recordava, reflectida naquele outro espelho… a imagem de uma cara bonita, de olhos castanhos e cabelo escuro e comprido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Enquanto entrava no duche para se colocar debaixo da chuva de água quente que todas as manhãs a resgatava, definitivamente, da sonolência, interrogou-se sobre aquele estranho sonho, tentando recordar mais detalhes e mais imagens. Estas foram-lhe aparecendo cada vez mais nítidas, quase reais, como se fossem fragmentos de um dia realmente vivido num outro corpo…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Finalmente desperta, e finalmente consciente das responsabilidades que a esperavam no escritório, apressou-se a sair do banho e a preparar-se para sair de casa. Engoliu rapidamente um copo de leite frio e saiu de casa ainda a mastigar uma bolacha. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já no autocarro, vieram-lhe ao pensamento imagens da morena do sonho, também ela apressada para sair de casa e apanhar o autocarro. Para onde iria ela, qual seria o seu destino matinal?... Concentrou-se um pouco mais naquelas imagens, às quais se sucederam novas imagens, nítidas como se as tivesse vivido de verdade, de uma viagem de autocarro, depois um breve percurso a pé e, finalmente, a entrada num edifício moderno…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiu do autocarro e, enquanto percorria a pé o percurso final até ao escritório, continuou também a percorrer aquelas recordações… vestia agora uma bata branca e, enquanto metia as mãos por baixo do cabelo comprido para o libertar da bata, deixando-o solto, viu-se novamente reflectida no espelho, morena de cabelo comprido e olhos castanhos, bonita… depois, satisfeita com a imagem que o espelho lhe mostrava, afastou-se e entrou no laboratório onde se sentou no seu lugar e depositou os olhos castanhos no microscópio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A recordação destas memórias foi interrompida com a chegada ao escritório. O patrão também já tinha chegado. O dia de trabalho que agora começava ia ser muito intenso, por isso entregou-se rapidamente às suas responsabilidades.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na breve pausa para o almoço recordou a também breve pausa do almoço sonhado. Também ela, a morena, parecia atarefada, não pelo volume de trabalho que um qualquer patrão lhe entregava, mas pelo entusiasmo do trabalho em si. Não conseguia recordar-se da exacta natureza do trabalho dela, mas pressentia uma excitação que ela própria nunca sentira naquele trabalho de secretária de administração.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Muito do sucesso da viagem de negócios do patrão dependia do trabalho que ainda havia para fazer, e o sucesso dela própria dependia, também, deste mesmo sucesso. A tarde correu, por isso, ainda mais intensa que a manhã. Felizmente o dia seguinte, com o patrão em viagem, seria mais calmo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A noite ia já avançada quando finalmente deixou tudo pronto e desceu para apanhar um táxi que a levasse de volta a casa. Enquanto o táxi a transportava através das luzes da cidade, o seu pensamento transportou-a de novo numa viagem pelas memórias adquiridas durante a noite. Deu-se conta que tinha sonhado um dia completo daquela outra mulher, morena de olhos castanhos, bonita… um dia desde o acordar até ao adormecer, passando por toda a azáfama de um dia de trabalho num laboratório.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Surpreendeu-se de novo com a nitidez com que se recordava de tudo, embora, por outro lado, não conseguisse recordar-se do nome dela, da morena… nem do nome dos seus colegas… esforçou-se por tentar reconstruir alguns dos diálogos sonhados, mas apesar de recordar com clareza o que tinha sido dito, não conseguia reconstruir as palavras, nem a língua em que tinham sido pronunciadas…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas estava demasiado cansada, por isso desligou-se do sonho e, já em casa, comeu qualquer coisa rápida e foi para a cama. Não teve dificuldades em adormecer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Saiu penosamente da cama e foi cambaleando até à casa de banho. Deixou-se ficar sentada na sanita mais do que o tempo necessário para se aliviar das necessidades fisiológicas matinais, o tempo necessário para que o seu corpo e o seu cérebro despertassem. Finalmente levantou-se e, já mais desperta, meteu a mão pela porta para chegar ao interruptor e acender a luz. De olhos entreabertos para evitar o encandeamento da súbita luminosidade, olhou-se ao espelho, cumprindo o ritual de todas as manhãs.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;A repentina surpresa fê-la abrir completamente os olhos para ver melhor aquela imagem que o espelho lhe devolvia, como se não fossem aqueles olhos castanhos os mesmos que todas as manhãs a olhavam do lado de lá, como se fosse diferente aquele cabelo escuro e comprido, ainda desalinhado pela almofada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Virou-se para o chuveiro, achando-se estúpida por se ter surpreendido com o reflexo da sua imagem que tão bem conhecia, e preparava-se para abrir a água quente quando lhe vieram à memória imagens plantadas durante a noite… imagens de um espelho não muito diferente daquele ao qual tinha acabado de virar as costas, numa casa de banho não muito diferente desta sua… mas era bastante diferente a imagem que agora recordava, reflectida naquele outro espelho… a imagem de uma cara bonita, de olhos azuis e cabelo curto e loiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados-parte-ii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6762570538981613667?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6762570538981613667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6762570538981613667&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6762570538981613667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6762570538981613667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/sonhos-cruzados.html' title='Sonhos cruzados - parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-2055793139366401686</id><published>2008-04-04T01:13:00.004+01:00</published><updated>2008-12-15T14:22:17.478Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontro'/><title type='text'>Encontro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Nunca se tinha sentido tão triste e tão angustiada. Precisava de chegar a casa para se esconder, para chorar, para gritar!… entrou na casa de banho e lavou a cara com água fria, numa tentativa desesperada de segurar as lágrimas que lhe rebentavam nos olhos, e o grito que lhe subia pela garganta. Olhou a sua cara molhada no espelho e viu-a totalmente transfigurada naquela máscara de sofrimento. Secou apressadamente a cara, saiu da casa de banho, contornou os corredores, meteu pela escadaria e iniciou a descida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O elevador seria mais rápido do que descer a pé os quatro andares que a separavam da rua, mas não queria encontrar-se com mais ninguém, muito menos no espaço apertado do elevador. As escadas, pelo contrário, estariam desertas, e mesmo que se cruzasse com alguém menos comodista, poderia continuar a descer apressadamente, reduzindo os eventuais encontros a simples cruzamentos de ombro com ombro... não de olhos com olhos, que esses seguiam colados aos degraus que lhe fugiam debaixo dos pés a grande velocidade, com a mão firme no corrimão para evitar alguma fatal perda de equilíbrio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O frio do inverno tardio bateu-lhe na cara, ajudando-a a reprimir as lágrimas. Avançou pela rua, meio curvada, não para se esconder do frio, mas para se esconder do mundo e das outras pessoas que passavam. Apressou o passo pelo caminho mais curto, seguindo curvada e encostada às paredes dos prédios, numa tentativa desesperada de se esconder dos olhares da multidão que, apesar de frios e indiferentes, a trespassavam como flechas em chama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Subitamente, ao virar para outra rua, chocou de frente com alguém que vinha no sentido oposto, também curvada e também encostada às paredes dos prédios, numa igual tentativa de se esconder de frios e indiferentes olhares.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Frente a frente olharam-se mutuamente. Nunca se tinham visto, mas reconheceram na cara uma da outra a mesma tristeza, a mesma angústia, a mesma máscara de sofrimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Instintivamente envolveram-se num abraço forte e contínuo, não num abraço de amantes, mas num abraço de irmãs. As lágrimas, impossíveis de reprimir por mais tempo, irromperam em enxurradas incontroláveis e os gritos soltaram-se das gargantas. Num tempo que não conseguiram contabilizar, o universo ficou reduzido a elas próprias, alheias à vida que continuava a correr à sua volta e aos olhares de quem passava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Finalmente, como se obedecessem ambas a um subtil sinal de um oculto maestro, afastaram-se um pouco, mãos nas mãos, olhos nos olhos, já sem as lágrimas que entretanto se tinham esgotado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A angústia foi-se transformando em coragem, e as máscaras de sofrimento foram dando lugar às expressões características de quem tomou uma decisão e sabe o que tem de fazer para a pôr em prática. Num derradeiro olhar, e sem terem trocado uma única palavra, viraram-se e iniciaram o caminho de regresso de cabeça erguida, na altivez da certeza da decisão tomada, prontas para enfrentar o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-2055793139366401686?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/2055793139366401686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=2055793139366401686&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2055793139366401686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2055793139366401686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/04/encontro.html' title='Encontro'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-4451917650465481698</id><published>2008-03-25T22:15:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:22:33.027Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><title type='text'>Carta</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Srª Dona Morte,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tomo esta liberdade em lhe escrever para lhe fazer um pedido. Não se trata de um pedido qualquer, pois não ousaria ocupar-lhe o seu precioso tempo, tão necessário no desempenho da sua infindável missão, com um assunto de somenos importância, arriscando-me mesmo, quem sabe, a um exemplar castigo supremo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, não se trata de lhe pedir que adie esse encontro que tem marcado comigo na sua agenda secreta, ou talvez não tenha qualquer encontro marcado e decida, a cada dia ou a cada momento que passa, com quem se encontrar a seguir. Em qualquer dos casos, sei-o bem, seria de todo inútil fazer-lhe tal pedido e, por isso mesmo, não ousaria incomoda-la apenas por esse motivo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não, também não se trata de lhe pedir informações sobre a data prevista para esse nosso encontro, tentando dessa forma saber acerca da sua proximidade ou distância, pois viver com essa informação não seria viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É, portanto, outra a natureza do pedido que venho fazer-lhe. O que lhe venho pedir é um pouco mais de equidade entre esse seu papel de encontrar e este outro, o meu, de encontrado. Não lhe peço que altere a sua agenda ou, se for esse o caso, que altere os critérios com que a cada momento decide com quem se vai encontrar. Peço-lhe sim a recíproca capacidade de também eu poder marcar o fatídico e final encontro consigo, podendo, dessa forma, antecipa-lo se esse for o meu desejo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Srª Dona Morte argumentará, certamente, que essa é uma capacidade de que já disponho, pois não faltam por ai formas e mecanismos que permitam a um comum mortal fazer valer a sua vontade em se encontrar consigo. De facto não faltam pontes, edifícios, escarpas, e