sábado, 3 de maio de 2008

Sonhos Cruzados - parte III

(continuação de Sonhos Cruzados – parte I e parte II)

Ali continuou sentada, na beira da cama, tentando encontrar uma explicação… Era como se tanto ela como a morena do sonho fossem, de facto, pessoas reais… duas pessoas ligadas uma à outra, de tal forma que enquanto uma vivia o seu dia, a outra sonhava, na sua noite, aquele dia vivido…

Como seria possível uma coisa assim?... que magias?... que deuses?... que demónios?... que forças ocultas estariam por detrás de uma tal ligação?... e porquê ela?... porquê elas?! E quem seria a morena?... onde viveria?... em que país e em que cidade?...

Fechou os olhos e esforçou-se por se lembrar de algum detalhe que lhe pudesse dar uma pista. Assim foi percorrendo os sonhos das últimas duas noites, tentando encontrar alguma informação que lhe permitisse ter uma ideia acerca do local onde vivia a morena de cabelo comprido e olhos castanhos. Mas por mais que tentasse, e apesar de a maior parte das imagens daqueles sonhos lhe aparecerem tão claras como se tivesse sido ela a vê-las com os seus próprios olhos, não conseguia recordar qualquer detalhe que a pudesse ajudar naquela tarefa. Além disso, continuava a não conseguir recordar o nome da morena nem língua que falava.

Estava num beco sem saída… o local onde a outra vivia poderia ser um entre muitos milhares espalhados pelo globo… e mesmo que a fisionomia dela e das outras pessoas com quem se cruzara lhe permitissem excluir algumas zonas do globo, ficavam ainda muitas outras possibilidades.

Saiu da cama enquanto continuava a pensar numa forma de sair daquele impasse. Enquanto tomava o banho matinal, que desta vez não servia de despertador, pois o seu cérebro começara a trabalhar a todo o vapor assim que acordara, tomou uma decisão. Ao longo do dia trataria de plantar nas suas memórias várias referências que, depois de sonhadas pela morena, poderiam dar a esta alguma referência. Já que ela não conseguira recordar-se de qualquer informação útil, talvez conseguisse passar à outra informações sobre ela própria.

Sentada no autocarro, a caminho do escritório, foi pensado como seria aquele hipotético futuro encontro entre ela e a morena… de que forma influenciaria as suas vidas?... de que falariam?... conseguiriam comunicar-se numa língua que ambas entendessem?... e como sonhariam depois esse encontro?...

Ocorreu-lhe que a morena poderia viver precisamente do outro lado do planeta… a noite de uma coincidindo com o dia da outra… e a vigília de uma com o sono e o sonho da outra…

Já no escritório ligou o computador e começou a navegar pela internet procurando fotografias e descrições dos locais e dos monumentos mais simbólicos do país. Juntou tudo num documento, no qual acrescentou uma página onde, em letras bem grandes, escreveu o nome do país e da cidade em que vivia. Ao longo do dia, foi visitando várias vezes este documento, percorrendo cuidadosamente cada página, para garantir que este ficaria devidamente implantado na sua memória.

Quando o paquete interno do escritório lhe trouxe a correspondência do dia, sorriu ao pensar que o que estava a tentar fazer era, nada mais, nada menos, que enviar uma carta à morena de cabelo comprido e olhos castanhos. Não estava a usar o serviço dos correios, nem colocara qualquer endereço de destino, mas, ainda assim, era de uma carta que se tratava, e sabia que seria recebida pelo destinatário pretendido.

Foi com muita expectativa que, já em casa, esperou pelo sono que, assim esperava, haveria de levar à morena toda aquela preciosa informação. No entanto, a expectativa e o sono não costumam ser bons companheiros, e era já bastante tarde quando finalmente conseguiu adormecer.

O despertador arrancou-a do sono à hora habitual de qualquer dia de trabalho. Preparava-se para sair da cama quando lhe vieram à memória as primeiras imagens daquele sonho… tinha sonhado de novo com a loira de cabelo curto e olhos azuis…

Ali continuou sentada, na beira da cama, relembrando cada detalhe do sonho… o beliscão no braço, as conclusões a que a outra tinha chegado, a tentativa de saber alguma coisa sobre ela própria e, finalmente, a tentativa de lhe enviar uma carta com informações sobre o local onde vivia…

Tentou então lembrar-se daquelas páginas daquela carta que a loira lhe tentara enviar, mas, por mais que se esforçasse, não conseguiu recordar nem o que estava escrito nem as imagens das fotografias tão criteriosamente seleccionadas…

(continua)

9 comentários:

filha do administrador disse...

já estou nervosa à espera do fim

Shelyak disse...

Olá:)
Já não te visitava há algum tempo; tenho andado um pouco afastado. Um abraço que te deixo com a promessa de voltar ainda hoje para te ler calmamente.
:)

lélé disse...

Induzir o sonho... É uma arte dificílima, mas dizem que é possível!...
Nenhuma delas acorda cansada?

Rui disse...

Continuo a achar que a outra não vive do outro lado do planeta, mas do espelho.

E as coisas dos sonhos deviam-nos ser mais claras, de manhã. Ou não?

Lyra disse...

Olá,

Venho pedir desculpas por não vir cá há algum tempo, mas a verdade é que o meu filhote esteve doente e, como estive com ele em casa, o trabalho acumulou e agora o tempo é escasso.

Hoje apenas venho agradecer a tua amizade e simpatia e dizer que voltarei brevemente, com mais tempo, para pôr a merecida leitura do teu blog em dia, sim?

Beijinhos e até breve.

;O)

Magnolia disse...

O 2º direito do Edificio Magnolia prepara-se para entrar num mundo oculto e excitante salpicando uma ansiedade que move as almas que ali moram.
Queres tocar na nova sensação do Edificio?

MARIA MERCEDES disse...

Continuas sonhando....

beijinho

Lyra disse...

A loira e a morena serão, inevitavelmente, dois lados de uma só personalidade ainda no caminho da auto-definição. Não importa se uma vive no sonho e outra na...realidade, podem sempre trocar de lugar e poderão sempre ...tocar-se, conhecer-se, juntar-se...ou não?

Beijinhos e até breve.

;O)

Cantinho dos devaneios disse...

filha do administrador: está quase...

shelyak: serás sempre bem vindo!

lélé: aparentemente acordam menos cansadas do que quando adormeceram...

rui: talvez... quem sabe?...

lyra: serás sempre bem vinda! Espero que o filhote volte rapidamente às "travessuras"...

magnolia: sim, com prazer...

maria mercedes: "o sonho comanda a vida"...

lyra: trocar de lugar?...