outros locais com altura suficiente, e dos quais se possa mergulhar na sua direcção. Também não faltam os comboios, os carros e os camiões, e outras ferozes máquinas capazes de fazer cumprir esse objectivo. Não faltam, ainda, as farmácias com os farmacêuticos de serviço sempre prontos para, nas suas avidezes de comerciantes, venderem, sem necessidade da supostamente necessária receita médica, as substâncias apropriadas para atingir o fim em causa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O problema, Srª Dona Morte, é que os homens e mulheres, cansados de verem completamente ignorados e recusados todos os pedidos que repetidamente lhe fazem para adiar encontros, ocuparam-se no desenvolvimento de uma ciência a que chamaram medicina, e com a qual, através de complexos malabarismos, lá vão conseguindo importantes adiamentos. Ora, acontece que esta mesma ciência é, por vezes, usada como instrumento de verdadeira tortura, prendendo à vida pessoas que, privadas do necessário uso das suas capacidades motoras, se vêm impossibilitadas de recorrer aos mecanismos acima referidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A Srª Dona Morte poderá sugerir que peça aos ilustres representantes políticos deste país, para que façam aprovar a necessária legislação no sentido de tornar legítimo o recurso à eutanásia, permitindo, desse modo, a um mortal impossibilitado de se encontrar consigo pelos seus próprios meios, a possibilidade de o fazer recorrendo a uma caridosa ajuda externa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saiba, no entanto, que esta não seria tarefa fácil. Seria, antes de mais, necessário convencer os referidos políticos a incluírem nas suas agendas este assunto, o que, por si só, seria uma grande conquista, pois não pode ser dado como certo o desejado retorno em índices de popularidade ou no número de votos conquistados em época de eleições. Por outro lado, seria necessário ultrapassar a feroz oposição das instituições religiosas, as quais, com o argumento da salvação, não hesitariam em fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para impedir a aprovação de tal legislação, como se fossem elas e não eu as legítimas proprietárias deste corpo ateu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pelas razões apresentadas peço-lhe, Srª Dona Morte, se alguma vez a chamar, por favor venha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Atenciosamente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Devaneante do Cantinho&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-4451917650465481698?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/4451917650465481698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=4451917650465481698&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4451917650465481698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/4451917650465481698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/carta.html' title='Carta'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7635992091106336545</id><published>2008-03-15T01:02:00.003Z</published><updated>2008-12-15T14:23:43.976Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caprichos do Acaso'/><title type='text'>Caprichos do Acaso - parte III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;(continuação de Caprichos do Acaso - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/caprichos-do-acaso-parte-i.html"&gt;&lt;span style=""&gt;parte I&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style=""&gt;e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/caprichos-do-acaso-parte-ii.html"&gt;parte II&lt;/a&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Durante toda a semana não se tinha falado de outra coisa. Tinham sido incontáveis os debates promovidos pelos vários órgãos de comunicação social, tentando explorar ao máximo o filão mediático resultante da terceira repetição da mesma sequência no sorteio do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lottery_mathematics"&gt;&lt;span style=""&gt;loto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Eram também incontáveis as diferentes teorias para explicar o sucedido. Desde os que afirmavam a pés juntos que a única explicação era a da existência de uma fraude, até aos que acreditavam tratar-se de um sinal divino da proximidade do fim do mundo. Havia também, mas em menor número, os que acreditavam tratar-se de uma mera coincidência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;No entanto, as longas e minuciosas investigações, feitas pelos peritos e pelas autoridades, nada conseguiram encontrar que sustentasse a tese de fraude. Também as autoridades do país vizinho, chamadas a investigar o sorteio feito nas instalações da entidade promotora do loto local, nada conseguiram encontrar que pudesse indiciar algo de anormal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ao longo da semana foi anormalmente elevada a afluência de fiéis aos locais de culto de várias religiões, para onde convergiram em massa todos aqueles que, receando a eminência do fim do mundo, se tentavam redimir dos pecados cometidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Entre os que acreditavam tratar-se de uma coincidência, e nos quais se incluía o perito promovido a comentador televisivo, circulavam os argumentos já anteriormente utilizados: que a probabilidade era muito baixa, mas não era nula… que qualquer outra combinação de outros três sorteios seria igualmente improvável… que o mundo não era mais do que uma grande sucessão de acontecimentos improváveis…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Na mais completa ausência de evidências da existência de fraude, a entidade promotora do jogo decidiu que o sorteio seguinte se faria nas condições normais, ou seja, nas suas instalações, com a sua tômbola, com as suas bolas, e à hora habitual. Naturalmente, o sorteio seria supervisionado por um grande batalhão de observadores, atentos a qualquer sinal que pudesse indiciar alguma forma de vício.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E assim, à hora marcada e com um número sem precedentes de espectadores, se inicia o novo sorteio. A imagem começa por mostrar demoradamente as bolas cuidadosamente ordenadas e com os números bem visíveis. Depois o ângulo abre para mostrar a tômbola ainda parada e que, breves segundos depois, começa a girar. As bolas caem dentro da tômbola onde se vão entrechocando até que uma delas inicia o seu movimento em direcção à primeira posição da calha… é o um…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O mundo ficou ainda mais suspenso… parecia inevitável a repetição daquela mesma sequência das três semanas anteriores! Os que defendiam a tese de fraude apressaram-se a chamar de incompetentes os investigadores, pois era inadmissível que não tivessem ainda desvendado o caso… Os que acreditavam na eminência do fim do mundo apressaram-se a retomar as suas preces, na convicção de estarem a presenciar mais um sinal divino…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A segunda bola inicia o trajecto da tômbola para a segunda posição na calha, onde se imobiliza ao lado da primeira, é o quarenta e um…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Nos bastidores do sorteio os responsáveis da entidade promotora do jogo, juntamente com o batalhão de observadores, respiraram de alívio e de um momento para o outro o ambiente, que se havia tornado tenso com a saída da primeira bola, desanuviou-se. Pelo mundo fora só alguns fiéis mais fervorosos pareceram ficar desiludidos por não se repetir aquele sinal considerado divino, como se ansiassem que o mundo estivesse mesmo à beira do fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Entretanto uma nova bola toma o seu lugar na calha, é o quarenta e dois… pouco depois junta-se-lhe a bola treze… depois a cinco… depois a seis… e, finalmente, a bola suplementar, a vinte e três.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Em sua casa, o perito comentador televisivo olha intrigado para a sequência de números, entretanto transcritos para um pedaço de papel, na mesma ordem em que tinham sido sorteados. De súbito levanta-se do sofá, dirige-se ao quarto do filho adolescente e pega na calculadora abandonada em cima da secretária. Liga a calculadora, carrega em duas teclas e fica a olhar alternadamente para o mostrador da calculadora e para o pedaço de papel com a sequência sorteada…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Sorriu e falou em voz alta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;“Mais uma chave improvável… tão improvável quanto qualquer outra, mas…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Olhou de novo para a sequência…&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pythagoras"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Pitágoras&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;…&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; que diria Pitágoras se fosse vivo e tivesse presenciado o sorteio de hoje?...”&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;FIM&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7635992091106336545?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7635992091106336545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7635992091106336545&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7635992091106336545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7635992091106336545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/caprichos-do-acaso-parte-iii.html' title='Caprichos do Acaso - parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3306613409174864720</id><published>2008-03-08T15:42:00.007Z</published><updated>2008-12-15T14:23:29.929Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caprichos do Acaso'/><title type='text'>Caprichos do Acaso - parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;(continuação de Caprichos do Acaso - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/caprichos-do-acaso-parte-i.html"&gt;&lt;span style=""&gt;parte I&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Foi notícia de abertura do noticiário. Não por falta das habituais notícias sobre guerras, atentados, desastres, escândalos, desfalques, ou outras igualmente capazes de prender a atenção dos espectadores. Não pela falta de fenómenos novos ou bizarros, mas pelo bizarro fenómeno da repetição de um acontecimento já anteriormente acontecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O mesmo jornalista que na semana anterior tinha transmitido com alguma indiferença a notícia do primeiro acontecimento, usa agora o mesmo estilo com que costuma informar acerca das mais importantes notícias:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Pela segunda semana consecutiva o sorteio do &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lottery_mathematics"&gt;loto&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; ditou exactamente a mesma chave. Os números de um a sete voltaram a sair, rigorosamente por esta ordem, repetindo o sorteio de há uma semana. Esta insólita repetição vem levantar fortes suspeitas de fraude e, por isso mesmo, foi já mandado instaurar um rigoroso inquérito para apurar eventuais irregularidades.”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Lá passaram, de novo, as imagens do sorteio, desta vez abreviadas aos momentos em que as várias bolas rolam da tômbola para a calha onde tomam o seu lugar, perfeitamente ordenadas de um a seis, com a bola sete a tomar posição exclusiva reservada ao número suplementar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Seguiram-se imagens de um comunicado à imprensa, feito pelo responsável da entidade promotora do jogo, onde se anuncia o levantamento imediato do rigoroso inquérito necessário ao apuramento de eventuais irregularidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O jornalista anuncia a presença de um perito, chamado a comentar o sucedido, a quem pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“É possível, num sorteio que se supõe aleatório, haver semelhante repetição?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;“Bem, essa pergunta é bastante mais complexa do que imagina… É que, ao contrário do que possa parecer, os conceitos ‘possível’ e ‘aleatório’, não são de fácil definição.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O que é, afinal, um acontecimento &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Randomness"&gt;&lt;span style=""&gt;aleatório&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;?... um acontecimento que é influenciado por alguma forma de caos, contrariando a visão daqueles que acreditam num universo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Determinism"&gt;&lt;span style=""&gt;determinístico&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;?... ou um acontecimento que simplesmente não conseguimos prever, dado o elevado número de condicionantes e de factores em jogo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E onde está a fronteira entre o possível e o impossível?... &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Feynman"&gt;&lt;span style=""&gt;Richard Feynman&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;, prémio &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nobel_Prize_in_Physics"&gt;&lt;span style=""&gt;Nobel da Física&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt; em 1965, desenvolveu uma teoria em que defende que nada é impossível, e que mesmo o acontecimento mais bizarro tem alguma probabilidade de se verificar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Portanto, e para evitar ficar aqui indefinidamente a divagar sobre estes assuntos, que a maior parte dos telespectadores acharia profundamente maçadores, vou limitar-me a analisar a situação numa perspectiva meramente probabilística.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E, do ponto de vista probabilístico, o facto de uma chave ter sido sorteada uma vez não implica que ela não se possa repetir uma segunda vez. Em cada sorteio cada chave é tão provável quanto qualquer outra, ou talvez seja mais correcto dizer que é tão improvável quanto qualquer outra. E como cada sorteio é completamente independente dos anteriores, nada impede a existência de repetições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O número de sequências possíveis em dois sorteios de loto é demasiado grande, bastará dizer que se trata de um número com vinte e quatro algarismos para se ter uma ideia. Estou a referir-me ao número de sequências possíveis e não ao número de chaves, pois a situação que está em análise é a da dupla extracção da bola um até à bola sete, exactamente por esta ordem. Se estivesse a referir-me às chaves, a ordem não seria relevante e portanto a análise seria diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ora, nesse número de possíveis sequências apenas uma corresponde à sequência que se verificou nos dois últimos sorteios. Consequentemente a respectiva probabilidade era muito pequena…”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O jornalista, ávido por uma revelação bombástica, procura saltar rapidamente para as conclusões: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Ou seja, o mais provável é haver alguma anomalia, ou algum tipo de fraude, para que se tenha verificado esta repetição?”&lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-style: italic;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Não, não, de modo algum! O que eu disse relativamente à sequência que se verificou é válido para qualquer outra sequência, pois todas elas são igualmente improváveis… na verdade a sequência verificada no conjunto das duas últimas semanas era tão provável, ou improvável, quanto a sequência das duas semanas que lhe precederam.”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O jornalista, muito pouco convencido com as afirmações do perito, ou talvez desiludido por não ter podido revelar a inevitabilidade de uma fraude, dá por terminada a entrevista e avança para outros elementos de reportagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ao longo da semana os apostadores premiados, em muito menor número que o habitual, pois ninguém esperava a repetição dos mesmos números, lá foram reclamando os respectivos prémios. Um dos dois apostadores premiados com o primeiro prémio na semana anterior, e que tinha insistido em repetir a mesma chave tal como vinha fazendo desde a primeira vez que jogara, foi o único totalista premiado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Os apostadores habituais e os ocasionais lá foram registando as suas apostas para o sorteio seguinte, tal como vinha acontecendo desde a primeira semana em que se tinha iniciado este jogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Nas instalações da entidade promotora do jogo, a tômbola foi posta à prova incessantemente, com extracções atrás de extracções, na expectativa de encontrar algum padrão, algum vício, ou algum indício. As chaves assim obtidas foram sendo minuciosamente registadas por uma equipa de auditores, de peritos e de inspectores da polícia. No entanto, a análise estatística dos resultados obtidos revelou uma distribuição uniforme pelos vários números, consistente com o que seria de esperar de um processo que se pretendia aleatório.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Considerando que as investigações em curso não tinham, ainda, tido o tempo necessário para produzir conclusões definitivas, a entidade promotora do jogo decidiu pedir ajuda à entidade congénere do país vizinho, para fazer nas respectivas instalações a extracção seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;E foi assim que, após a extracção normal do jogo local, a tômbola do país vizinho foi de novo preparada para aquele inédito sorteio. Chegado o momento, o processo de extracção é iniciado e as bolas vão saindo, cada uma na sua vez: bola um… bola dois… bola três… bola quatro… bola cinco… bola seis… bola sete.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/caprichos-do-acaso-parte-iii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3306613409174864720?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3306613409174864720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3306613409174864720&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3306613409174864720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3306613409174864720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/caprichos-do-acaso-parte-ii.html' title='Caprichos do Acaso - parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-9219008078871817778</id><published>2008-03-05T17:11:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:22:50.204Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carrossel'/><title type='text'>Carrossel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Mais uma volta se completou e uma nova percorreu já os primeiros graus, neste carrossel infindável que um dia terá fim. Um fim talvez próximo, ou talvez distante... Desejavelmente distante, mas só se a roda puder rodar livre e se forem poucas as areias da engrenagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Não que os 360 graus da volta completa sejam um acontecimento especialmente notável que mereça comemoração... apenas um marco que permite incrementar a contagem das voltas completas... até porque o fim, quando chegar, indiferente aos graus percorridos dessa volta que será a última, só por infeliz acaso coincidirá com o fim de uma volta e o inicio da seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Das voltas passadas fica um número e uma memória. Nas voltas futuras encontram-se os sonhos... os que para sempre serão sonhos por concretizar, os que se concretizarão mesmo não tendo sido sonhados e, certamente, também alguns pesadelos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Vivam as voltas futuras!... Vivam-se as voltas futuras!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-9219008078871817778?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/9219008078871817778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=9219008078871817778&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/9219008078871817778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/9219008078871817778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/carrossel.html' title='Carrossel'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-360782198957211347</id><published>2008-02-29T00:55:00.003Z</published><updated>2008-12-15T14:23:12.405Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caprichos do Acaso'/><title type='text'>Caprichos do Acaso - parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Foi notícia de abertura do noticiário. Não que o acontecimento fosse especialmente extraordinário, como o jornalista fez questão de salientar, mas porque, na ausência das habituais notícias sobre guerras, atentados, desastres, escândalos, desfalques, ou outras igualmente capazes de prender a atenção dos espectadores, o director de informação achou ser aquela a que melhor permitira reduzir a &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Probability"&gt;&lt;span style=""&gt;probabilidade&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt; de eles se sentirem tentados a procurar melhor &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Luck"&gt;&lt;span style=""&gt;sorte&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt; noutro canal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;“O sorteio do &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lottery"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;loto&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; não é, normalmente, tema de abertura dos noticiários, mas o sorteio de hoje ditou uma chave curiosa. Os números sorteados foram o um, o dois, o três, o quatro, o cinco, o seis, e o número suplementar o sete. Mais curioso ainda é o facto de os números terem saído exactamente por esta ordem, ou seja, do um ao sete.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;As imagens dos momentos em que cada um dos números saiu da tômbola foram repetidas. Uma jornalista, de quem não se vê a cara, mas que se imagina tão doce quanto a sua voz, descreve o sucedido, como se as imagens, por si só, não fossem prova bastante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O perito, chamado a comentar o sucedido, também faz questão de realçar que o facto nada tem de anormal:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;“De facto, a chave sorteada hoje é tão provável quanto qualquer outra, tão provável quanto cada uma das que foram sorteadas nas semanas anteriores, e que não foram motivo de abertura de noticiários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;A &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Probability_theory"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;probabilidade&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; de o número um ser o primeiro a sair é de uma em quarenta e nove. Depois de ter saído o um, a probabilidade de sair o dois é de uma em quarenta e oito, e assim sucessivamente. A &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lottery_mathematics"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;probabilidade do sorteio&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; de hoje era de uma em quarenta e nove, vezes quarenta e oito, vezes quarenta e sete, vezes quarenta e seis, vezes quarenta e cinco, vezes quarenta e quatro, vezes quarenta e três. Ou seja, de uma em quatrocentos e trinta e dois mil milhões novecentos e trinta e oito milhões novecentos e quarenta e três mil trezentos e sessenta… mas esta é exactamente a mesma probabilidade da sequência sorteada na semana passada, se tivermos em conta a ordem em que os números saíram.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Durante os dias seguintes, aparte alguns comentários ocasionais em conversas de circunstância, pouca atenção voltou a ser dada à curiosa chave do loto. Os apostadores premiados lá foram reclamando os respectivos prémios, uns melhores que outros, em função da quantidade de números acertados. Houve mesmo dois apostadores a acertar na chave sorteada e, consequentemente, dividiram entre si o primeiro prémio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Os apostadores habituais e os ocasionais lá foram registando as suas apostas para o sorteio seguinte, tal como vinha acontecendo desde a primeira semana em que se tinha iniciado este jogo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Chega o momento do novo sorteio… a câmara foca a tômbola que gira… depois a imagem mostra a bola que vai rolando pela saída até à primeira posição na calha, é o um… a imagem mostra, de novo, a tômbola que gira… e logo de seguida uma nova bola rola e toma o seu lugar a seguir à primeira, é o dois… uma vez mais a tômbola que gira… e uma nova bola que rola e que toma o seu lugar, é o três… outra vez a tômbola que gira… e outra vez a bola que rola, é o quatro… a tômbola que gira… a bola que rola, é o cinco… a tômbola… a bola, é o seis… a tômbola que continua girando e que para de girar no momento em que a bola do número suplementar inicia, rolando, o seu caminho até ao lugar que lhe está reservado, e onde para de rolar… é o sete.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/03/caprichos-do-acaso-parte-ii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-360782198957211347?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/360782198957211347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=360782198957211347&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/360782198957211347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/360782198957211347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/caprichos-do-acaso-parte-i.html' title='Caprichos do Acaso - parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7882699116853235308</id><published>2008-02-22T00:01:00.005Z</published><updated>2008-12-15T14:24:04.559Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Encontros de olhares'/><title type='text'>Encontros de olhares</title><content type='html'>&lt;p&gt;Queria ir para casa, já não suportava mais aquele vai e vem de loja em loja com a mãe sempre a puxar-lhe pela mão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;“Mãe, vamos para casa!...”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;“Tem calma, amanhã é o teu primeiro dia de escola e ainda nos falta comprar muita coisa!”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sim, ia para a escola… há vários dias que não parava de pensar como seria esse dia, como seriam os colegas… como seria o professor… a mãe tinha-lhe dito que na escola todos os meninos e meninas tinham de se portar sempre muito bem, que tinham de estar todos com muita atenção ao que o professor dizia... tinha medo!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De repente o seu olhar cruzou-se com outro olhar... sem saber porquê vieram-lhe à memória imagens difusas... tudo muito branco... um berço... lençóis frios... chorou no seu choro de bebé recém-nascido... uma voz calma sussurrou-lhe uma melodia ao ouvido e aconchegou-lhe o lençol... parou de chorar... ouvem-se vozes, vozes que não consegue entender... algum reboliço e depois o silêncio... o seu olhar cruza-se com outro olhar num berço ali ao lado... o mesmo olhar que agora está à sua frente e que olha com igual medo e igual perplexidade!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;“Vamos, vamos... valha-me Deus, ainda temos de ir comprar as batas brancas!...”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Enquanto espera na paragem pelo autocarro, recorda aquele medo que antecedeu o primeiro dia de escola... não é muito diferente o medo de hoje!... o primeiro dia de trabalho!... quase não conseguiu dormir na expectativa desse novo futuro que hoje começava...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Entra no autocarro e aconchega-se num lugar junto à janela, mesmo por detrás do motorista. Pouco depois o autocarro imobiliza-se no final de uma fila de carros que esperam impacientemente pelo verde do semáforo. Do outro lado da rua, numa fila de espera para um autocarro que tarda em chegar, o seu olhar cruza-se com outro olhar...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vêm-lhe à memória as imagens da azafama das compras na véspera do primeiro dia de escola, e logo de seguida as imagens difusas do branco, do berço, dos lençóis frios, do choro de bebé, da melodia, do outro olhar vindo do berço ali ao lado... o mesmo olhar que agora está à sua frente e que olha com igual expectativa e igual perplexidade!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A impaciência da espera pelo verde do semáforo dá lugar à pressa de passar antes do regresso do vermelho...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Deteve-se inconscientemente em frente da montra de uma loja de artigos para crianças. O seu olhar foi percorrendo a montra até se deter no seu próprio reflexo. Estava verdadeiramente feliz... uma felicidade que podia ser vista, mesmo no difuso reflexo da montra... Há menos de quatro meses que tinham decidido ter um filho, mas só hoje, após a confirmação da análise feita na farmácia, tinham realmente começado a entender a importância dessa decisão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Pouco depois, enquanto espera na estação pelo comboio do metro que porá fim aquela interrupção da rotina normal de um dia de trabalho, outro comboio faz a paragem obrigatória do outro lado da linha colocando à sua frente um outro olhar...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vêm-lhe à memória as imagens de uma viagem de autocarro, as imagens da azafama das compras na véspera do primeiro dia de escola, as imagens difusas do outro olhar do berço ali ao lado... o mesmo olhar que agora está à sua frente e que olha com igual felicidade e igual perplexidade!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alguém lhe diz &lt;i&gt;“não se preocupe, vai correr tudo bem”&lt;/i&gt;... já na maca olha para o lado e vê o que resta do carro acidentado... interroga-se se será mesmo possível ter saído dali com vida... enquanto a maca avança em direcção à ambulância, surge-lhe no campo de visão, numa outra maca, um outro olhar...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vêm-lhe à memória as imagens de um comboio numa estação de metro, as imagens de uma viagem de autocarro, as imagens da azafama de um dia de compras, as imagens difusas do outro olhar do berço ali ao lado... o mesmo olhar que agora está ao seu lado e que olha com igual sofrimento e igual perplexidade!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tinha finalmente cedido aos incessantes argumentos dos filhos para se reformar... que devia aproveitar o resto da vida para se divertir, para passear, para conviver com os netos... que já tinha dado contributo mais do que bastante à sociedade... E assim se tinha resignado à condição imposta pela idade...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em frente do edifício da Segurança Social, onde acabara de tratar das últimas burocracias, fez sinal a um táxi que passava. Do outro lado da rua alguém sai de outro táxi e começa a atravessar a rua. Nos breves instantes em que o taxista leva a interpretar a morada de destino pretendida e o início da viagem, o seu olhar cruza-se com aquele outro olhar...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vêm-lhe à memória as imagens ensanguentadas de uma maca que entra para uma ambulância, as imagens de uma estação de metro, as imagens de um autocarro, as imagens de um dia de compras, as imagens difusas do outro olhar do berço ali ao lado... o mesmo olhar que agora está ao seu lado e que olha com igual resignação e igual perplexidade!...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;...&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um cortejo passa o portão e segue em marcha lenta. O silêncio é apenas perturbado pelo distante chilrear de alguns pássaros e pelo som dos passos lentos no caminho, no mais profundo contraste entre a alegria dos primeiros e o luto dos segundos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;À porta do cemitério outro cortejo espera pela sua vez.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7882699116853235308?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7882699116853235308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7882699116853235308&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7882699116853235308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7882699116853235308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/queria-ir-para-casa-j-no-suportava-mais.html' title='Encontros de olhares'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6034433667253497264</id><published>2008-02-16T21:58:00.001Z</published><updated>2008-12-15T14:26:04.707Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Descoberta Indiscreta'/><title type='text'>Descoberta Indiscreta - parte III</title><content type='html'>&lt;p&gt;(continuação da Descoberta Indiscreta - &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-i.html"&gt;parte  I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-ii.html"&gt;parte  II&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tinha na sua frente a mais extraordinária aplicação para a sua descoberta...  e no entanto, se pudesse, voltaria atrás... abdicaria de todo este sucesso...  abdicaria dos Prémios Nobel da Física e da Medicina... só para poder viver o  resto da sua vida sem aquilo...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas não havia forma de voltar atrás, a avalanche tinha começado e era agora  completamente impossível pará-la. Em breve, no espaço de meses, aquela  tecnologia estaria disponível a qualquer pessoa no mundo... meses que poderiam  ser dias para quem tivesse os meios apropriados...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Era o fim dos segredos, o fim das mentiras, o fim dos esconderijos, o fim dos  crimes por resolver, o fim dos ataques surpresa, o fim das dúvidas da história,  o fim dos bluffs, o fim dos detectives, o fim dos erros da justiça, o fim dos  adultérios, o fim das portas trancadas, o fim dos cofres, o fim da  privacidade...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Todos os jogos passariam a jogar-se com as cartas viradas para cima... tudo o  que pertencesse ao passado, ainda que por insignificantes fracções de segundo,  poderia ser visto sem limitações...&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O telemóvel vibrou em cima da secretária, mostrando o nome do seu amigo do  CERN no visor. Atendeu. Antes que pudesse pronunciar alguma palavra, já o  silêncio se quebrara do outro lado da linha:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Don’t waste your time trying to find any flaw in your calculations, they  are correct...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;I have put together some of my lab’s equipment and I have been watching  the world for almost a week now... I have found some very interesting things!...  right now I am watching what you were doing less than two minutes ago. I can’t  get any closer to the present with this equipment, but it will not be very  difficult to build a device that could break this barrier down to a few  microseconds.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“So this is the end of privacy...”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Yes, the end of privacy, the end of all kinds of secrets...”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“The end of the world as we know it...”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;“Yes, and the beginning of a new one... fortunately your discovery only  allows us to look into the past, so we will have to wait to see if it is going  to be a better one...”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;FIM&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6034433667253497264?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6034433667253497264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6034433667253497264&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6034433667253497264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6034433667253497264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-iii.html' title='Descoberta Indiscreta - parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3150440293211781298</id><published>2008-02-11T00:47:00.003Z</published><updated>2008-12-15T14:24:52.322Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Descoberta Indiscreta'/><title type='text'>Descoberta Indiscreta - parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação da Descoberta Indiscreta - &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-i.html"&gt;parte I&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Puxou para si o teclado e o rato do computador e introduziu a sua palavra-chave. Abriu caixa de correio e preparou-se para a árdua tarefa de encontrar a mensagem do seu amigo. Ao contrário do telemóvel, o seu endereço de correio electrónico era muito conhecido e as mensagens não tinham parado de chegar, incessantemente, desde o dia em que a descoberta se tinha tornado pública.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Havia mensagens de todos os tipos possíveis e imaginários, isto para não falar das mensagens de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Spam_%28electronic%29"&gt;SPAM&lt;/a&gt; que lhe propunham toda uma infindável panóplia de produtos e serviços. Felizmente instalara um programa que lhe eliminava a esmagadora maioria destas mensagens, no entanto algumas conseguiam iludir o automatismo e lá lhe apareciam oferecendo as mais fantásticas soluções para, entre outras coisas irrecusáveis, melhorar o seu desempenho sexual ou para aumentar o tamanho do pénis. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Costumava brincar com os seus colegas dizendo &lt;i&gt;“alguma daquelas tipas que levei para a cama deve ter ficado insatisfeita e decidiu fazer-me um favor dando o meu endereço a especialistas reconhecidos na matéria...”&lt;/i&gt;. Maneira de falar e de brincar, pois sempre optara por se manter fiel aquela relação que já durava há quase vinte e cinco anos, e para a qual não tinha sido necessária a bênção de um padre nem o formalismo de um conservador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lá estava, finalmente, a mensagem do seu amigo do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cern"&gt;CERN&lt;/a&gt;. Abriu-a e começou a ler com a atenção que o cansaço acumulado lhe permitia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como raio se teria o amigo lembrado daquelas condições?... que aplicação útil poderia resultar dali?... Recostou-se de novo na cadeira e fechou os olhos para melhor se concentrar no desafio que lhe era proposto. Durante vários minutos ficou assim, montando mentalmente as condições e prevendo os resultados, como quem joga uma partida de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mental_chess"&gt;xadrez sem usar tabuleiro&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;De repente esbugalhou os olhos como se, nesse preciso instante fosse necessário ver alguma resposta estampada à sua frente. Continuou de olhos esbugalhados e olhar vago à medida que se foi endireitando na cadeira. Depois, como se repentinamente tivesse tomado uma importante decisão, numa súbita necessidade de reproduzir no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chessboard"&gt;tabuleiro&lt;/a&gt; o xadrez mentalmente jogado, retirou uma folha de papel do tabuleiro da impressora, pegou num lápis e começou a debitar fórmulas e símbolos matemáticos, uns a seguir aos outros... retirou uma segunda folha do tabuleiro da impressora... e depois uma terceira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dispôs as folhas lado a lado e ali ficou durante algum tempo, a olhar para elas, procurando encontrar uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rules_of_chess"&gt;jogada ilegal&lt;/a&gt;, de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Knight_%28chess%29"&gt;cavalo&lt;/a&gt; que não desenhou correctamente o “L”, de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bishop_%28chess%29"&gt;Bispo&lt;/a&gt; que se desviou da diagonal, de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pawn_%28chess%29"&gt;peão&lt;/a&gt; demasiado apressado... de uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Divide_by_zero"&gt;divisão por zero&lt;/a&gt;, de uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trigonometric_function"&gt;tangente&lt;/a&gt; de um ângulo recto, de uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Trigonometric_function"&gt;co-tangente&lt;/a&gt; de um ângulo nulo ou raso, de uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Square_root"&gt;raiz quadrada&lt;/a&gt; de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Negative_number"&gt;número negativo&lt;/a&gt;, de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Logarithm"&gt;logaritmo&lt;/a&gt; de um número que não fosse maior que zero...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não, todas as peças se tinham movido escrupulosamente dentro das regras, não havia nenhum erro, nenhuma passagem em falso, nenhuma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Invalid_proof"&gt;violação das regras da matemática&lt;/a&gt; que o pudesse salvar daquele desfecho inevitável e inquestionável...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-iii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3150440293211781298?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3150440293211781298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3150440293211781298&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3150440293211781298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3150440293211781298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-ii.html' title='Descoberta Indiscreta - parte II'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1841605332014538405</id><published>2008-02-06T11:59:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:24:38.369Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Descoberta Indiscreta'/><title type='text'>Descoberta Indiscreta - parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixou cair o corpo cansado e encostou-se para trás, tanto quanto a cadeira lhe permitia. Finalmente um pouco de sossego e de descanso na solidão do seu gabinete! Tinham sido três semanas completamente alucinantes. As três semanas mais compridas e mais gratificantes da sua vida! Três semanas de conferências, palestras, entrevistas, mais conferências, mais palestras, mais entrevistas… Aqueles momentos que antecederam a descoberta pareciam-lhe agora estranhamente distantes no tempo, como se tivessem passado três anos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Conseguira! Durante mais de vinte e dois anos tinha trabalhado arduamente na incerteza de conseguir encontrar o que procurava! Mas encontrara!... E todo esse esforço lhe parecia agora sobejamente compensado. O &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nobel_Prize"&gt;Prémio Nobel&lt;/a&gt; da Física estava garantido, seria tão consensual e tão fácil de atribuir, como nenhum outro antes fora. Na realidade, a descoberta que tinha feito era tão extraordinária, com um tão grande potencial de aplicabilidade, que bem poderia merecer também outros prémios de outras áreas… o Nobel da Medicina, por exemplo, tal era o potencial da sua descoberta em novos meios de diagnóstico e de tratamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas havia um preço a pagar!... A &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Privacy"&gt;privacidade&lt;/a&gt; que tanto apreciava estava irremediavelmente perdida. As implicações da sua descoberta tinham-no atirado para uma incontrolável exposição mediática, tornando-o, num abrir e fechar de olhos, numa das caras mais conhecidas do mundo, quem sabe se não mesmo a mais conhecida. Deixaria de poder passear-se anonimamente numa qualquer rua, em qualquer lugar do mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas estava demasiado cansado para se preocupar com isso agora. Haveria muitas outras oportunidades para pensar nesta e noutras questões pertinentes, por isso foi permitindo que o pensamento se esvaziasse pouco a pouco...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Uma subtil vibração no bolso do casaco arrancou-o da letargia que fora tomando conta de todo o seu corpo, e que sub-repticiamente o ia arrastando para um sono indiferente ao desconforto da cadeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A bem da tão apreciada privacidade optava por usar o telemóvel apenas para se comunicar com um circulo muito restrito de familiares e amigos mais chegados, por isso calculou que seria a sua companheira a enviar-lhe um SMS, tentando saber, sem causar interrupções embaraçosas, se o dia já tinha terminado ou se, pelo contrário, ainda se demorava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não, para sua surpresa, o SMS tinha-lhe sido enviado pelo seu velho amigo dos tempos do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cern"&gt;CERN&lt;/a&gt;: &lt;i&gt;“Can you now give some attention to my email?”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lembrou-se então da mensagem de correio electrónico que o seu amigo lhe tinha enviado há quase duas semanas. A mensagem referia-se a qualquer coisa relacionada com a aplicação da sua descoberta em determinadas condições, mas na loucura daquelas semanas não tinha tido tempo para analisar melhor, e já quase tinha esquecido o assunto. Pelos vistos ele não se tinha esquecido, e esta mensagem, enviada precisamente nesta altura, era a prova clara de que o amigo tinha acompanhado pacientemente o desenrolar das últimas semanas e, consciente de que o pior já teria passado, cobrava-lhe agora um pouco de atenção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-ii.html"&gt;Continua&lt;/a&gt;)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1841605332014538405?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1841605332014538405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1841605332014538405&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1841605332014538405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1841605332014538405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/02/descoberta-indiscreta-parte-i.html' title='Descoberta Indiscreta - parte I'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1451873639988904028</id><published>2008-01-30T18:14:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:34:50.483Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caminho para a paz'/><title type='text'>"Não existe um caminho para a paz! A paz é o caminho!"</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acerca do autor destas palavras, Albert Einstein disse um dia: &lt;i style=""&gt;“as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra.”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para saber quem foi este homem ler mais &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1451873639988904028?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1451873639988904028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1451873639988904028&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1451873639988904028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1451873639988904028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/no-existe-um-caminho-para-paz-paz-o.html' title='&quot;Não existe um caminho para a paz! A paz é o caminho!&quot;'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-6901371728079886434</id><published>2008-01-25T19:14:00.001Z</published><updated>2008-12-15T14:27:06.083Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universo simulado'/><title type='text'>Universo simulado - Parte III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação do Universo Simulado - &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/universo-simulado_21.html"&gt;Parte I&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/universo-simulado-parte-ii.html"&gt;Parte II&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Numa outra dimensão, numa outra forma de comunicação, numa outra linguagem, um diálogo cuja tradução apenas se pode aproximar:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Foi identificado um problema na simulação. Alguns dos elementos simulados tomaram consciência da sua condição. Descobriram uma forma de ter a certeza... Fizeram tantas coisas inesperadas que acabaram por conseguir explorar um problema no programa de simulação e com isso pararam o computador.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Um problema no programa de simulação?...”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Uma situação que não estava prevista… Faz o programa de simulação&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; entrar num ciclo infinito. O sistema de monitorização detectou o problema e parou o simulador.”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“E quais são as soluções possíveis?”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Podemos corrigir o erro no programa e retomar a simulação a partir de um ponto anterior. De qualquer modo, isso não impedirá que eles mantenham as certezas que já descobriram… É uma questão de tempo até que esse conhecimento chegue a todos os outros...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Não!... é muito cedo!... não, não podemos permitir que isso aconteça agora... ainda não!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Pouco depois um computador informa:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="margin-left: 40px; font-style: italic;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“A carregar o backup seleccionado…”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Backup correctamente carregado.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Carregadas condições externas adicionais.”&lt;/p&gt;...&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;“Simulação retomada.”&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Num hipotético universo simulado, um hipotético professor universitário sofre um ataque cardíaco fulminante e morre. Duas hipotéticas semanas depois, um hipotético finalista de uma hipotética engenharia informática, escolhe para hipotético projecto de fim de curso um sistema para controlar um hipotético robot industrial.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Fim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-6901371728079886434?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/6901371728079886434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=6901371728079886434&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6901371728079886434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/6901371728079886434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/universo-simulado-parte-iii.html' title='Universo simulado - Parte III'/><author><name>Devaneante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00021795721874426197</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://4.bp.blogspot.com/_UZBTC27vWS0/ST5bzij9vlI/AAAAAAAAABY/ycGw1Zt1tIA/S220/Cantinho.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-219884891869245460</id><published>2008-01-22T01:14:00.000Z</published><updated>2008-01-22T01:17:43.579Z</updated><title type='text'>... cause every little thing gonna be all right...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Entrei no carro para o meu desejado regresso a casa, no final de mais um típico dia de trabalho, cheio de típicas reuniões, de típicos telefonemas, e de um sem número de outras típicas chatices.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pelo rádio vão chegando alguns sons intermitentes, transportados pelas ondas que, por entre o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/White_noise"&gt;ruído branco&lt;/a&gt;, vão conseguindo penetrar nas estruturas de betão até lugar onde me encontro, na cave do estacionamento.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;À medida que vou subindo até à superfície, o ruído branco vai perdendo cada vez mais terreno, revelando-se cada vez mais nítida a emissão de rádio da &lt;a href="http://www.tsf.pt/"&gt;TSF&lt;/a&gt;. Reconheço a voz de Carlos Vaz Marques, que tantas vezes me faz companhia no meu regresso a casa, com o seu programa &lt;a href="http://tsf.sapo.pt/online/radio/interior.asp?id_artigo=TSF187481"&gt;Pessoal e Transmissível&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fala-se de guerra com um entrevistado que responde em inglês e que Carlos Vaz Marques vai traduzindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um relato de alguém que perdeu a conta das pessoas que matou ou ajudou a matar… de alguém que, naquela altura, tinha como ídolo o seu Comandante, cujos feitos de tirania aleatória eram tomados como modelo de bravura e coragem por todo o pelotão…&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tudo fica mais claro quando, finalmente, percebo que o entrevistado é um ex-menino soldado que combateu entre os 12 e os 18 anos.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ishmael_Beah"&gt;Ishmael Beah&lt;/a&gt;, hoje com 27 anos, foi salvo da guerra civil da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sierra_Leone"&gt;Serra Leoa&lt;/a&gt; em 1998 por um programa da UNICEF. Em 2004 concluiu um bacharelato em Ciências Políticas numa escola dos EUA, e em 2007 publicou o livro &lt;i style=""&gt;“&lt;a href="http://www.alongwaygone.com/"&gt;A Long Way Gone: Memoirs of a Boy Soldier&lt;/a&gt;”&lt;/i&gt; (também editado em português).&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;A certa altura o entrevistador pergunta sobre o que ajudou Ishmael a recuperar das memórias de guerra e da droga de que se tinha tornado dependente. Ishmael fala das músicas de que tanto gostava antes da guerra, e às quais se agarrou no seu processo de recuperação, como se elas fossem uma ponte entre o antes e o depois… Fala, em particular, de uma música de &lt;i style=""&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Marley"&gt;Bob Marley&lt;/a&gt;: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Three_Little_Birds"&gt;Three Little Birds&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;… e canta esta melodia, da qual conhece de cor os versos:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 40px;"&gt;&lt;i style=""&gt;Dont worry about a thing,&lt;br /&gt;cause every little thing gonna be all right.&lt;br /&gt;Singin: dont worry about a thing,&lt;br /&gt;cause every little thing gonna be all right!&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 40px;"&gt;&lt;i style=""&gt;Rise up this mornin,&lt;br /&gt;Smiled with the risin sun,&lt;br /&gt;Three little birds&lt;br /&gt;Pitch by my doorstep&lt;br /&gt;Singin sweet songs&lt;br /&gt;Of melodies pure and true,&lt;br /&gt;Sayin, (this is my message to you-ou-ou:)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 40px;"&gt;&lt;i style=""&gt;Singin: dont worry bout a thing,&lt;br /&gt;cause every little thing gonna be all right.&lt;br /&gt;Singin: dont worry (dont worry) bout a thing,&lt;br /&gt;cause every little thing gonna be all right!&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Parado numa qualquer fila de trânsito, enquanto o vermelho de sangue não dá lugar ao verde de esperança, alguém na fila do lado estranha o sorriso dorido e a lágrima que me escorre pela cara, como se a sabedoria popular estivesse gravemente ofendida por afinal haver homens que choram.&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Solta-se mais uma lágrima enquanto penso nos outros meninos soldado que nunca puderam cantar &lt;i style=""&gt;“… cause every little thing gonna be all right…”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-219884891869245460?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/219884891869245460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=219884891869245460&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/219884891869245460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/219884891869245460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/cause-every-little-thing-gonna-be-all.html' title='... cause every little thing gonna be all right...'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-5738359227713995246</id><published>2008-01-14T22:41:00.001Z</published><updated>2008-12-15T14:27:59.630Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reflexos'/><title type='text'>Reflexos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Entro, de novo, naquele elevador com espelhos em todos os lados e lá estou eu, outra vez, repetido numa infindável sucessão de reflexões até perder de vista. Uma multidão de mãos que se levantam, uma multidão de cabelos que se ajeitam, uma multidão de roupas que se compõem, tudo sincronizado na mais perfeita exactidão…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Vejo-me e revejo-me neste caleidoscópio que me mostra o mesmo “eu” que me mostra qualquer outro espelho vulgar, mas que me mostra, também, outras formas, outros ângulos deste mesmo “eu”… vejo-me de frente, de lado, de costas… há até reflexos em que o “eu” reflectido levanta o braço direito quando eu levanto o braço direito, ao contrário de outros reflexos que teimam em levantar o esquerdo, nessa mesma falta de originalidade comum a todos os outros espelhos vulgares…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Dou por mim a imaginar o que aconteceria se estes espelhos fossem perfeitos, se não fossem, a cada reflexão, distorcendo a imagem reflectida e roubando um pouco da radiação que a constitui… continuaria a minha imagem a saltitar de espelho em espelho, transportada à velocidade de 300 mil quilómetros por segundo, numa sucessão infindável, prisioneira dessas quatro paredes?… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Mas não, as imagens começam a escapar-se para fora do elevador mesmo antes de eu iniciar a minha saída pela porta, que ainda não abriu o suficiente para eu sair, mas já deixou escapar as imagens que eu tanto queria deixar prisioneiras atrás de mim… os últimos vestígios dos “eu” reflectidos desvanecem-se por completo mesmo antes de a porta se voltar a fechar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Ainda bem!... quem entrar a seguir não terá a possibilidade de me ver nem de frente, nem de lado, nem pelas costas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-5738359227713995246?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/5738359227713995246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=5738359227713995246&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5738359227713995246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/5738359227713995246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/reflexos.html' title='Reflexos'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-3660087547559281441</id><published>2008-01-09T19:00:00.002Z</published><updated>2008-12-15T14:26:52.716Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universo simulado'/><title type='text'>Universo simulado - Parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;(continuação do artigo &lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/universo-simulado_21.html"&gt;Universo Simulado - Parte I&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Professor, desde ontem que não consigo pensar noutra coisa, nem consegui dormir.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Algum problema?... A simulação de ontem foi um sucesso! Não me digas que detectaste um erro no simulador…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Não, não se trata disso, trata-se da simulação propriamente dita…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Como assim?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhou o professor durante alguns segundos, como se temesse dizer algo ridículo. &lt;i style=""&gt;“Será que se deixarmos o simulador a correr durante tempo suficiente veremos aparecer estrelas, galáxias, planetas, vida?...”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O professor sorriu. &lt;i style=""&gt;“Estou a ver… … mas duvido que alguma vez tenhamos um computador suficientemente potente, e tempo suficiente para testar essa possibilidade, por isso a tua questão terá de permanecer no plano estritamente filosófico.”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Voltou a hesitar um pouco antes de falar de novo. &lt;i style=""&gt;“E nós, seremos nós uma simulação?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O professor sorriu de novo, recostou-se na cadeira e olhou-o de uma forma inquisidora durante alguns instantes, como quem mede o adversário de um jogo de xadrez.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Uma simulação com um universo deste tamanho?... com tantas partículas, &lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Observable_universe"&gt;&lt;i style=""&gt;mais de 10&lt;sup&gt;80&lt;/sup&gt; átomos&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;, sem contar com a &lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dark_matter"&gt;&lt;i style=""&gt;Matéria Negra&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;!… achas mesmo possível?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fez uma pequena pausa antes de iniciar a resposta.&lt;i style=""&gt; “E seria mesmo necessário simular o comportamento de todas essas partículas para simular o nosso universo?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;“Não estou a perceber…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Acha que seria necessário simular cada partícula que constitui o Sol?... se formos nós, os humanos, os únicos a observar o Sol, bastará simular o comportamento das grandezas que somos capazes de observar, pois não teríamos forma de perceber a diferença…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Fez uma pausa…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Se bem me lembro do que estudei na cadeira de física do primeiro ano, de acordo com a &lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_mechanics"&gt;&lt;i style=""&gt;teoria da mecânica quântica&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt; as partículas quando observadas, têm um comportamento diferente daquele que têm quando não são observadas… lembro-me do paradoxo do &lt;/i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Schr%C3%B6dinger%27s_cat"&gt;&lt;i style=""&gt;gato de schrodinger&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;, em que um gato trancado dentro de uma caixa, e fora do alcance de qualquer observação, existiria, ao mesmo tempo, vivo e morto…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Se este universo for apenas uma simulação, o gato nem precisa de existir enquanto se encontrar dentro da caixa e fora do alcance de qualquer observação. O eventual simulador não precisaria de simular a existência do gato dentro da caixa, porque essa existência seria irrelevante para a simulação do resto do universo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Sim, mas, ainda assim, o universo que conseguimos observar é bastante vasto, mesmo não sendo necessário simular ao nível de cada partícula, ainda haveria muito universo para simular… e durante muito tempo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Bem, se o sol, que se encontra apenas a 8 minutos-luz da terra, puder ser simulado de uma forma relativamente simplista, muito mais o poderá o resto do universo que, estando mais longe, está mais fora do alcance da nossa observação… Bastaria simular os pedacinhos de radiação cósmica que chegam aos nossos olhos e aos nossos telescópios e rádio-telescópios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Por outro lado, é claro que na escala humana não seria possível construir um computador com capacidade para fazer uma tal simulação, mas as nossas limitações não implicam que não possa existir uma realidade que nos ultrapasse… numa outra dimensão… num outro universo…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;E quanto ao tempo de simulação, como poderemos ter a certeza de que a simulação não tenha sido iniciada apenas há um milhão de anos atrás?... ou há mil anos?... ou há cinco minutos?... tudo depende das condições iniciais colocadas no simulador… será que as nossas memórias se referem mesmo a um passado vivido?... ou serão, apenas, memórias inventadas?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O professor continuou em silêncio mais alguns segundos, mantendo sempre um leve sorriso nos lábios.&lt;i style=""&gt; “Tens razão… na realidade podemos não passar de pequenos e insignificantes fantoches… mas nada podemos provar a esse respeito… por isso, à semelhança da tua primeira pergunta, esta é mais uma questão para tratar num plano estritamente filosófico…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Talvez não...Talvez não!...”&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O sorriso desfez-se dos lábios do professor. &lt;i style=""&gt;“Como assim?... Tens alguma ideia?...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Por acaso até tenho…”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Uma ideia para testar a possibilidade de sermos o resultado de uma simulação?!...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;“Sim!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/universo-simulado-parte-iii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-3660087547559281441?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/3660087547559281441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=3660087547559281441&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3660087547559281441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/3660087547559281441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/universo-simulado-parte-ii.html' title='Universo simulado - Parte II'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-419894615341096419</id><published>2008-01-07T01:35:00.001Z</published><updated>2008-12-15T14:28:18.624Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Surrender your ego'/><title type='text'>Surrender your ego</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ontem estava a fazer umas arrumações e encontrei um velho CD dos Queen, que já julgava perdido. Coloquei na aparelhagem e fui ouvindo enquanto continuava as minhas arrumações.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Até que chegou o &lt;i style=""&gt;Innuendo&lt;/i&gt; e um dos excertos de música e letra mais bem conseguidos de sempre… dá que pensar…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic; text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;You can be anything you want to be&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Just turn yourself into anything you think that you could ever be&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Be free with your tempo, be free be free&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Surrender your ego - be free, be free to yourself&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-419894615341096419?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/419894615341096419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=419894615341096419&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/419894615341096419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/419894615341096419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/surrender-your-ego.html' title='Surrender your ego'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-2832309651769447713</id><published>2008-01-03T10:46:00.001Z</published><updated>2008-12-15T14:28:52.430Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caridade dolorosa'/><title type='text'>Caridade dolorosa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; este pedinte sentado no meio do passeio…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; o chamamento do tilintar de uma ou duas moedas solitárias no fundo da lata de salsichas…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; o pedido de “aiuta!...” que me lança nesta pronúncia quase incompreensível…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a (apenas aparente) indiferença com que passo e sigo o meu caminho…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; aquela criança que, uns passos mais adiante, repete o mesmo pedido…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; o seu olhar vago e vazio de sonhos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; sabê-la ausente da escola e das brincadeiras que lhe poderiam alimentar esses sonhos…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; o som da moeda que alguém, (apenas aparentemente) menos indiferente do que eu, deixa cair na lata de salsichas…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a paz com se afasta, repentinamente esquecido da realidade por que acaba de passar, como se a moeda deixada cair lhe comprasse a ilusão de viver num mundo sem miséria…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a miséria…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a miséria de os saber explorados…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; quando, mais tarde, me cruzo com a mesma mulher que todos os dias pede uma “ajudinha” à porta do centro comercial…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a energia com que sucessivamente aborda todos os que vão passando…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; a possibilidade de estar enganado quando penso que esta energia poderia ser melhor investida em algo de útil e produtivo…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; este inevitável pensamento de a ver como um “parasita”…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt;, de novo, a (apenas aparente) indiferença com que me desvio e sigo o meu caminho…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt;, enquanto escrevo esta dor, pensar que posso estar enganado nesta minha convicção de que a melhor forma de combater esta miséria é não alimentar este modo de vida…&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;Dói-me&lt;/i&gt; pensar que posso estar enganado nesta minha convicção da caridade da minha (apenas aparente) indiferença…&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-2832309651769447713?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/2832309651769447713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=2832309651769447713&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2832309651769447713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/2832309651769447713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/caridade-dolorosa.html' title='Caridade dolorosa'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1536481952903263781</id><published>2008-01-01T19:06:00.000Z</published><updated>2008-01-02T10:36:24.581Z</updated><title type='text'>Loira burra...</title><content type='html'>Neste dia, em que entra em vigor a nova lei sobre o tabaco, lembrei-me de um pequeno episódio que me pareceu oportuno partilhar com quem por aqui passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns dias passei em frente a duas adolescentes que conversavam sentadas junto a uma escola secundária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebi de que falavam, mas consegui ouvir de uma delas, enquanto retirava o cigarro da boca, "... vê-se mesmo que é loira burra!..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apeteceu-me perguntar "então e o que se deve chamar a uma morena que fuma?...".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1536481952903263781?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1536481952903263781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1536481952903263781&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1536481952903263781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1536481952903263781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/loira-burra.html' title='Loira burra...'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-521083977667016662</id><published>2007-12-28T02:15:00.000Z</published><updated>2007-12-28T02:38:47.369Z</updated><title type='text'>Natal...</title><content type='html'>Este ano um amigo convidou-me para passar o Natal na terra dele. Uma daquelas terrinhas magníficas do interior que em alturas de festa duplica de população. Foi magnífico! Gente fantástica, ambiente fantástico, calor humano fantástico, e frio fantástico também!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que faço eu, ateu convicto, num local onde todos são católicos?... onde todos vão à missa do galo... Bem, este ano nem todos foram à missa do galo!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inevitavelmente, no dia seguinte o tema "Deus" acabou por se tornar assunto de conversa. De um lado os meus anfitriões e os seus familiares locais, do outro lado eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma conversa extremamente interessante, outra coisa não seria de esperar de pessoas civilizadas. Mas foi, também, uma conversa que não levou a lado nenhum, provando, uma vez mais, que isto de acreditar ou não acreditar é exclusivamente uma questão de convicção e de fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-521083977667016662?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/521083977667016662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=521083977667016662&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/521083977667016662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/521083977667016662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/natal.html' title='Natal...'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7475849123065343377</id><published>2007-12-21T17:04:00.003Z</published><updated>2008-12-15T14:26:29.489Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Universo simulado'/><title type='text'>Universo simulado - Parte I</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhou para o relógio, eram quase 4:30... Desde antes da meia-noite que tentava, sem sucesso, libertar o seu pensamento e adormecer profundamente, para acordar fresco na manhã seguinte. Este objectivo parecia-lhe, agora, inalcançável. Conseguiria levantar-se com energia e inspiração para escrever mais umas páginas do relatório?...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Faltava tão pouco! Tinha concluído todas as cadeiras com notas nem muito boas nem muito más, e o trabalho final estava concluído... na demonstração do dia anterior tudo tinha corrido excepcionalmente bem... faltava apenas terminar o relatório e depois fazer a apresentação e a defesa do trabalho... O título de Engenheiro Informático está mesmo ali ao virar da esquina...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Mas este trabalho final levava-lhe agora, depois de terminado, todas as suas energias!... O desenvolvimento daquele projecto, apesar das dúvidas iniciais, tinha acabado por se revelar bastante desafiante, e ele tinha conseguido ultrapassar as dificuldades de forma brilhante... por momentos sorriu ao relembrar a surpresa e o entusiasmo na cara do seu orientador no momento em que lhe apresentou aquela solução!... Não, não eram os problemas técnicos que agora lhe tiravam o sono!&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;A princípio aquele projecto de simulador, proposto por um professor do departamento de Física, tinha-lhe parecido desinteressante, demasiado teórico e sem aplicação prática. O tema até era interessante do ponto de vista teórico, mas ele estava farto de teoria... Mas a insistência do seu orientador e a falta de outras alternativas melhores acabaram por selar a escolha.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;O seu pensamento vagueava agora pelos quatro meses que gastou no desenvolvimento do programa de simulação. Recordou as primeiras dúvidas, as primeiras soluções, aquele primeiro desânimo de ter de recomeçar tudo de novo, a satisfação da brilhante solução para a representação das partículas na memória do computador, a concepção do algoritmo que permitiria aplicar a cada partícula as leis definidas no modelo do professor do departamento de Física, as primeiras execuções do simulador, a procura e correcção dos "bugs"... a surpresa do seu orientador e do professor quando viram o resultado final, a pergunta do professor, nítida como se tivesse acabado de a ouvir, "Tão rápido?... tem a certeza de que programou o modelo tal como está nas minhas especificações?...", e depois virando-se para o orientador, "Isto é fantástico! Temos de experimentar isto no super-computador do departamento.".&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;O sorriso que se havia desenhado na sua cara, à medida que estas recordações se foram sucedendo, foi substituído por uma expressão de perplexidade... de dúvida... Aquele tinha sido, sabia-o agora, o momento de viragem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Recordou o entusiasmo dos dias seguintes. A grande admiração pela capacidade do super-computador, o trabalho intenso daquela manhã para introduzir as condições iniciais que o professor do departamento de Física lhe tinha dado, a antecipação dos possíveis resultados da simulação com aquelas condições que levavam ao limite as capacidades do super-computador, a expectativa da espera pelos resultados e, finalmente, depois de várias horas de processamento intensivo, os resultados!...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Os resultados!... os resultados da simulação de algumas fracções de segundo daquele hipotético sistema, com aquelas hipotéticas partículas naquelas hipotéticas condições iniciais, aquelas hipotéticas leis, num hipotético universo apenas existente na memória daquele super-computador do departamento de Física... um hipotético "Big Bang"...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Tentou, uma vez mais, esvaziar o pensamento, esquecer tudo, fechar os olhos e dormir! Mas não, a mesma possibilidade que lhe tinha ocorrido no final da tarde anterior, depois de ver aqueles resultados, voltou a monopolizar o seu consciente…&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Que aconteceria naquele hipotético universo, simulado pelo super-computador do departamento de Física, se em vez de algumas fracções de segundo fosse possível simular alguns biliões de anos, com um número ainda maior de hipotéticas partículas num super-super-computador?... será que veriam surgir hipotéticas galáxias, com hipotéticas estrelas, e hipotéticos planetas?... e hipotéticos seres hipoteticamente inteligentes?...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Como veriam eles, os hipotéticos seres hipoteticamente inteligentes, o seu universo?... E professor do departamento de Física seria o quê?... um hipotético deus?... e ele, o finalista de engenharia informática, seria o quê?...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Uma nova possibilidade assaltou-o. Esbugalhou os olhos, como se procurasse ver alguma coisa na total escuridão do seu quarto… uma prova… um indício…&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Nada!... apenas aquela dúvida, aquela possibilidade surgida repentinamente como um relâmpago… Seria todo o universo à sua volta, e ele próprio, o resultado de uma simulação?... seria ele um hipotético finalista de uma hipotética engenharia informática, num hipotético universo, com hipotéticas partículas e hipotéticas leis, num hipotético universo simulado?... e nesse caso, quem (ou o que) será o programador desse simulador?...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;Perdeu definitivamente qualquer esperança de descanso…&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 0cm;"&gt;(&lt;a href="http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2008/01/universo-simulado-parte-ii.html"&gt;continua&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7475849123065343377?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7475849123065343377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7475849123065343377&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7475849123065343377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7475849123065343377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/universo-simulado_21.html' title='Universo simulado - Parte I'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1455363140232365088</id><published>2007-12-21T01:40:00.000Z</published><updated>2007-12-21T02:25:27.861Z</updated><title type='text'>A mentira dos sentidos - Parte I</title><content type='html'>Os nossos sentidos são fantásticos!... Com eles sentimos o mundo à nossa volta, sem eles a vida não faria sentido!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que os nossos sentidos nos contam a verdade acerca do universo em que vivemos? Ou será que apenas nos permitem ver as sombras na caverna de Platão?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matéria, energia, espaço, distância, tempo... será que todas estas coisas existem mesmo, ou serão uma mera ilusão, ou uma ténue sombra de uma realidade maior?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste meu devaneio dou por mim a pensar nas células do meu corpo... se elas tivessem sentidos e inteligência, como seria a sua percepção do seu universo? Que mentiras lhes contariam os seus sentidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que esses sentidos apenas lhes permitiriam percepcionar o "universo" contido dentro do meu corpo. Seria um universo bastante vasto na escala de uma célula, provavelmente demasiado vasto para poder ser entendido pela sua limitada inteligência, mas seria, ao mesmo tempo, demasiado pequeno na escala de uma realidade maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos nós uma "célula" de um qualquer corpo?... e seremos nós, alguma vez, capazes de olhar para fora desse corpo para observar a realidade maior?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1455363140232365088?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1455363140232365088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1455363140232365088&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1455363140232365088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1455363140232365088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/mentira-dos-sentidos-parte-i.html' title='A mentira dos sentidos - Parte I'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-1969754206807893878</id><published>2007-12-20T22:21:00.000Z</published><updated>2007-12-21T01:39:13.879Z</updated><title type='text'>Um bom começo!...</title><content type='html'>Bem, recebi hoje o primeiro comentário!! E ainda por cima, da autora de um dos melhores blogs que já por aqui fui vendo! Bem é verdade que ainda sou um completo estreante neste universo, que ainda agora comecei a viajar nele, e que por isso ainda tenho muito para descobrir, mas as Memórias da Túlipa são, até ver, do melhor que já tive a sorte de encontrar (vou ficar de olho em ti!...).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-1969754206807893878?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/1969754206807893878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=1969754206807893878&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1969754206807893878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/1969754206807893878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/um-bom-comeo.html' title='Um bom começo!...'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1500256912705756432.post-7562236394358034467</id><published>2007-12-18T19:43:00.000Z</published><updated>2007-12-18T21:34:02.329Z</updated><title type='text'>O devaneio do cantinho</title><content type='html'>Pronto, já está!... depois de muitas hesitações decidi-me, finalmente, a iniciar o meu próprio blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?... Para quê?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a verdade é que muitas vezes dou por mim a espiar, secretamente, alguns dos devaneios em que o meu pensamento se costuma perder, e achei que valia a pena registá-los num cantinho secreto. Não que sejam especialmente bons ou especialmente maus, são apenas isso, devaneios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não, não me refiro aqueles devaneios ditos imorais! Esses são, por aquilo que tenho observado no meu papel de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;voyeur&lt;/span&gt;, demasiado fúteis e sem graça para com eles desperdiçar o espaço de um qualquer blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficam, portanto, os outros... não especialmente bons, não especialmente maus... a maior parte também sem graça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao local... não, não poderia ser num outro lugar qualquer... tinha de ser um lugar confortavelmente desconfortável... um lugar secretamente público, onde todos poderão vir espreitar, mas que não se espera venha a ser muito espreitado... enfim, um cantinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui fica, portanto, este cantinho, ainda vazio de outros devaneios além deste primeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1500256912705756432-7562236394358034467?l=cantinhodosdevaneios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/feeds/7562236394358034467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1500256912705756432&amp;postID=7562236394358034467&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7562236394358034467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1500256912705756432/posts/default/7562236394358034467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantinhodosdevaneios.blogspot.com/2007/12/o-devaneio-do-cantinho.html' title='O devaneio do cantinho'/><author><name>FPJ</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
